Editorial: Organizar os de baixo para derrubar os de cima

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Detalhe da manifestação do dia 31 de maio na Av Paulista, contra as reformas. Foto Romerito Pontes

Operários e o povo no poder: Leia o editorial no Opinião Socialista nº 534

Pela base está crescendo um movimento para uma grande greve geral no próximo 28 de abril. Metalúrgicos, trabalhadores da educação e transportes já decidiram que vão parar em todo o país. Por todo o lado, é possível sentir a indignação dos trabalhadores e da população contra o governo corrupto que, a cada dia, mostra sua vontade de atacar os nossos direitos em favor dos patrões e dos banqueiros.

Já tivemos grandes mobilizações no 8 de Março, e o dia de greve com protestos no dia 15 de março surpreendeu a todos. O dia 28 vai ser maior. Ao contrário dos que afirmavam que os trabalhadores estavam na defensiva, fruto de uma suposta onda reacionária, a realidade vem mostrando o oposto. Não só no Brasil como em toda a América Latina, os trabalhadores mostram uma grande disposição de luta. No Paraguai, acabaram de atear fogo no Congresso. Na Argentina, fizeram uma greve geral que parou o país no dia 6 de abril.

Governo sentiu, mas vai para cima
O governo Temer mostrou que sentiu as mobilizações e o repúdio que se alastra e se aprofunda em toda a população contra ele. Ensaiou um recuo na proposta de reforma da Previdência e faz chantagem em relação às salvaguardas aos trabalhadores na terceirização, incluindo emendas na reforma trabalhista. Ao mesmo tempo, aprofunda os ataques. Impôs as terceirizações e, enquanto fechávamos esta edição, o relator da reforma trabalhista mandava mais de 100 alterações na CLT.

O que o governo faz é uma verdadeira guerra social contra os trabalhadores e a população. O seu objetivo é destruir os direitos trabalhistas, acabar com a Previdência e aumentar a exploração dos trabalhadores para retomar a taxa de lucro dos capitalistas. O que devemos fazer é derrotar as reformas e, assim, derrotar o governo.

Não podemos cair na armadilha de negociar as reformas, como defendem setores como Paulinho da Força. No dia 15 de março, falando aos operários da fábrica Deca, na Zona Sul de São Paulo, Paulinho argumentou que era impossível derrubar a reforma da Previdência, e o máximo que poderíamos fazer era aprovar emendas para torná-la menos pior. Vimos que isso é uma grande mentira. Primeiro, porque é possível sim derrotar a reforma. Segundo, porque não existe reforma menos pior.

Fortalecer os comitês contra as reformas
Está colocada na ordem do dia a preparação do dia 28, com assembleias nas bases das categorias para aprovar a participação na greve geral. Mas não só. É preciso organizar comitês contra a reforma nos locais de trabalho, periferias, escolas, universidades, unificando as categorias organizadas com os setores populares e a juventude pobre e negra das quebradas. Poderemos, assim, paralisar não só as categorias, mas ajudar a paralisar o comércio, os transportes e outros setores.

Temos que defender nossos direitos e apontar nossa alternativa. Contra o programa dos ricos para a crise, precisamos debater um programa dos trabalhadores. Um programa que passe por garantir direitos, salário e emprego, que, para isso, imponha o não pagamento da dívida aos banqueiros, que estatize sem indenização e sob o controle dos trabalhadores o sistema financeiro, que exproprie as grandes empreiteiras metidas em corrupção e as coloque sob controle dos trabalhadores.

Esse é o desafio colocado aos trabalhadores e ao povo pobre: construir uma grande greve geral, avançar a organização com os comitês contra a reforma e debater um programa da classe trabalhadora que imponha uma saída da classe para a crise.

Operários e povo no poder
O PT e as frentes que se reúnem ao seu redor, como a Frente Povo Sem Medo e a Frente Brasil Popular, não têm como estratégia principal a ação direta para derrotar as reformas. O PT quer desgastar Temer para voltar ao poder em 2018 e seguir aplicando a mesma política que aplicou nos 13 anos que esteve no poder.

A saída dos trabalhadores não está em Lula 2018. Estaria, então, na “construção de uma alternativa de esquerda” como propõem setores do PSOL, que se adiantam a lançar pré-candidaturas à campanha eleitoral do ano que vem? Num momento em que os trabalhadores se lançam à preparação da greve geral, avançam sua organização e repudiam cada vez mais os políticos e o sistema, propor uma saída meramente eleitoral é um passo atrás. E além disso, um programa que não vá além da democracia dos ricos é repetir os passos do PT.

Precisamos discutir uma alternativa política para a classe trabalhadora. O problema é que essa alternativa não virá pelas eleições de cartas marcadas da burguesia, nem por meio desse sistema. Só é possível impor um programa socialista dos trabalhadores rompendo com esse regime e esse sistema dos ricos, com um governo dos trabalhadores.

É na vitória da greve geral e no fortalecimento dos comitês que podemos fazer avançar a consciência e a organização dos trabalhadores. É isso que pode apontar para um governo socialista dos trabalhadores, não esperar as eleições de 2018.