Trajetória de Eike Batista mostra como se fica rico sob o capitalismo

13090

A Operação Eficiência, nova fase da Lava Jato no Rio, decretou a prisão do empresário Eike Batista nesta quinta-feira, 26.  O empresário é o um dos principais alvos da operação que investiga esquema de desvio e lavagem de dinheiro de contratos do governo do Estado do Rio na gestão do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB). Eike Batista, porém, ainda não foi detido, pois fugiu para Nova Iorque utilizando um passaporte alemão, segundo a PF. A Interpor foi acionada para prender o foragido.

O bilionário Eike Batista foi um símbolo da era Lula, especialmente do suposto sucesso das “campeãs nacionais”, empresas brasileiras que faturaram bilhões na base de isenções fiscais, generosos empréstimos do BNDES e muito, mas muito favorecimento por debaixo dos panos.

Sob o governo petista, Eike faturou bilhões e tornou-se um o exemplo de como se constrói um capitalista: com corrupção, tráfico de influência, informações privilegiadas, entre outras maracutaias.

Sua família sempre esteve ligada ao poderosos e ganhou muito dinheiro na indústria de mineração com as informações privilegiadas, primeiramente dadas a seu pai, o empresário Eliezer Batista, então ministro das Minas e Energia no governo João Goulart, e posteriormente presidente da Companhia Vale do Rio Doce em grande parte do período militar.

Eike Batista manteve a tradição da família nos negócios e sempre desembolsou enormes quantias para financiar campanhas de candidatos e partidos políticos. Nas eleições de 2006, contribuiu com R$ 4,5 milhões. Foi o maior doador da campanha de Waldez Góes, ex-governador do Amapá, e também o maior doador de pessoa física para a campanha de reeleição do presidente Luís Inácio Lula da Silva, com um milhão de reais. Foi também o maior patrocinador privado do filme “Lula, o filho do Brasil”, de Luiz Carlos Barreto, doando um milhão de reais para o projeto cultural. Em 2010, Eike colaborou com R$ 500 mil para a campanha eleitoral de Marina Silva à Presidência da República.

O empresário também foi o maior doador individual entre pessoas físicas para a reeleição de Sérgio Cabral em 2010. Eike doou R$ 750 mil para o comitê do governador reeleito. O ex-governador ladrão, voava sempre em jatinhos emprestados por Eike para ir a Nova Iorque. Pelo menos 13 viagens foram registradas.

A PF investiga o pagamento de US$ 16,5 milhões feito para Sérgio Cabral pelo empresário na mesma época em que o ex-governador ladrão teria promulgado os decretos 42.675 e 42.676, que desapropriaram terras pertencentes a trabalhadores rurais do município de São João da Barra, para a construção do Distrito Industrial. No local, foi construído o Superporto do Açu, um empreendimento de US$ 2,4 bilhões.

Batista também foi alvo de uma operação da Polícia Federal, a “Toque de Midas”, que investigava financiamento ilícito de campanha política que visasse facilidade na concessão de licitações em determinadas áreas de exploração mineral no Estado do Mato Grosso e fraude na licitação de concessão da Estrada de Ferro do Amapá (EFA), operada pela MMX.

O empresário também faturou muito com a exploração de petróleo. Em junho de 2008, a oferta pública inicial de ações da OGX Petróleo Gás e Participações na Bovespa atinge 6,711 bilhões de reais, tornando-se a maior oferta pública inicial da história da bolsa brasileira.

A OGX contou com o apoio decisivo de José Dirceu, preso em Curitiba,  que foi consultor, contratado para intermediar negociações quando Eike teve problemas com o governo Evo Morales na Bolívia, ao tentar implantar uma siderurgia.

Para reforçar seu time, o empresário ainda contratou dois ex-ministros do governo Fernando Henrique –  Pedro Malan e Rodolpho Tourinho –  que juntaram ao lobby ao lado de José Dirceu. Assim, Batista chegou até abocanhar áreas do Pré-sal.

No auge das suas tramoias, Eike Batista foi apontado pela revista Veja como o empreendedor e fonte de inspiração para a nova leva de milionários brasileiros que faturavam muito dinheiro durante o governo Lula. Em janeiro de 2012, a revista IstoÉ o escolheu como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. A revista Carta Capital elegeu Eike o “líder mais admirado no Brasil”. Já a Folha de S. Paulo destacou Eike como exemplo de empreendedor um “self-made”, ou seja, que adquire seu sucesso por esforço próprio. Todos esses abutres abandonaram o empresário já nos primeiros sinais de sua decadência, e hoje fazem um enorme malabarismo histórico para esconder velhas capas de revista de dar inveja a George Orwell e ao seu personagem, o Grande Irmão.

A trajetória de Eike Batista é um exemplo de como funciona o capitalismo, particularmente no Brasil. Ao contrário da moral burguesa que consegue sucesso através dos próprios esforços, mito alimentado por um punhado de bajuladores incrustados nas redações da grande imprensa brasileira, o que de fato enriquece os grandes capitalistas são as relações de compadrio, a criação de cartéis, as fraudes e a corrupção de políticos e funcionários do Estado. Em meio a concorrência entre capitalistas, esses mecanismos são sistematicamente acionados no sentido de se obter maiores taxas de lucros e eliminar seus concorrentes. Com o fim da livre concorrência entre os capitais, e o surgimento dos grandes monopólios na Era Imperialista, essa tendência se aprofundou. O Estado e o conjunto das suas instituições  não passam de peças de um jogo nas mãos das grandes empresas, tanto nos países semicoloniais como nos imperialistas. Nesse sentido, a trajetória de Eike mostra muito bem como se fica rico sob o capitalismo.