STF e governo Temer juntos na operação abafa

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Moreira Franco e Temer. Foto Agência Brasil

E o Supremo Tribunal Federal (STF) fez de novo. Lembra-se de quando o tribunal resolveu manter Renan Calheiros (PMDB-AL) no cargo de presidente do Senado e, consequentemente na linha sucessória de Temer, mesmo o senador sendo réu, dias antes da votação da PEC do teto? Pois é, agora o STF resolveu manter a nomeação do delatado Moreira Franco a ministro e, portanto, beneficiado pelo foro privilegiado.

A decisão, divulgada no final da tarde desta terça, 14, foi proferida pelo ministro Celso de Mello e dá sinal verde à manobra de Michel Temer para livrar a cara de seu braço direito, citado na Lava Jato. A artimanha foi tão descarada que Temer recriou um ministério, a Secretaria-Geral da Presidência, só para blindar Moreira Franco e garantir sua impunidade. Faltou só um “Bessias” para que a situação fosse exatamente igual a de Lula no ano passado. E o STF foi lá e chancelou o presentinho de Temer.

Celso de Mello rechaçou o mandado de segurança impetrado pelo Rede Sustentabilidade que afirmava que essa nomeação configurava desvio de finalidade, dado que servia apenas para blindar Moreira Franco em meio às denúncias que cercam seu nome. Algo que até as pedras sabem.

Quem é Moreira Franco?
O braço direito de Temer comandava o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), espécie de secretaria de privatizações do governo. Mas sua carreira vem de longe, assim como sua ficha corrida. Na delação do ex-executivo da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, do qual o agora oficializado ministro aparece 34 vezes, seu apelido é “Angorá”. Apelido que teria sido dado por Brizola, para quem Franco pularia “de colo em colo” como o gato.

Além de ter governado o Rio de Janeiro, de onde saiu carregando inúmeras denúncias de corrupção, Moreira Franco participou de todos os governos de plantão: Sarney, FHC, Lula e Dilma, de quem foi ministro da Aviação e período no qual recaem as denúncias da Lava Jato.

Liberou geral
Para acabar de vez com essa história de ministro envolvido em corrupção cair (até porque seu governo acabaria por WO caso isso de fato ocorresse), Temer anunciou sua nova regra: ministro só vai ser demitido caso vire réu no STF. Como lembrou o colunista da Folha, Bernardo Mello Franco, isso é uma verdadeira façanha. Em três anos de Lava Jato, só cinco políticos viraram réus na Suprema Corte.

A operação abafa abarca ainda a nomeação de Alexandre de Moraes ao STF, atrelando ainda mais o tribunal às vontades do Planalto.  Com a movimentação do último período, o governo Temer manda o seguinte recado à opinião pública: dane-se. A ordem agora é safar a pele do governo, com a participação ativa do STF, e implementar o mais rápido possível as reformas da Previdência e trabalhista exigidas pelos banqueiros.

Isso reforça ainda mais a necessidade de uma Greve Geral que pare esse país contra as reformas e esse governo. No dia 15 de março ocorre um Dia Nacional de Lutas e Paralisações definido pelas centrais sindicais. É ainda insuficiente frente os desafios que temos pela frente, mas pode e precisa ser um importante passo rumo a uma Greve Geral que coloque fim aos ataques e a essa gangue que comanda o Planalto e o Congresso Nacional.

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