Rede faz chamado a solidariedade pela libertação do preso político argentino Daniel Ruiz

CSP-Conlutas

O próximo dia 12 de setembro marca um ano da prisão política do ativista argentino Daniel Ruiz. O petroleiro de Chubut, militante histórico na Argentina, foi detido por lutar contra a reforma previdenciária de Mauricio Macri em atos realizados em 2017. O militante ainda participou ativamente de outras mobilizações de trabalhadores e do movimento de mulheres no país.

Sua prisão é denunciada pelos movimentos sociais como injusta e ilegal, em meio a tantas outras que o governo de Macri realiza contra lutadores e militantes na Argentina, assim como as absurdas perseguições políticas, como a que ainda ocorre com o ativista Sebastian Romero, a quem Daniel Ruiz também apoiou em diversas campanhas de solidariedade.

Nesse período de um ano, foram diversas as manifestações de solidariedade e as denúncias da arbitrariedade do governo e da justiça argentina contra Daniel Ruiz. Em todos os atos de apoio, movimentos expuseram a política repressiva de Macri aos movimentos e aos que lutam contra a retirada de direitos no país.

A CSP-Conlutas apoia e divulga amplamente a campanha pela libertação do camarada Daniel Ruiz. A luta também foi acolhida pela Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas, organização que reúne centenas de entidades sindicais e sociais ao redor do mundo.

Para marcar a data, a Rede convoca a todos os movimentos e ativistas que defendem a liberdade democrática e o direito de atuação sindical em defesa dos trabalhadores a se juntarem ao chamado internacional pela libertação de Daniel.

Abaixo, a íntegra do documento aprovado pela organização:

Chamado a solidariedade internacional pela libertação do preso político argentino Daniel Ruiz

Daniel Ruiz é um lutador em defesa das reivindicações dos trabalhadores e por isso um preso político na Argentina. Daniel Oscar Ruiz é petroleiro, membro do Conselho de Administração da União Petrolífera de Chubut, que vive em Comodoro Rivadavia, Chubut, tem uma filha sob sua responsabilidade e foi acusado criminalmente e preso por participar dos atos de protesto contra a Reforma da Previdência do governo Macri, em 18 de dezembro de 2017.

O governo Macri alinhado com pagamento das dívidas ao FMI busca aplicar medidas neoliberais que rebaixam cada vez mais o nível de vida da população. A adoção de ajustes fiscais e reformas, combinadas com arbitrariedade e perseguição aos lutadores têm sido a marca principal do governo Macri. O país vive intensa instabilidade política e econômica e efervescência nas mobilizações sindicais e populares. A alta do dólar combinada com sucessivas desvalorizações do peso tem feito o governo aumentar desenfreadamente as taxas de juros e, para tranquilizar o mercado e o capital imperialista, recorrido ao FMI com empréstimos absurdos que aumentam a dependência da Argentina. Essa política entreguista do governo tem causado aprofundamento sério na economia e a crise tem atingindo, sobretudo, os mais pobres.

Na Argentina os trabalhadores e juventude protagonizam importantes lutas contra o governo Macri com greves e manifestações. Houve importantes respostas dos trabalhadores, com destaque as manifestações de massa contra a reforma da previdência, a luta pelo direito ao aborto e contra a realização da reunião do G20, da qual Daniel teve participação destacada. O governo também tenta frear o movimento a partir da repressão. Processos judiciais e perseguição a ativistas como Sebastian Romero e a prisão de Daniel Ruiz são expressão desta política.

Em 18 de dezembro, houve uma massiva manifestação contra a reforma da previdência e a resposta repressiva de Macri foi brutal contra os manifestantes, milhares, se defenderam com o que tinham em mãos. Um ícone desse momento é a imagem de Sebastián Romero, parceiro de militância de Daniel Ruiz, defendendo-se com um fogo de artifício amarrado a um ramo, que foi rapidamente demonizado pelo governo de Mauricio Macri que iniciou uma implacável perseguição contra ele até os dias de hoje.

Em 12 de setembro de 2019 se completará um ano da perversa detenção política do petroleiro argentino Daniel Ruiz. Neste dia estão programados atos e mobilizações na Argentina e nas embaixadas do mundo todo! Sua prisão é denunciada pelos movimentos sociais como injusta e ilegal, em meio a tantas outras que o governo de Mauricio Macri realiza contra lutadores e militantes na Argentina, assim como as absurdas perseguições políticas, como ocorre com o ativista Sebastian Romero, a quem Daniel Ruiz também apoiou em diversas campanhas de solidariedade.

Apesar de todas contestações, e de inúmeros apoios institucionais formalizados e encaminhados à Justiça, o Tribunal Penal decidiu manter Daniel Ruiz em prisão preventiva, acusado de intimidação pública e atentado a autoridade. Na verdade, a acusação se dá por ele ter participado de manifestações. A decisão de mantê-lo detido, sob a presunção de inocência, demonstra que se trata claramente uma decisão política, sem justificativa legal.

Em face dos ataques, nossa solidariedade continuará a crescer.  As organizações da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Luta monitoram de perto a situação do companheiro e apóiam iniciativas e lutas contra a perseguição de Macri.  Por isso, pedimos às organizações que participem dos atos que acontecerão nas embaixadas e consulados da Argentina em seu país no dia 12 de setembro, em um protesto contra a prisão injusta de Daniel Ruiz.

– Liberdade imediata de Daniel Ruiz e o fim da perseguição a Sebastian Romero!

– Pelo fim da perseguição e criminalização dos lutadores!

– Em defesa dos direitos democráticos e apoio as campanhas de solidariedade a ativistas e militantes vítimas de perseguição e repressão do Estado e de patrões.