Três anos depois da desocupação do Pinheirinho: por que não esquecer

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Esta imagem circulou o mundo e simboliza a resistência dos moradores do Pinheirinho pelo direito à moradia digna

Já se passaram três anos daquela madrugada de domingo, 22 de janeiro de 2012. As bombas de gás lacrimogênio, as balas de borracha, armas de fogo, a cavalaria e os cães, o som dos helicópteros da PM, a destruição das casas e de vidas na ocupação do Pinheirinho. Tudo ainda está na memória.
 
De lá para cá, é verdade, muitas águas já rolaram. A luta das famílias, inclusive, obrigou os governos a garantirem a construção de um novo conjunto habitacional para os ex-moradores numa importante vitória.Então, por que continuar lembrando aquela desocupação?
 
Nesta quinta-feira, dia 22, dois atos relembrarão a vergonhosa desocupação feita pelos governos do PSDB, de Alckmin e Eduardo Cury. Serão duas manifestações em frente ao terreno da antiga ocupação. A área de mais de um milhão de metros quadrados voltou a ser um terreno baldio e alvo da especulação imobiliária.
 
Voltaremos ao Pinheirinho, pois jamais podemos esquecer. Para que nunca mais aconteça. Mais ainda: por que a luta não acabou.
 
Três anos depois, as famílias não foram ressarcidas pelas graves violações que sofreram. Naquele dia, perderam tudo. Móveis, documentos, pertences e memórias de uma vida. Sofreram violência física e moral. Não dá para medir o trauma das crianças que acordaram assustadas, tendo de deixar seus brinquedos e animais de estimação para trás. Houve quem perdeu a vida, como os moradores Ivo Teles dos Santos e Antônio Dutra, ou o jovem David Washington Furtado, que quase ficou tetraplégico depois de levar um tiro da Guarda Municipal de São José.
 
Nossa luta pela reparação às famílias continua. Nossa luta segue para que os responsáveis por aquela brutalidade sejam responsabilizados.
 
As famílias despejadas do Pinheirinho ainda hoje têm de lutar para ter um teto digno para morar. Desde a desocupação, os ex-moradores têm de viver com o aluguel social de R$ 500, que até hoje nunca foi reajustado. É urgente o reajuste desse valor.
 
E, mais do que tudo, a luta não acabou, pois enquanto as casas do conjunto Pinheirinho dos Palmares não forem entregues, temos de estar vigilantes para que os governos cumpram o que foi prometido.
 
Desde o final do ano passado, as obras reduziram seu ritmo e estão paralisadas. Estivemos no terreno e verificamos a situação. A Caixa Econômica Federal não admite oficialmente o problema. Mas, é só ir ao local e verificar que se não houver pressão e cobrança, há o risco das casas não serem entregues.
 
Neste dia 22, estaremos nos atos no terreno do Pinheirinho. Vamos cobrar a indenização às famílias, o reajuste do aluguel social e a retomada nas obras do conjunto Pinheirinho dos Palmares.
 
Vamos lembrar a luta de uma das maiores ocupações já ocorridas nesse país, lembrar que moradia é um direito de todos e está em centenas de outras ocupações como a Esperança, em Osasco, a luta dos moradores do Banhado, em São José, entre outras.
 
Enquanto moradia for um privilégio, ocupar, lutar e resistir é um direito. Viva a luta do Pinheirinho!