Amigo e aliado de Cunha vai presidir comissão da reforma da Previdência

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Carlos Marun (PMDB-MS) já demonstrou sua fidelidade canina aos poderosos

A Câmara dos Deputados instaurou nesta terça-feira, 7, a comissão especial que analisará a reforma da Previdência. O presidente da comissão, indicado pelo PMDB, será ninguém menos que o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), membro da bancada ruralista. Para quem não se lembra, Marun integrou a linha de frente da tropa de choque do ex-presidente da Câmara e deputado cassado, o atual presidiário Eduardo Cunha.

A lealdade de Marun a Cunha é tanta que, em plena sessão da Câmara que cassou o mandato do ex-presidente da Câmara, foi o único que subiu à tribuna para defender o larápio. Foi uma defesa apaixonada em que Carlos Marun, ao argumentar que não iria seguir a maioria que votava contra Cunha, citou o personagem Seu Boneco, da Escolinha do Professor Raimundo: “Eu poderia fazer como um personagem da TV diz e ir pra galera“. Tão trágico como cômico.

O deputado amigo de Cunha voltou recentemente ao noticiário ao visitar seu chefe no Complexo Médico-Penal de Pinhais, no Paraná, onde Cunha está preso. Posteriormente, foi revelado que a viagem do deputado ao presídio foi paga através da cota parlamentar, ou seja, com recursos públicos. A justificativa de Marun foi a de que seu gabinete “se enganou”.

Marun foi escolhido para presidir a comissão pela característica que ele melhor apresentou até agora: uma estrita fidelidade canina diante dos poderosos. E antes mesmo de a comissão começar a funcionar, já declarou que é a favor da idade mínima para a aposentadoria, um dos principais pontos da PEC 287. “Não tenho, a princípio, antipatia com a idade e 65 anos“. Além da idade mínima, a reforma da Previdência prevê o aumento do tempo de contribuição para 25 anos, o fim da diferença para homens e mulheres, e tempo de contribuição de 49 anos para aposentadoria integral.

Temer e o Congresso Nacional correm contra o tempo para aprovar a reforma a toque de caixa diante do avanço da Lava Jato e da delação da Odebrecht. O plano do governo prevê o fim da tramitação do projeto na comissão até abril, liberando o texto para ser votado em plenário. Assim, o governo conseguiria aprovar a reforma nesse primeiro semestre.

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