Trabalhadores da Volks de Taubaté aprovam estado de greve contra ameaça de demissões

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Uma das maiores montadoras do mundo utiliza desculpa do "atual cenário econômico" para retirar direitos e aumentar a produtividade

Neste momento, trabalhadores da GM, Mercedes, Volkswagen e todas as outras devem se unir na luta contra as demissões e a retirada de direitos

Os trabalhadores da Volkswagen de Taubaté/SP, em assembleia, votaram nesta quarta-feira, dia 12, estado de greve contra a ameaça de demissões na montadora.
 
Depois da rejeição de um acordo pelos trabalhadores no começo desta semana, a Volks publicou ameaças dizendo que lamentava a reprovação da proposta e de que irá “tomar as medidas necessárias”.
 
Na segunda feira, os metalúrgicos de Taubaté rejeitaram um acordo, negociado pela empresa e pelo sindicato (CUT), que previa um aditamento do acordo firmado em 2012 com validade até março de 2017. O aditamento previa vários ataques, entre eles, o desligamento de 500 empregados via PDV (Plano de Demissão Voluntária), congelamento salarial, rebaixamento do piso e da PLR.
 
A Volks fez muita pressão para que os trabalhadores aprovassem a proposta. Até chegou a parar a produção para tentar coagi-los.
 
Uma das maiores montadoras do mundo tenta utilizar a desculpa do “atual cenário econômico” para retirar direitos e aumentar a produtividade. O que a montadora campeã de faturamento no Brasil (21 bilhões de reais somente no ano passado) não conta é que a perspectiva do mercado até 2018 é de crescimento.
 
Segundo a própria empresa, a projeção deve sair dos atuais 3,5  milhões de unidades em 2015 para 4,2 milhões em 2018, ou seja, um crescimento de 20%. Não é o que queria a ganância insaciável dos acionistas, mas muito mais do que o suficiente para garantir os empregos e direitos de todos.
 
Somente no primeiro semestre deste ano, as montadoras enviaram cerca de 121 milhões de dólares em remessas ao exterior.
 
Porém,  mesmo com toda a pressão da chefia e do RH, os trabalhadores deram um show de unidade e de disposição de luta. Os que estavam com os contratos suspensos por conta do lay-off também compareceram em peso na assembleia, na segunda-feira, para fortalecer a luta.
 
Neste momento, trabalhadores da GM, Mercedes, Volkswagen e todas as outras devem se unir na luta contra as demissões e a retirada de direitos.
 
O governo, que já concedeu bilhões em isenção fiscal e via BNDES, nada faz para impedir que as empresas sigam demitindo. Precisamos nos unir para exigir da presidente Dilma (PT) que assine uma medida provisória que garanta estabilidade no emprego para todos os trabalhadores do país.
 
As centrais sindicais como  a CSP-Conlutas, CUT e a Força Sindical devem estar juntas em uma mobilização nacional pela defesa dos empregos e direitos. Os patrões já lucraram muito nas nossas costas e querem continuar tendo lucros cada vez maiores.
 
Os companheiros da Volkswagen de Taubaté ao votar estado de greve contra a ameaça de demissões mostram que as empresas podem vir com pressão que os trabalhadores darão sua resposta na luta e na mobilização!
 
– Contra as demissões!  Dilma, assine uma MP para garantir estabilidade no emprego!
 
– Unidade pra lutar!  Unificar as lutas e parar as fábricas em uma mobilização nacional contra os ataques dos patrões e do governo!