Amorim reúne-se com EUA e defende ‘uma nova energia´ à Alca

Celso Amorim reuniu-se com o novo responsável pelo comércio exterior dos EUA, Robert PortmanPoucos dias após a visita da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, retomou as negociações com os Estados Unidos sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Nesta segunda-feira, 2 de maio, Amorim encontrou-se em Paris com Robert Portman, novo responsável pelo USTR, órgão de comércio exterior dos EUA.

Para Amorim, a reunião, de pouco mais de uma hora, deu “uma nova energia ao processo da Alca”. Foi um encontro informal, e, a pedido do representante brasileiro, os dois trataram-se pelo primeiro nome. Amorim propôs o acordo de Miami – negociação da chamada Alca light em formato “4+1” (Mercosul-EUA) – como referencial para a retomada das negociações. A proposta, que não encontrou eco na gestão anterior, de Robert Zoellick, visa negociar “em bloco” o acesso a mercados e a abertura comercial, apostando todas as fichas nas exportações agrícolas e cedendo cada vez mais em investimentos, serviços – incluindo-se saúde e educação – e compras governamentais.

O desbloqueio das negociações na OMC, paralisadas a partir da rodada de Doha (Índia), também foi tema da conversa entre os representantes. Os dois ensaiaram soluções para a polêmica da reconversão tarifária do comércio agrícola na OMC que, após reunião do G-5 (Brasil, Austrália, Índia, Estados Unidos e União Européia), não logrou qualquer avanço sobre a rodada de Doha.

O impasse da OMC refere-se ao estabelecimento de critérios na conversão de tarifas para o comércio agrícola, verdadeiro cavalo de batalha – sustentado pelo agrobusiness brasileiro e pelo inusitado “nacionalismo de fazendeiro” do governo Lula – sobre o qual se apóia o Itamaraty nas negociações com o capital imperialista, referenciando assim suas aviltantes concessões no setor de serviços e propriedade intelectual. Amorim alega que “alguns países” – leia-se União Européia e Japão – buscam conservar subsídios agrícolas “aproveitando-se” da distinção estabelecida entre tarifas específicas e “ad valorem” na questão de produtos primários (sem valor agregado). Após declaração de Amorim de que o debate sobre conversão tarifária sofre da excessiva “politização de um tema técnico”, não restam dúvidas sobre sua adesão ativa ao credo do “livre comércio”, na verdade, lógica mercantil que “naturaliza” as relações sociais de produção capitalistas envolvendo-as sob o “envoltório místico” de uma relação entre coisas.

A reunião foi o fim do discurso autonomista ensaiado recentemente pelo Itamaraty. O aprofundamento da dependência estrutural dos países de capital periférico ao imperialismo hegemônico – sobre-explorando os trabalhadores brasileiros – é o único horizonte vislumbrado pela política externa sub-imperialista do governo Lula.