Juranilce Bezerra, de Iguatu/CE

A câmara municipal de Iguatu, formada majoritariamente por homens, está defendendo a criação de um “Dia Municipal de Conscientização Anti-Aborto”.  Na sessão de ontem, 25/05, os vereadores tentaram aprovar o referido dia, mas a sessão terminou em confusão provocada pelo próprio autor do projeto – vereador Rubenildo (Republicanos) – e precisou ser adiada.

Nós do PSTU repudiamos esse projeto. Não porque defendemos o aborto como método contraceptivo, mas porque ele é hipócrita e só penaliza e criminaliza as mulheres pela realização de abortos. Somos a favor do direito de escolha para todas as mulheres sobre seus corpos, e não só para as que podem pagar por ele.

Os abortos acontecem independente de sua legalização. Muitas mulheres se veem obrigadas a realizar abortos muitas vezes não por vontade, mas por não terem condição nenhuma de serem mães e pelo abandono dos homens que deveriam ser os pais e companheiros na gravidez, e omissão do Estado e municípios que se abstém de intervir com campanhas de contraceptivo e educação sexual, para evitar punir , ao invés de prevenir uma gravidez indesejada ou não planejada .

A proibição do aborto não determina se ele vai ou não acontecer. Determina apenas que a mulher que, pelas circunstâncias se vê obrigada a realizá-lo, será criminalizada e punida legalmente e socialmente.

Nós não precisamos de “conscientização anti-aborto”, precisamos sim de educação sexual para os jovens para que aprendam a se proteger de uma gravidez indesejada e de doenças sexualmente transmissíveis. As mulheres que se vejam na necessidade de realizar abortos devem receber o amparo, não a criminalização do Estado.

O vereador Rubenildo, autor do projeto, e essa câmara de vereadores do nosso município deveriam se preocupar com o aumento da violência contra as mulheres e do desemprego, que tem maltratado as mulheres e mães do nosso município e ainda mais em meio ao caos na saúde pública, devido uma pandemia mundial. Esse mesmo vereador foi autor do projeto de conceder ao presidente genocida Bolsonaro o título de cidadão iguatuense, que precisou ser retirado depois de muita pressão social.

Precisamos de assistência e educação para nossas mulheres e meninas, de acesso e educação para prevenir e cuidar-se, que os agentes da Estratégias Saúde da Família (ESF) façam campanhas educativas e que seja com políticas inclusivas, e respeito pelo direito de escolha ao seu próprio corpo. Chega de homens e, principalmente, homens ricos e poderosos se acharem donos dos nossos corpos.

Por fim, mas não menos importante, repudiamos veementemente a postura do vereador bolsonarista Rubenildo, para com advogada Hyasmine que representava o Conselho Municipal da Mulher de Iguatu na sessão que repudiava o projeto. Rubenildo, como bom bolsonarista que é, tratou a advogada aos gritos perguntando “você merece o que?”, repetidas vezes. Não aceitaremos esses métodos intimidatórios e machistas. Não nos calaremos. Seguiremos na luta por uma sociedade em que as mulheres tenham o direito e o controle sobre o seu próprio corpo.