Sem avanços nas reivindicações específicas e anistia dos dias parados, greve bancária continua

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Agência Brasil

Vamos ampliar o movimento e colocar banqueiros e o governo contra a parede.

Leia abaixo, na íntegra, o texto da Oposição ao Sindicato dos Bancários de São Paulo convocando a categoria a continuar a greve

Mesmo com uma crise econômica aguda no Brasil, o setor financeiro mantém uma produtividade de 27%. A elevação dos juros pelo Banco Central e a garantia de pagamento da dívida pública, garantem uma lucratividade recorde tendo os cinco maiores bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Santander) lucrado R$ 33,6 bilhões líquidos no primeiro semestre. É um dos únicos setores que nadam em dinheiro enquanto os bancários e a população se afogam em dívidas. Portanto, nada justifica a choradeira dos banqueiros.

A CONTRAF/CUT, desde o inicio da campanha fez questão de deixar bem claro que não sairíamos da greve sem aumento real, acima da inflação, e agora recomendam a aceitação de uma proposta 0,12% acima da inflação. Para falar o português claro, sem aumento real. Mas o pior de tudo é que as reivindicações específicas apresentadas ao Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal não chegaram nem perto de serem atendidas. E ainda querem nos punir com a compensação das horas que, embora seja parcial, é injusta e deve ser rejeitada. No Banpará, por exemplo, todas as horas foram anistiadas. Temos que exigir o mesmo.

A força da nossa greve pode conquistar muito mais
Os dados da própria CONTRAF/CUT demonstram que mais de 12 mil locais de trabalho paralisaram suas atividades. Para se ter uma ideia, segundo eles, apenas na capital paulista, mais de 60 mil trabalhadores de 800 locais de trabalho, sendo 24 centros administrativos, cruzaram os braços nos últimos dias.  Não há motivos para encerrar a campanha, inclusive porque muitos gerentes médios começam a aderir ao movimento, principalmente no Banco do Brasil, demonstrando que a greve ainda está crescendo. A greve dos bancários já começou mais forte que a do ano passado, tem se fortalecido e tem condições de ser ampliada. No dia 29 de outubro, os petroleiros devem entrar em greve, reforçando ainda mais a nossa luta.

Os bancários devem continuar em greve. No BB e na CEF, a prioridade deve ser a pauta específica. Vamos pressionar o governo para conquistá-la. Na Caixa, o GDP e as metas astronômicas combinados com a falta de empregados precisam ser resolvidos. Devemos também avançar na isonomia. Os bancários do Banpará conquistaram dez dias de licença-prêmio nas últimas datas-bases e, neste ano, ganharam mais dois, provando que é possível avançar na igualdade de direitos entre antigos e novos empregados.

No BB, não podemos aceitar o fim da greve sem solução para o déficit da CASSI (Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil) e o direito aos incorporados de migrarem para a CASSI. Toda vez que deixamos questões importantes para negociar depois da greve, sofremos derrotas. Além disso, precisamos atacar  a chantagem e a dependências das comissões, exigindo aumento do piso, aumento do interstício do PCR, pontuação de mérito para escriturários, aumento na pontuação de mérito dos caixas, concursos internos para ascensão profissional e incorporação das comissões aos salários.

Convocamos todos e todas a comparecerem à assembleia nesta segunda-feira para dizer um sonoro NÃO a essa proposta!

Nem o Comando Nacional tem Unidade para Aprovar a proposta
A proposta é tão ruim que não foi capaz sequer de convencer o conjunto do comando nacional. Sindicatos importantes, como o da Bahia e o de Brasília, posicionaram-se no comando contra a indicação de aprovação da proposta. A diretoria do Sindicato da Bahia defenderá a continuidade da greve na assembleia. A diretoria do Sindicato de Brasília se reúne ainda nesse domingo para definir a posição que defenderá nas assembleias. Além disso, os sindicatos ligados à oposição bancária (Bauru, Rio Grande do Norte e Maranhão) defenderão a rejeição da proposta.

Vamos continuar em greve e exigir que os bancos e o governo atendam nossas reivindicações:

Na Caixa:
Saúde não se negocia: fim das metas e do assédio. Não ao GDP!

Isonomia já: licença prêmio para os novos!

Contra a privatização das loterias!

Em defesa da Caixa 100% pública: contra o PL555, que transforma as estatais em empresas de capital aberto!

No Banco do Brasil:
Não à chantagem e dependência das comissões: aumento do piso, aumento do interstício do PCR, pontuação de mérito para escriturários, aumento na pontuação de mérito dos caixas, concursos internos para ascensão profissional e incorporação das comissões aos salários.

Isonomia de direitos e fim da discriminação aos incorporados;

Solução para o déficit da CASSI

Estabilidade no emprego para todos os bancários e contratação de mais funcionários!

Contra o ajuste fiscal e a “agenda Brasil”. Que os ricos paguem pela crise.

0,12% não dá! Os banqueiros podem dar mais!

Assembleias Separadas
Como sempre, quando querem acabar com a greve, a diretoria do sindicato convoca assembleias separadas por bancos. Eles falam tanto na unidade da categoria em seus discursos, mas resolvem nos separar quando interessa a eles. O índice não é o mesmo para todos? Então porque não votar sua aceitação ou rejeição conjuntamente? Infelizmente, o interesse da diretoria do sindicato neste momento não é a unidade, mas simplesmente que a greve termine. Vamos comparecer às assembleias para dizer não às propostas rebaixadas. E vamos pressionar para que as assembleias comecem no horário previsto. Não podemos permitir que a diretoria do Sindicato fique esperando os gerentes que, a mando do banco, vêm a assembleia para votar pelo fim do nosso movimento.