Jean Genet

Uma das mais controversas figuras do cenário artístico-cultural dos anos 1940 e 50, o francês Jean Genet teve uma existência marginal. Filho pobre de imigrantes do norte da África, Genet perambulou pelas ruas, se prostituiu, vagou pelo mundo em navios mercantes, roubou e foi preso várias vezes. Numa delas, ganhou uma campanha em sua defesa (e um apelido definito, “São Genet”, à altura de sua vida herege e cheia de blasfêmias), liderada por Jean Paul Sartre. A razão do texto publicado por Sartre com apoio de vários outros intelectuais e artistas foi a singularidade com a qual Genet registrou sua vida e seu amor pelos homens: transformou tudo em novelas, peças e textos, todos eles excelentes, dotados de uma linguagem quase lírica e perturbadoramente autobiográficos, como Diário de um ladrão, Nossa Senhora das Flores, Os negros, O balcão, Pompas fúnebres, dentre outros. Sempre radical, apoiou os Panteras Negras, quando esses estava sendo perseguidos nos anos 1970. Adotou a mesma postura com o grupo alemão Baader-Meinhof, quando seus membros foram condenados à morte. Sua postura diante da sociedade e o papel de sua literatura ficam evidentes em frases como: “Sou o intérprete do resíduo humano. A sociedade, como vocês a fizeram, eu a detesto”. O único filme dirigido pelo transgressor escritor foi o curta Un chant d’amour.


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