Correios: Sai Dilma, entra Temer, mas os ataques e os projetos de privatizações continuam os mesmos

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Nos últimos dias, uma enxurrada de manchetes sobre o forte ajuste fiscal, as retiradas de direitos e privatizações propostos por Temer ocupam o noticiário. O que é mais engraçado hoje é ver os petistas denunciando o Temer e o PMDB como grandes inimigos dos trabalhadores. Porém, o que eles não dizem é que até pouco tempo atrás estavam todos juntos e misturados. E tem mais, se dependesse do PT essa aliança não teria acabado.

E não é só isso, a turma do PT e seus aliados (CUT, CTB, MTST, MST, UNE) e por aí vai, não dizem: Temer está propondo dar continuidade aos projetos já elaborados pela ex-presidenta. Dilma (PT) só não aplicou todos estes ataques devido a gigante crise política no seu governo.

Correios na mira
Os Correios estão na ponta da lista das privatizações anunciadas por Temer. Mas agora temos que dizer que, se hoje é possível privatizar a ECT, a culpa é do PT. Foi a caneta da Dilma que sancionou a MP 532 que virou a Lei 12.490/11, transformando os Correios em Sociedade Anônima (S.A.).

Isso permitiu criar subsidiárias, como a CorreiosPar, para fazer parcerias com o setor privado. Permitiu mudar o estatuto da empresa, preparando juridicamente a sua privatização. Permitiu as manobras financeiras na empresa para não pagar PLR, incorporação da GIP e também justificar os cortes.

E no meio desta briga para ver quem vai ficar no poder, onde é praticamente impossível ver quem é menos corrupto, tenta-se dizer para os trabalhadores que existem apenas duas alternativas.  Por um lado, os governistas usam o discurso do impeachment para falar de “golpe”, e os trabalhadores teriam de lutar “em defesa da democracia”.

Na verdade, não passa de uma tentativa de iludir as pessoas para construir um bloco do “Fica Dilma”. Basta ver os métodos de luta que o governo do PT tentou utilizar para evitar o tal golpe. Usou toda a máquina estatal para distribuição de ministérios, cargos e todo tipo de favores.

A principal política do governo para evitar o suposto golpe foi, e continua sendo, os métodos de corrupção do Estado burguês. E toda essa dança de cadeiras para tentar impedir o impeachment ficou explícita nos Correios. Em outubro de 2015, Dilma entrega o Ministério das Comunicações para o PDT em troca dos votos dos parlamentares deste partido contra o impeachment.

O governo do PT transformou a ECT em moeda de troca para tentar se manter no poder. E como os Correios já era um grande cabide de emprego, principalmente para os sindicalistas traidores, então se instalou a “portabilidade”: muitos saíram do PT e foram para o PDT para se manter no cargo.

Em Santa Catarina, por exemplo, em menos de um mês tivemos três Diretores Regionais. Um perdeu o cargo porque fez uma postagem no Facebook a favor do impeachment, para se ver como o PT é democrático.

Do outro lado, temos Temer (PMDB) junto com PSDB de Aécio e demais partidos burgueses que estão envolvidos em corrupção até o pescoço, que já governaram este país e sempre corresponderam bem as expectativas dos patrões, arrochando os trabalhadores e privatizando geral.

Tanto um lado como o outro estão comprometidos em aplicar um plano de ajuste sobre a classe trabalhadora para garantir que banqueiros e empresários possam manter seus lucros e sair desta crise que eles criaram.

Greve Geral pra botar para fora todos!
Dilma não tinha nenhuma legitimidade para governar, muito menos Temer. Dilma mentiu aos trabalhadores e à população, disse que não atacaria os direitos e foi justamente o que fez. Pois bem, Temer também faz parte dessa farsa. E também foi eleito com o dinheiro das mesmas empreiteiras que irrigaram a campanha do PT e cujos donos estão ou estiveram atrás das grades.

Está na hora de construirmos uma Greve Geral para colocar para fora todos eles! Fazemos um chamado para CUT, CTB e demais entidades para construir uma Greve Geral se é que esses se colocam como oposição. Está na hora de colocar o nosso time da classe trabalhadora em campo e escorraçar todos estes corruptos e construir uma alternativa dos trabalhadores. Os trabalhadores não podem pagar por esta crise.

Fora Temer, sim!

Volta Dilma, não!

Greve Geral para colocar para fora todos eles!

Eleições Gerais sem a participação dos corruptos!

Por um verdadeiro governo dos trabalhadores!

*Dirigente sindical do Sintect/SC