Artigo na Folha de São Paulo: Fora todos eles

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    Artigo publicado na Folha de S. Paulo em 08/04/2016

    O governo Dilma se afunda numa grave crise política porque traiu as promessas que fez à população durante a campanha. As denúncias de corrupção atingem hoje tanto o PT, Lula e o governo, como o PSDB, o PMDB, o PP etc. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha – que já deveria estar preso e com seu mandato cassado – acelera os trâmites do processo de impeachment.

    O vice-presidente Michel Temer, que pode ser incluído em inquérito da Lava Jato no Supremo, e o PMDB, que tem diversos políticos filiados sendo investigados por corrupção, são tão responsáveis quanto o PT pelos ataques feitos por este governo aos direitos dos trabalhadores.

     
    A turma do PSDB, por sua vez, posa de defensora da moral e dos bons costumes quando todos sabem de casos de corrupção no governo de FHC, do escândalo da merenda em São Paulo e das denúncias que pesam sobre Aécio Neves.
     
    Nem PT, PSDB ou PMDB estão preocupados com os problemas que atormentam a vida do povo: desemprego, inflação, corte de direitos, caos na saúde, na educação, no transporte e na moradia e a violência contra negros e pobres.
     
    O PT governa para bancos, empreiteiras e multinacionais, assim como o PSDB. Ambos brigam para administrar o país hoje, mas estão unidos na hora de sacrificar os trabalhadores para atender aos interesses das grandes empresas.
     
    Não devemos defender nem um nem outro. É preciso colocar para fora todos eles e convocar eleições gerais, já! Trocar todo mundo. Precisamos de uma greve geral que ponha fim às demissões, ao corte de direitos sociais, ao ajuste fiscal e ponha os corruptos e corruptores na cadeia, expropriando seus bens.
     
    Não estamos diante de uma ameaça de golpe no país, como alardeia o PT. A classe operária e o povo pobre deste país querem colocar para fora o governo Dilma o quanto antes, pois o elegeu e foi traído por ele. É absolutamente justo o rechaço à alternativa que o vice Michel Temer representa, mas nem por isso podemos defender o “Fica, Dilma”. Temos de colocar para fora todos eles. Por isso o impeachment não é a solução. Só trocaria Dilma por Temer – seis por meia dúzia.
     
    Não faz sentido criticar o ajuste fiscal do governo e, ao mesmo tempo, defender o “Fica, Dilma” alegando a defesa da democracia, como fazem, por exemplo, a direção do PSOL e a do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto).
     
    Ora, a democracia já está sendo atacada pelo governo petista quando sanciona a chamada Lei Antiterrorismo. E o ajuste fiscal é a cara deste governo. Defender sua continuidade é ser cúmplice com o que este governo está fazendo contra os trabalhadores. É preciso romper com o governismo e vir para a luta contra ele e contra o PSDB.
     
    As mudanças que o país precisa não virão com nossa participação em atos convocados pelo PSDB, pela Fiesp ou pela Rede Globo para tirar Dilma e colocar Temer ou apoiar Aécio. Nem tampouco virá de manifestações para defender o “Fica, Dilma”. Nada disso nos representa.
     
    Os trabalhadores precisam tomar a frente da luta para tirar todos eles do poder: Dilma, Temer, Cunha, Renan Calheiros, Aécio e este Congresso Nacional inteiro. Devemos exigir eleições gerais já e com novas regras: sem financiamento privado de campanha, tempo de televisão igual para todos os partidos, revogabilidade de mandatos e salários dos políticos iguais ao de uma professora ou ao de um operário.
     
    Mas é preciso dizer que este país só vai mudar de verdade quando tiver um governo dos trabalhadores. A verdadeira mudança não virá das eleições. Os trabalhadores precisam lutar por um governo seu, um governo socialista, sem patrões e sem corruptos, baseado em conselhos populares, que se apoie nas lutas da classe trabalhadora e do povo pobre para mudar o país.
     
    José Maria de Almeida, 58, metalúrgico, é presidente nacional do PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado. Foi candidato à Presidência da República pelo partido em 2014
     
    Artigo publicado na Folha de S. Paulo em 08/04/2016.
     
     

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