PA: Nosso 8 de março é independente de governos, em defesa dos nossos direitos e das liberdades democráticas

PSTU-PA

O Governo Helder Barbalho (MDB), em uma atitude oportunista, marcou uma “caminhada” no 8 de março usurpando dia, horário e local do ato dos movimentos sociais. Essa atitude foi prontamente rechaçada pelas organizações que constroem o ato e obviamente por nós, mulheres do PSTU-PA.

Helder Barbalho, desde sua posse, tem uma política muito explícita de cooptar os movimentos sociais do estado. A primeira a se incorporar em seu governo foi a ex-candidata ao Senado pelo PSOL, Úrsula Vidal. Desde então, através de diversas secretarias e órgãos, tenta confundir e dividir os movimentos políticos e sociais.

Porém, ao mesmo tempo em que organiza eventos e discursos, Helder aplica um programa de governo que deteriora e dificulta a vida das mulheres paraenses. No final do ano de 2019, sem debate, de forma completamente atropelada e violenta, utilizando a Tropa de Choque contra as trabalhadoras, o governo MDB aprovou a reforma da Previdência estadual.

Ainda que faça discursos com algum grau de divergência com relação a Bolsonaro, a verdade é que seu projeto econômico não difere nada do governo Bolsonaro. No aspecto ideológico, ainda que tente se diferenciar, usa da mesma truculência para reprimir trabalhadores, e mais, exalta a ROTAM (tropa de Elite da PM estadual) -e a Força Nacional convocada por ele- com a mesma visão fascista de Bolsonaro.

Quanto às mulheres do estado, a situação não poderia ser mais calamitosa. Começamos o ano com o caso do “Maníaco de Marituba”, vitimando várias mulheres e com dois feminicídios como consequência. Mas essa situação representa apenas o caso mais midiático. As mulheres do Pará sofrem cotidianamente com a vulnerabilidade de suas vidas, dos feminicídios, estupros, violência doméstica e infantil.

O governo do estado, em atitude hipócrita, participa e promove eventos como se não fosse responsável pela vida das mulheres paraenses. No último final de semana, participou da “Marcha contra o Trabalho Infantil”, tema absolutamente relevante e correto. O que o governo não disse, porém, é como vai dar trabalho, saúde, educação e moradia para essas crianças e suas famílias viverem com mais dignidade. Agora organiza um evento chamado “Mulheres na Política, por uma democracia paritária”, nada mais falso considerando a realidade de seu governo.

Estamos em um momento chave no país. O governo Bolsonaro quer cumprir seu grande sonho autoritário, inclusive promovendo o fechamento do Congresso. Mais do que nunca, nossas forças devem voltar-se para a organização de trabalhadoras e trabalhadores em defesa de nossos direitos e das liberdades democráticas. Queremos independência de classe, de governos e patrões. Queremos nossas trabalhadoras livres da violência machista perpetrada por esse sistema capitalista e opressor. Nossa luta só começa dia 8, seguiremos dia 14 pela memória e por justiça para Marielle e Anderson e dia 18 ocuparemos as ruas do país com trabalhadoras e trabalhadores de todos os setores.