Não às demissões na General Motors. É preciso estabilidade no emprego

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Sindicato convoca trabalhadores do lay-off para assembleia no dia 4


No próximo domingo (31), termina o lay-off de cerca de 600 trabalhadores da General Motors em São José dos Campos. Esses mesmos trabalhadores já haviam sido demitidos pela montadora em agosto de 2015. As demissões só foram suspensas na época graças à forte mobilização de todos os metalúrgicos da GM, inclusive com uma greve que durou 14 dias.
 
Embora ainda não tenha comunicado oficialmente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a empresa já anunciou, pela imprensa, que pretende enviar as cartas de demissões a partir desta sexta-feira (29). Na próxima quinta-feira (4), às 10h, o Sindicato vai realizar em sua sede (Rua Mauricio Diamante, 65, Centro), uma assembleia com todos os trabalhadores do lay-off.
 
Desde agosto de 2014, o Sindicato tem se empenhado para evitar essas demissões. A cada tentativa de demissão em massa pela GM, realizamos fortes mobilizações que resultaram em três lay-off. É preciso ressaltar que o acordo assinado em 2015 e negociado no Tribunal Regional do Trabalho – 15ª Região (TRT) prevê que uma parte desse grupo que está afastado deve retornar à fábrica, tendo em vista que cada adesão ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) aberto pela empresa resultará no abatimento do número de excedentes considerado pela companhia. Também deverão ser considerados no cálculo os trabalhadores que se desligaram da fábrica (entre agosto de 2015 até hoje), mesmo não estando em lay-off.
 
O PDV encerra-se à meia-noite desta sexta-feira. A empresa ainda não divulgou uma prévia sobre o número de adesões.
Os trabalhadores do lay-off que forem desligados agora receberão uma indenização de quatro salários-base.
 
No início do lay-off, a GM havia suspendido o contrato de 798 trabalhadores. De lá pra cá, este número foi reduzido para pouco mais de 600 em razão dos próprios trabalhadores terem optado por sair da empresa.
 
Mas seja qual for o número, a demissão em massa planejada pela GM não se justifica e, portanto, não tem a concordância do Sindicato. Assim como todo setor automotivo, a GM foi beneficiada com dinheiro público durante todo o governo Dilma e deve isso à população.
 
Em 2015, as montadoras e indústrias de autopeças fecharam 55.665 postos de trabalho. Nem mesmo o PPE (Programa de Proteção ao Emprego) acabou com as demissões no setor. Ao contrário, apenas reduziu os salários dos trabalhadores.
 
Nesta semana, a montadora Comil Ônibus S/A anunciou o encerramento de suas atividades na cidade de Lorena (SP), colocando na rua 200 funcionários.
 
Apesar do momento de queda nas vendas, a GM não vive uma real crise financeira e tem plenas condições de manter todos os trabalhadores na fábrica. O Sindicato defende que é preciso buscar outras alternativas, como estabilidade no emprego e redução da jornada sem redução de salário. Também defendemos que a presidente Dilma Rousseff (PT) proíba a remessa de lucros para o exterior. Afinal, todo lucro é resultado do nosso trabalho.