Vai ter debate de gênero na escola sim!

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Começo pedindo desculpas. Talvez este seja o texto de caráter político mais emocionado que faço.
 
Hoje teve a votação do Plano Municipal de Educação de Niterói. Como em vários lugares do país, uma das coisas que estavam em pauta era a retirada do debate de gênero na escola.
 
Representantes fiéis da família tradicional brasileira estavam lá com suas faixas e cartazes bizarros. Falavam, gritavam. Estavam escritas coisas absurdas que não batem com a realidade do que é um debate de gênero e absurdas opiniões sobre a vida de mulheres e LGBTs. Setores conservadores, reacionários e até mesmo fascistas se faziam presente, peitando e intimidando o movimento social, lutando pela aprovação do PME por completo, como a categoria dos professores tinha aprovado.
 
Teve porradaria, teve desrespeito, PM entrando na Câmara, gás de pimenta, PMs disfarçados. Teve homem dando soco na cara de mulher, tiveram gritos e falas extremamente machistas e LGBTfóbicas. Teve parlamentar falando somente absurdo. E acham que representam a população!
 
Resultado : foi aprovado o PME sem debate de gênero. Pelo contrário, criminaliza se isso ocorrer.
 
Na maioria das vezes, os argumentos eram sempre algo como: defender a família.
 
Queria muito entender o que significa esse “defender a família”, porque, pelo visto, eles só sabem defender a família deles nos mesmos moldes. Porque vou contar uma novidade: LGBTs têm família! Mais uma: hoje em dia, existe união estável para duas mulheres, dois homens. E isso significa? FAMÍLIA!
 
Vocês vão ter de nos engolir! Formamos famílias sim, e famílias maravilhosas! Duas mulheres formam uma família. Dois homens formam uma família. NÓS EXISTIMOS!
 
Agora, o que nós não vamos mais engolir são esses dados absurdos: a cada 28 horas, um LGBT é morto no Brasil. Nosso pais é o que mais mata trans e travestis no mundo. As mortes LGBTfóbicas e, principalmente, os assassinatos causados por transfobia, em sua grande maioria, têm uma dose grande de crueldade. Isso é ódio. Chega!
 
E vai ter professora debatendo gênero, sexualidade, capitalismo e o que for dentro de aula sim. E se for para prender, que me levem presa, mas é dentro da escola que criamos melhores pessoas para essa sociedade horrível. É dentro da escola que aprendemos (ou deveríamos aprender) a respeitar a diversidade.
 
Nós vamos nos organizar, e quero ver vocês nos peitando. Honraremos o nome de Diego, de Verônica, de Luana Barbosa, de Pedro Ivo e de tantos outros que não serão esquecidos. Isso vai mudar!