O resultado da Pnad-Covid semanal (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), pesquisa realizada pelo IBGE para aferir o desemprego durante pandemia, mostrou recorde no número de pessoas sem emprego desde a chegada da COVID-19 ao país. Segundo a pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 16, o desemprego chegou a 14 milhões entre a terceira e quarta semana de setembro, com o aumento de 700 mil desempregados em apenas 1 semana.

Na semana anterior, o desemprego havia ficado em 13,3 milhões. Desde maio, quando a pesquisa começou a ser realizada, o número de desempregados medido pela pesquisa aumentou em 4,2 milhões.

A alta registrada no final de setembro se concentra principalmente nas regiões Norte e Nordeste, que sofreram aumento de 12,3% no desemprego. Esse número coincide com o corte do auxílio-emergencial de R$ 600 para R$ 300 em setembro, forçando a população mais pobre a ir para a rua em busca de sustento. As demissões massivas realizadas no período também podem ter pressionado para essa alta.

Esses números, porém, estão muito longe de refletir o real número de trabalhadores sem emprego, formal ou informal. Pelos critérios do IBGE, só é considerado desempregado quem estiver procurando trabalho durante o período da pesquisa. Por outro lado, o levantamento sinaliza o efeito que fim do auxílio-emergencial terá sobre o mercado de trabalho. Isso porque 15,3 milhões de trabalhadores não saíram para buscar emprego por conta da pandemia. Sem o auxílio, e todas essas pessoas disputando uma vaga, o desemprego vai explodir e ultrapassar os 25%.

Crise aumenta a barbárie da fome

O desemprego, a queda da renda e a alta dos alimentos aumentam os sinais de barbárie, dentre eles a fome. As filas de distribuição de alimentos de grupos e organizações assistencialistas nas grandes cidades sofreram um aumento exponencial no último período. Mesmo antes da pandemia, o IBGE já havia apontado o aumento do número de pessoas em “insegurança alimentar grave”. Entre 2017 e 2018, mais de 10 milhões de brasileiros passavam fome. Isso num dos países que mais produz alimentos no mundo.

Ainda não existem números que expressem o total de famintos produzidos pela crise e a pandemia, mas é certo que houve um aumento significativo. Situação que deve piorar ainda mais com o fim do auxílio-emergencial a partir de 2021.

LEIA MAIS
Propostas socialistas para as cidades