Todo apoio à ocupação da Mabe

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Empresa se beneficiou de isenção e subsídio do governo e agora dá calote e demite operários

Os operários metalúrgicos da Mabe Eletrodomésticos ocuparam as duas unidades da empresa multinacional, em Campinas e Hortolândia, após três meses sem receberem salários e a decretação pela Justiça da falência da empresa.

A Mabe é a fabricante de fogões e geladeiras das marcas Dako e Continental, de amplo consumo entre a população do Brasil, e proprietária de 49 empresas no exterior. Porém, apesar de sua sólida presença no mercado, desde 2013 entrou num processo de ataque aos trabalhadores, com demissões, inclusive de lesionados, que culminou no fim do ano passado com o não pagamento dos salários de dezembro e do 13º aos cerca de 1900 empregados das duas unidades.

O não pagamento de salários se repetiria em janeiro e fevereiro, além da falta de depósitos do FGTS durante os últimos 9 meses. Por fim, a partir de 18 de janeiro, cerca de 340 trabalhadores da produção e do escritório começaram a receber telegramas e telefonemas de demissões, mas sem que recebessem qualquer verba indenizatória ou os salários atrasados. Em 3 de fevereiro, a segunda parcela da PLR não foi paga. O golpe final veio com a decretação de falência pela juíza responsável pelo processo que já estava em curso.

Desde 22 de dezembro o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região promovia um acampamento em frente às duas plantas. Nesta segunda-feira, 15 de fevereiro, realizou uma passeata que resultou na ocupação da fábrica de Campinas por um dos portões laterais sem vigilância. O mesmo ocorreu na unidade de Hortolândia, cidade vizinha de Campinas.

O primeiro dia de ocupação
O primeiro dia de ocupação, com a participação de algumas centenas de trabalhadores, demonstrou muita união dos trabalhadores, com divisão de tarefas como as de vigilância e preparação do almoço. Os dirigentes do sindicato informavam os trabalhadores regularmente do que ocorria e havia uma notícia não confirmada de que a própria Mabe teria requerido da juíza uma negociação pela possibilidade de um “comprador” da massa falida e continuidade da produção. O que se dizia era que a própria Mabe continuaria como proprietária, sob um nome de fachada, livrando-se das dívidas trabalhistas e com fornecedores, além de recontratar apenas uma parte dos atuais empregados com o piso salarial da categoria. Um verdadeiro golpe do baú.

Por isso, apesar da pressão causada pelos três meses sem salários, com muitas dívidas a pagar, havia muita disposição de luta e para manter a ocupação. Como disse um dos presentes: “Se ela não pagar eu já estou morto mesmo. Vamos pro pau”.

Apesar da presença de um efetivo da PM na porta da fábrica do Distrito Industrial e da expulsão da empresa de segurança privada que estava dentro da fábrica no momento da ocupação, não houve, neste primeiro dia, tentativa de invasão pela polícia. Mas na unidade de Hortolândia, conforme relato dos dirigentes sindicais, houve um início de conflito: o administrador da massa falida forçou sua entrada na fábrica, que foi impedida pelos operários, e tentou convencê-los a abandonar o local. Diante da negativa geral, um segurança completamente despreparado deu dois tiros para o alto. Mas logo se restabeleceu o controle da situação.

Exigimos uma posição do governo
Os eletrodomésticos da linha branca tiveram isenção de IPI durante anos, que engordaram os bolsos de patrões que nem sequer pagavam seus trabalhadores. Além disso, a Mabe recebeu vários empréstimos a juros baixos do BNDES para ampliação e modernização de suas instalações, que nunca pagou. Várias máquinas estão penhoradas pelo BNDES.

Por isso exigimos que o governo Dilma exproprie as duas unidades da Mabe, sem indenização, para recolocá-las em produção sob o controle dos trabalhadores – que já demonstraram disposição para isso –  e garanta a estabilidade no emprego de todos, revogando as demissões feitas em janeiro, pois nenhum dos demitidos recebeu indenização. Além disso, deve confiscar os bens dos proprietários para garantir o pagamento dos salários atrasados, 13º e da PLR.

Isso é o mínimo que um governo, que um dia teve apoio dos próprios operários da Mabe, pode fazer para garantir uma vida digna àqueles que constroem a riqueza do país, mas volta e meia são ludibriados pelos patrões que fecham suas fábricas, não porque estão pobres, mas justamente para ficarem mais ricos com as manobras judiciais que promovem, sempre com a omissão ou até apoio do poder judiciário.

Todo apoio à ocupação da Mabe!

Estatização, sem indenização, sob o controle dos trabalhadores!

Pagamento de todos os salários e outros benefícios atrasados!

Estabilidade no emprego e readmissão dos demitidos!