Brasil e Namíbia: Um debate sobre genocídio e reparação

O evento ocorre neste dia 17 de agosto em Oswaldo Cruz, no Grupo Afro Agbara Dudu, com início às 15 horas

Rodrigo da Silva

Companheiros da Fundação Ovaherero discutem o genocídio na Namíbia, no Rio de Janeiro, na mesma semana em que o assassinato de seis jovens evidencia o genocídio da juventude negra que ocorre no Brasil.

Seis jovens negros foram mortos no Rio de Janeiro em um período de 80 horas. Vítimas de uma política genocida de “guerra às drogas”, que fazem das periferias e comunidades carentes do Estado um território sem lei, onde as forças de segurança se sentem livres para ignorar os direitos mais básicos dos cidadãos e utilizar de força desmedida.

Na Namíbia, o exército alemão, apoiado por corporações como o Deustche Bank, provocou o genocídio de um povo, em pleno século XX, para garantir o domínio e a exploração do território. Fez de sua colônia africana um laboratório para as atrocidades que, quando cometidas na Europa pelo nazifascismo de Hitler, causaram o horror que até hoje assombra o mundo.

Neste sábado, um grupo de ativistas da Fundação Ovaherero estarão em um debate sobre a Diáspora e a luta por Reparações. O evento ocorre em Oswaldo Cruz, no Grupo Afro Agbara Dudu, com início às 15 horas. Será um debate importante, em que será contada parte dessa história e da luta destes companheiros para que o governo e as empresas da Alemanha assumam a dívida que possuem com os namíbios.

E é preciso que aqui, no Brasil, e em toda a América, se fortaleça e avance na luta pela reparação aos povos originários. A juventude negra, que hoje sofre um verdadeiro genocídio nas periferias do Rio de Janeiro e nas quebradas Brasil afora, sofre as consequências da escravidão e de sua abolição sem reparações.

A crise econômica que vivemos desde 2008, e que neste momento passa por um novo pico, faz com que a burguesia aumente o nível dos ataques a classe trabalhadora, para aumentar a exploração. Se voltam mesmo contra as conquistas democráticas e políticas de ações afirmativas, deixando nítido que no capitalismo nenhuma conquista dos oprimidos é permanente.

O fim da escravidão formal não apagou anos de opressão. O que se seguiu até hoje é a exploração que se apoia no racismo, violentando ainda mais um setor da classe trabalhadora. E a Classe Trabalhadora de conjunto deve se unir nesta luta, aqui, na África e em todo o planeta.