Se as mãos operárias tudo produzem, a elas tudo pertencem: ABC para os trabalhadores

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As mudanças reais que os trabalhadores e a juventude da periferia precisam não virão das reformas no sistema político capitalista, ao contrário, é justamente o aprofundamento desse sistema que traz agora mais miséria, desemprego, violência urbana, discriminação racial, lgbtfobia, machismo, xenofobia, etc.

Somente a luta direta dos de baixo é capaz de construir outras cidades, cuja essência seja o fim da exploração e das opressões, e essa é uma lição que os operários e operárias do ABC carregam em sua trajetória. No passado foram as heroicas e gigantescas greves dos operários dessa região que aprofundaram a crise da corrupta e sanguinária ditadura civil-militar, no final da década de 1970 e 1980, e no presente, a região foi a vanguarda das ocupações de escolas pelos estudantes secundaristas, em sua luta por educação pública de qualidade, além da resistência que os operários travam contra os governos e patronal para manutenção do emprego e do salário.

E é com esse entendimento e confiança na luta dos trabalhadores e da juventude que o PSTU lança candidaturas à prefeitura de três cidades do Grande ABC. Nossas candidaturas não estão a serviço de substituir a luta da classe trabalhadora e de seus filhos, ao contrário, queremos por meio do limitado espaço eleitoral dar visibilidade a cada uma dessas lutas. E por outro lado também sabemos que os problemas da região não estão desvinculados dos graves problemas do Brasil.

Assim, ao contrário de todas as outras candidaturas, queremos dizer para a classe trabalhadora do ABC que em cada uma de nossas reivindicações temos que exigir imediatamente “Fora Temer, Fora Congresso Corrupto, Fora Todos e Eleições Gerais Já”, nas quais seja proibida a participação de todos aqueles que estão envolvidos em escândalos de corrupção, que os eleitos tenham mandatos revogáveis e recebam o mesmo salário de um operário especializado.

Nossas candidaturas
Diadema

O candidato socialista à prefeitura é o também professor e militante do movimento negro, Ivanci Viera dos Santos, tendo como vice, Uillians Pereira da Silva. A chapa é composta também por Arinete Ferreira Barroncas dos Santos e Edson Satiro, ambos, como candidatos à vereança.

São Bernardo do Campo
A Convenção Municipal do partido, aprovou como candidato a prefeito, César Raya Álvares, professor da rede estadual de ensino e dirigente sindical, tendo como vice, o docente Antônio Lucas Maciel, e como candidatos a vereadores, o professor Fernando de Souza e Taís Viégas.

Ribeirão Pires
Nosso candidato a prefeito é José Cantídio de Souza Lima, também conhecido como Lima, operário aposentado, reconhecido na região pela luta contra a ditadura civil-militar, na década de 1970 e pela atuação nos movimentos sociais ligados à luta pela melhoria no transporte público.  A chapa terá como vice, o historiador Arnaldo Boaventura (PSOL). Na cidade, o PSTU contará ainda com o nome do professor Juscelino Rodrigues de Oliveira, para candidato a vereador.

ABC da crise
A crise política, econômica e social que devasta o Brasil deixa marcas profundas em todos os cantos, mas, sobretudo nas regiões metropolitanas, e isso inclui o Grande ABC Paulista. Eixo industrial estratégico do país e da América Latina, a região combina contraditoriamente o que há de mais avançado na cadeia produtiva brasileira com o maior grau de dependência das multinacionais instaladas no país. Por essa razão, é um dos lugares mais atingidos pela crise econômica, cuja marca principal é o desemprego fabril.

De acordo com o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, o desemprego atinge hoje 243 mil pessoas, maior taxa em 11 anos, sendo o número de desempregados equivalente ao número de habitantes de uma cidade de médio porte como São Carlos (SP).[1] Como efeito dominó, as grandes fábricas demitem seguidas pelas pequenas, atingindo por fim o setor de comércio e serviços, de tal maneira que para cada operário demitido, seis trabalhadores perdem o emprego nas áreas não fabris.  

E como não poderia ser diferente dentro do sistema capitalista, a exploração vem acompanhada da opressão de gênero e de raça. No crescente processo de desemprego na região, verifica-se que pelo menos desde 2015 o maior nível de desempregados está entre os jovens de até 24 anos (26%), entre as mulheres (25,7%) e negros (29%).[2]

No entanto, apesar da crise econômica ser um fato, as consequências sociais dela, tais como o desemprego e a inflação, são escolhas políticas dos partidos que governam para os ricos e dando nome aos bois, ou melhor, às vaquinhas de presépio da burguesia, aqui está incluso o PT, PSDB, PMDB, DEM e a corja toda que domina o Congresso Nacional.

A traição do PT no coração da classe operária brasileira
O enorme sentimento de traição que os governos de Lula e Dilma provocaram nos trabalhadores brasileiros é sentido de maneira ainda mais forte no ABC. Berço histórico do PT e da CUT, a classe operária dedicou anos, tempo, suor e sangue para construir um partido e uma central sindical que governasse com e para ela. Entretanto, depois de quatorze anos de governos petistas, ficou evidente que o PT trocou as mãos operárias pelos apertos de mãos com os grandes executivos e empresários.  

Desde os primeiros sintomas da crise econômica, a qual Lula chamou de marolinha, os governos petistas adotaram todas as medidas necessárias para defender o lucro dos patrões, porém nenhuma medida consequente para garantir o direito ao emprego e ao salário.

Primeiro, o governo do PT agraciou as montadoras por meio da desoneração fiscal, das gigantescas remessas de lucro e do Programa Inovar Auto, que garantiu que essas empresas deixassem de pagar cerca de R$ 27 bilhões ao Estado. Depois, a parceria do Governo Dilma com as multinacionais, garantiu para as aves de rapina estrangeiras o dinheiro público para o cofinanciamento da política de lay-off (pré-demissão), adotada pelas montadoras para não perder sua lucratividade. E agora, a burocracia sindical da CUT, comandada pelos mesmos homens e mulheres que vão à fábrica defender Dilma contra um suposto golpe, dá um golpe nos operários e assina um acordo com a direção da Volkswagen para congelar o salário dos trabalhadores, justamente quando a inflação tira até mesmo o feijão da mesa dos mais pobres.

Todas essas medidas implementadas por Dilma e que seguem no nefasto Governo Temer não garantiram o emprego de milhares de pais e mães de famílias. Ao contrário, tais medidas facilitaram os meios para as montadoras demitirem, basta dizer que se a remessa de lucro tivesse sido proibida, o valor que ultrapassou R$ 7,2 bilhões entre 2013-2015 e que foi enviado para fora do país, manteria o emprego de todos os operários demitidos pelos próximos dez anos.

Entretanto, a descrença dos trabalhadores e da juventude com o PT não é apenas pelos ataques que esse partido fez desde o Governo Federal. À frente de cidades importantes como São Bernardo e Santo André, os governos petistas de Luiz Marinho e Carlos Alberto Grana não diferem essencialmente dos governos tradicionalmente de direita, como o governo de Lauro Michels Sobrinho (PV), em Diadema e o governo de Paulo Nunes Pinheiro (PMDB), em São Caetano do Sul.

A prioridade tanto dos governos petistas, como dos governos de partidos abertamente de direita foi, é e será o pacto com os ricos e poderosos da região, ou seja, com grandes empreiteiras e empresários, secundarizando as necessidades mais básicas da periferia. Assim, de São Bernardo à Diadema, de Santo André a Mauá e Ribeirão Pires, os trabalhadores enfrentam diversos problemas em comum, tais como a violência urbana, falta de saneamento básico, precárias unidades de atendimento de saúde, falta de vagas em creches, escolas e transporte precários, favelização da cidade devido à falta de moradias dignas, etc.

Nesse sentido, a justa indignação dos trabalhadores com o PT, não pode ser respondida pelas candidaturas de direita comandada por Orlando Morando (PSDB) e Alex Manente (PPS). A direita não é alternativa para atender os interesses e necessidades dos trabalhadores, até porque todas essas forças políticas já governaram a região e demonstraram que seu compromisso é com os seus financiadores de campanha, ou seja, com as grandes empresas, de tal maneira que outra vez à frente das prefeituras será para os empresários que governarão novamente.