Toda solidariedade aos trabalhadores sem-teto de São Bernardo do Campo

Na tarde do último sábado, 16 de setembro, os trabalhadores sem-teto que ocupam um terreno sem função social no bairro Assunção, em São Bernardo do Campo, foram covardemente atacados por tiros de armas de fogo disparados de um condomínio ao lado. O PSTU repudia veementemente esse ataque e chama toda a classe trabalhadora a ser solidária com esses pais e mães de família que, desempregados e sem alternativa para oferecer um teto aos seus filhos, recorrem legitimamente a esta ocupação.

Esse atentado, que expressa de forma brutal o ódio de classe contra os pobres, é também a máxima expressão da maneira como a burguesia recorrentemente manipula a classe média para fazer seu serviço sujo. Não por acaso, os disparos letais, bem como a manifestação organizada pela direita contra os companheiros sem-teto, ocorreram após os disparos verbais do prefeito Orlando Morando (PSDB), que prometeu não hesitar em acionar a repressão policial contra a ocupação e devolver o terreno à construtora MZM, que deve milhões em impostos aos cofres públicos.

Diante disso, o PSTU participou, no domingo, do ato de unidade de ação convocado pelo MTST em defesa do direito à moradia digna e em repúdio à repressão e à perseguição às 6.500 famílias sem-teto. Em nossa fala, reforçamos a necessidade de os trabalhadores acreditarem exclusivamente em sua luta direta contra os governos e contra as grandes empresas, a ter como exemplo a batalha por moradia na década de 1980, que resultou na vitória e na constituição de bairros populares da região, como a Vila Operária e a Vila Socialista, ambos em Diadema. E também que é necessário lutar contra todos os ataques e para derrubar o governo Temer e este Congresso corrupto.

Nesse sentido, reforçamos que a classe trabalhadora não deve depositar nenhuma confiança em parlamentares e partidos que usam as dores mais sensíveis do povo pobre, como moradia, emprego, saúde e educação, para se eleger e governar com e para os ricos. Por essa razão, nenhuma confiança em figuras como Orlando Silva (PCdoB), que apoiou a candidatura de Orlando Morando e agora tem a desfaçatez de se autoproclamar defensor da mesma ocupação que o prefeito do PSDB ataca e não faz nenhuma citação ao seu candidato eleito. Nenhuma confiança também no PT, que na gestão do ex-prefeito Luiz Marinho doou terreno público para a ampliação da Scania, que ironicamente fica em frente à precária ocupação dos sem-teto, mas não foi capaz de entregar mais de 5.000 moradias diante do déficit habitacional da cidade, que ultrapassa 90 mil famílias.

Por fim, compreendemos que, ao estar intimamente ligada à luta contra o desemprego, contra a criminalização da pobreza, contra a inflação que corrói os salários dos trabalhadores em geral, a luta por moradia só pode ter como verdadeiros aliados os trabalhadores organizados do Grande ABC em sua luta pelo emprego e a juventude da periferia que, em nome da educação pública de qualidade, recentemente enfrentou a repressão às ocupações secundaristas. Por isso, defendemos:

  • Pela expropriação sem indenização da área ocupada!
  • Por um plano de construção popular e comunitária organizado pelos ocupantes e os movimentos sociais!
  • Em defesa da ocupação e da organização da autodefesa aos ataques!
  • Organização e resistência a qualquer tentativa de desocupação ou retaliações ao movimento!

Nossa luta pela terra ninguém mata nem enterra!

Unidade e força na luta e até a vitória, camaradas!