Na madrugada desta quinta-feira, 10 de novembro, foi concluída a
apuração dos votos para a escolha da diretoria do Sinditest-PR, biênio
2012/2013.

O Sinditest-PR representa os servidores técnico-administrativos das
instituições federais de ensino superior do estado do Paraná (UFPR,
UTFPR, IFPR), além dos trabalhadores da Funpar, a fundação de apoio da
universidade.

É um sindicato muito importante, com aproximadamente 6.200 filiados, porém, controlado desde a sua fundação, há 18 anos, por direções burocráticas e pelegas, que transformaram o sindicato num balcão de negócios para empresas privadas e escritórios de advocacia, e que oferece aos sindicalizados, atualmente, apenas assistencialismo barato, troca de favores e promessas vazias.

Havia três chapas concorrendo. A Chapa 1 – Sindicato para Todos, representando a burocracia que dirige o sindicato há 14 anos; a Chapa 2 – Mudando o Rumo dos Ventos, formada em sua maior parte por ativistas independentes da greve de 2011 e também por militantes do PSOL e do PSTU; a Chapa 3 – Sindicato Unido e de Todos: chapa do PT/PCdoB, apoiada por sindicatos da CUT, ligada ao grupo da servidora Roseli
Isidoro, que foi eleita vereadora pelo PT e hoje é assessora da ministra Gleisi Hoffmann na Casa Civil.

A Chapa 2 venceu a disputa, com 867 votos, num total de 2.450. Foi uma eleição muito disputada. Antes da abertura da última urna, as chapas 1 e 2 estavam empatadas, com 570 votos. A diferença entre as duas, no final do processo, foi de apenas 62 votos.

Vitória da oposição de luta
A vitória da Chapa 2 foi consequência direta da greve realizada pelos trabalhadores técnico-administrativos das universidades federais neste ano, que na UFPR mobilizou toda a comunidade universitária, permitindo assim a formação de um grupo coeso, organizado, que dirigiu a greve, elegeu praticamente todos os delegados de base ao Comando Nacional de Greve da Fasubra e se dispôs a dirigir também o sindicato.

A greve revelou a verdadeira face da burocracia do sindicato, desmascarando-a diante da parcela mais esclarecida e atuante da categoria, e mostrou a todos também o papel do governismo.

A Chapa 2, Mudando o Rumo dos Ventos, contou com o apoio da CSP-Conlutas e de vários sindicatos de oposição, como Assibge, Sindsaude-PR, Sintufes-ES, Sintifes-PA, Sintuff-RJ, Sintufepe-Rural, entre outros.

Também recebeu o apoio das correntes sindicais de oposição da Fasubra: os coletivos “Base” e “Vamos à Luta”, cujos dirigentes apoiaram a Chapa 2 e compareceram no dia da votação, para acompanhar os trabalhos.

A Chapa 2, Mudando o Rumo dos Ventos, foi eleita defendendo os seguintes princípios e propostas:

  • Independência em relação a governos, reitorias, partidos
    políticos e escritórios de advocacia;

    (Li) Democracia sindical, com reforma estatutária, para acabar com o
    presidencialismo visando instituir a diretoria colegiada;

    (Li) Fortalecimento da organização dos trabalhadores pela base e
    também sua participação na gestão do sindicato, que realizará reuniões
    abertas aos sindicalizados;

    (Li) Prestação de contas mensal e auditoria externa das contas;

    (Li) Compromisso de abrir o debate na categoria sobre a reorganização
    do movimento sindical e as centrais sindicais;

    (Li)Defesa da educação e da saúde públicas, contra o processo de privatização dos hospitais universitários através da criação da Ebserh.

    A vitória da Chapa 2 significa uma conquista histórica da classe trabalhadora no estado do Paraná, pois consolida uma posição na luta em defesa da independência dos sindicatos diante do governo e será também um ponto de apoio para as futuras mobilizações tanto da própria categoria quanto dos movimentos popular, sindical e estudantil.