Cyro & Elisa

Eu sou o Cyro Garcia, um mineiro de Manhumirim, Minas Gerais, criado desde os 6 anos no Rio de Janeiro. Cresci em Vista Alegre, subúrbio da cidade e vivo há muitos anos em Vila Isabel. Meu pai trabalhava como motorista de caminhão e a minha mãe como costureira. Tenho um filho de 24 anos, o jovem compositor Danilo Alegre, e sou casado com Luciene Medina, minha companheira a mais de dez anos.

Sou bancário aposentado e trabalho hoje como professor universitário, mas não deixei de atuar na categoria, através Movimento Nacional de Oposição Bancária. E sigo como militante da CSP Conlutas e do PSTU.

Formação

Sou formado em Direito pela Faculdade Nacional de Direito (FND/ UFRJ), onde entre em 1974. E foi apenas estudando para prestar vestibular que entendi que vivíamos em uma Ditadura. A primeira atividade política consciente em que participei foi uma reunião para discutir apoio a candidatura de Lysâneas Maciel, advogado trabalhista que foi eleito deputado pelo MDB, na casa do jornalista Hélio Fernandes Filho. E a partir de então comecei a participar de uma série de atividades. Participei da reabertura do Centro Acadêmico, o CACO, e fui eu mesmo que sugeri o nome do jornal que passamos a publicar, o BRECHA, e o nome era uma ironia sobre a abertura política gradual no regime.

Anos depois de formado decidi voltar a estudar e compreender o processo que se deu com o PT. Fiz mestrado e doutorado em História, na Universidade Federal Fluminense, a UFF, e em 2011 publiquei o livro “PT: de oposição à sustentação da ordem”, fruto da minha pesquisa.

Antes de entrar para a faculdade eu já participava com meus irmãos de um grupo de teatro amador chamado Quebra-Cabeça, e na FND eu segui participando de atividades culturais no Teatro de Resistência dos Alunos de Direito, o TRALD. Nessa época eu frequentava a Sociedade de Intercâmbio Cultural Brasil-África, a SIMBA, que funcionava no bairro do Rocha, e onde eu tive meu primeiro contato com as questões raciais e o Movimento Negro.

Movimento Sindical e a Consciência de Classe

Mas foi no Movimento Sindical que a minha consciência dá um salto. Em 1976 eu passei por concurso público para o Banco do Brasil. Eu já era bancário antes disso, no Banco União Comercial, que posteriormente foi adquirido pelo Itaú, mas foi no BB que comecei de fato a militar. Foi no banco que me aproximo de alguns militantes da Liga Operária, uma organização trotskista clandestina que apostava na organização da classe trabalhadora para derrotar a Ditadura, e que mais tarde vem a se tornar o PSTU.

Naquela época o Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, assim como muitas outras entidades país afora, estava sob intervenção do governo. Eu fazia parte da Frente de Oposição Sindical Bancária, uma organização clandestina formada pela Liga Operária e o Movimento de Emancipação do Proletariado, duas organizações clandestinas.

A primeira greve que participei foi em 1979, e me destaquei como dirigente, fui enquadrado na Lei de Segurança Nacional e foi até mesmo expedido um mandado de prisão contra mim. Não cheguei a ser preso, mas respondi a um processo por conta disso.

Em 1981 participei da fundação do PT e fui como delegado à 1ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, o CONCLAT, que vai ser o embrião para a fundação da Central Única dos Trabalhadores, a CUT, em 1983.

Quando voltamos a ter eleições para o Sindicato de Bancários, em 1982, eu passo a fazer parte da direção da entidade. Era uma chapa da CUT, encabeçada pelo Ronald Barata, e a primeira vitória de uma série de eleições sindicais que as chapas ligadas a CUT foram conquistando. Nós fizemos uma mudança radical no perfil do movimento sindical no Rio de Janeiro.

Acabei sendo preso novamente em 1986, junto com outras lideranças da Greve Geral. No ano seguinte passei a fazer parte da Executiva Nacional da CUT, participei da executiva da Central por três gestões.

Fui eleito presidente do Sindicato dos Bancários na gestão de 1988 a 1991, e na eleição seguinte perdemos para uma outra chapa que também era da CUT. Com os ataques a classe trabalhadora durante o governo Fernando Henrique, a gestão do Sindicato à época e nossa corrente montam uma chapa de unidade, e volto a ser parte da direção do sindicato em 1997.

Em 2004 nós fizemos uma grande greve na categoria a partir da revolta da base, que passou anos sem reajuste. E parte da direção, mais empenhada na defesa do governo de Lula no que nos interesses da categoria, se opôs a esse movimento. Isso nos levou a romper com esse setor e a construir o Movimento Nacional de Oposição Bancária. O mesmo processo se dava em diversas categorias, principalmente nas ligadas ao serviço público, o que levou diversos setores cutistas a romperem com a Central e a formar a CONLUTAS, que mais tarde se tornou CSP Conlutas

Da Liga ao PSTU

A nossa organização, a Liga Operária, sai da clandestinidade em 1978, assumindo o nome de Partido Socialista dos Trabalhadores e convocando os socialistas a construir uma nova organização. No ano seguinte, aglutinando mais alguns setores marxistas, formamos uma organização legal chamada Movimento pela Convergência Socialista, que impulsiona a formação do PT, e atua dentro desse partido como uma corrente interna, a Convergência Socialista.

A Convergência era o nosso partido. Nós tínhamos uma sede própria, independente do PT,e publicávamos nosso próprio jornal. É como PT foi construído, com diversas organizações independentes se aglutinando em uma frente em defesa dos trabalhadores.

Entre 1992 e 1993 eu assumi como deputado federal por 10 meses. Eu era suplente e o Jamil Haddad, que era deputado pelo PT ligado a um outro setor, foi nomeado ministro no governo do Itamar Franco. A nossa bancada da Convergência Socialista duplicou, passamos a ser dois deputados, eu e o Ernesto Gradella, de São Paulo. Inclusive fomos nós os únicos dois votos contra a criação da famigerada CMPF.

Nós, da Convergência, fizemos uma forte campanha pelo Fora Collor, defendendo eleições gerais imediatas. Fizemos isso contrariando a direção majoritária do PT, que acreditava que seria possível eleger o Lula na eleição seguinte e já seguia uma linha de conciliação de classes. Esperavam desgastar o governo para disputar melhor as próximas eleições, como seguem fazendo até hoje.

A Convergência Socialista foi expulsa do PT. E aglutinando outros setores, construímos o PSTU. Uma alternativa classista e socialista para a organização da classe.

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