Uma bomba a cada sete segundos: o que os governos temem?

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    Foto: Romerito Pontes

    Manifestação contra o aumento das passagens em São paulo é brutalmente reprimida

    Quem esteve na paulista no 2° ato contra o aumento das passagens ou acompanhou a manifestação pelas redes sociais deve ter tido  a sensação de voltar dois anos, parar em 2013, no meio das bolas de borracha, cercos, porradas e bomba de gás da PM. Eram as jornadas de junho que tomou o país com milhões de jovens e trabalhadores nas ruas em 2013. Manifestações que desgastaram os governos e arrancaram a vitória da revogação do aumento em mais de 10 capitais do país. A repressão naquela época teria desencadeado ainda maiores manifestações em repúdio à truculência da Polícia e espalhado o movimento para todo o Brasil, com forte apoio da população aos protestos. Não teriam os governos aprendido?
     
    Parece que sim e parece que não. O problema é que eles sabem do risco que é, em meio à crise política e econômica que vive o país, um novo junho que poderia questionar para além do aumento da passagem e da cobrança do transporte público, questionar o ajuste fiscal e os próprios governos, cada vez mais desgastados. E tentam evitar isso a qualquer custo. 
     
    A repressão do 2° ato deixou isso claro. O que explica o fato do ato nem ter saído e a repressão descomunal? Evitar o bloqueio das avenidas? Mas e as manifestações pró – impeachment da Dilma ou as governistas pelo Fica Dilma do final de 2015 que fecharam a paulista e não teve nem sombra de repressão? É que nenhuma delas questionavam e colocavam verdadeiramente estes governos em xeque. Eram muito bem controladas por aparatos dos governos, sejam do PT ou do PSDB. As manifestações contra o aumento da passagem não tem compromisso com estes governos, por mais que possuam organizações no seu seio que defendam eles. 
     
    A repressão que se viu é a política para acabar com as manifestações. Para fazer com que elas não cresçam. É a política dos governos, sim do PSDB do Alckmin ao PT de Haddad (o primeiro ordena, o segundo é cúmplice), de impedir o povo na rua. Precisamos, o movimento, responder com a nossa política: mais organização, mais unidade nas ruas, manifestações em todo o país, não só pela revogação do aumento da tarifa, mas também contra a repressão, pelo direito democrático de lutar, e contra a retirada de direitos imposta pelo ajuste fiscal. Convocar as diversas categorias dos trabalhadores para se somarem às manifestações. Disputar a opinião pública! Tomar as ruas! 
     
    A unidade dos movimentos sociais é necessária, a organização democrática é fundamental e a independência política frente aos governos e patrões é indispensável. Eles estão todos contra nós, não nos enganemos!
     
     
     
     
     

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