Somos contra o aumento das passagens de ônibus, metrô e ferrovia

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Fotos Romerito Pontes

2ª Nota do PSTU-São Paulo contra o aumento das passagens

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) anunciaram neste início de ano o aumento da passagem do transporte público de R$ 3,50 para R$ 3,80. Mesmo mantendo as concessões parciais, obtidas com as mobilizações de 2013, este aumento é um absurdo e prejudica estudantes e trabalhadores.

Defendemos a redução da tarifa rumo à tarifa zero. Passe-livre para todos, incluindo estudantes e desempregados, sem limite de viagens. Estatização do transporte coletivo sob controle dos trabalhadores, mais investimentos em metrô, trens e ônibus, e que o transporte seja uma das prioridades.

Este investimento terá que ser feito com o dinheiro dos grandes empresários que são os que mais se beneficiam com o transporte dos trabalhadores.

O transporte é um direito da população, principalmente a mais carente, e não uma mercadoria para garantir aos empresários grandes lucros prejudicando milhões de pessoas na cidade.

Não tem arrego: Fora com todos eles!
A ocupação de mais de 200 escolas, com amplo apoio popular, derrotou a proposta de reorganização das escolas de Alckmin e derrubou o Secretário da Educação. Mostrou que os trabalhadores e estudantes podem se auto-organizar de maneira democrática.

Podemos derrotá-los novamente!
Os aumentos das passagens se somam às demais medidas tomadas pelo governo federal para jogar a crise nas costas dos trabalhadores. Medidas como o aumento das tarifas (luz, água, etc.); as demissões e o desemprego; os cortes de verbas na saúde e na educação e a anunciada reforma da Previdência.

Um setor dos patrões representados por Aécio Neves (PSDB), Michel Temer e Eduardo Cunha (PMDB), aliados a dirigentes sindicais ligados ao Paulinho da Força, estão indo nas ruas pedir impeachment. Outro setor, representado pela CUT, PT, MST, MTST estão pelo “Fica Dilma”.

Mas todos defendem o plano econômico do governo federal, assim como apoiam o aumento da passagem feito pelo Haddad e Alckmin. Esta aliança é uma demonstração em nossa cidade das bandalheiras que existem a nível nacional com os acordos entre Dilma, Cunha, Temer e Aécio. Pois todos governam para os empresários e são financiados por eles.

São farinha do mesmo saco e devem ser colocados para fora de seus cargos públicos.

Defendemos um governo dos trabalhadores, sem burgueses e sem corruptos, formado por conselhos populares eleitos pelos trabalhadores pela base, com democracia operária, de base, direta, diferente dessa democracia dos ricos.

Estatização dos transportes sob o controle dos trabalhadores e da população
Defendemos a estatização do transporte sob o controle dos trabalhadores e da população. Queremos a volta da CMTC (Companhia Municipal de Transportes Coletivos), uma empresa estatal de ônibus que atenda às necessidades da população e não os interesses privados que só almejam mais e mais lucros. Com isso podemos garantir mais ônibus na periferia, com mais conforto, ar-condicionado, o que não ocorre hoje com os ônibus superlotados, em péssimas condições, com intervalos muito grandes e que não atendem vários bairros da periferia.

Contra a privatização do Metrô
A estatização também tem que ocorrer na Linha 4 do Metrô, hoje cedida a um consórcio privado. Alckmin agora pretende passar a Linha 5-Lilás para a iniciativa privada.

Nos últimos anos foi revelada uma série de denúncias de formação de carteis e corrupção envolvendo políticos do PSDB e empresas como Alstom e Siemens.  A corrupção, superfaturamento e roubalheira com o dinheiro público é a marca registrada do governo do PSDB em São Paulo, assim como o PT e o PMDB no governo federal.

Os trabalhadores do Metrô, junto com representantes da população, é que devem controlar a empresa, sua prestação de serviço e o preço de sua passagem. Não como ocorre hoje, permitindo que os cartéis do transporte comandados pelas grandes multinacionais mandem no transporte público.

Unificar as lutas da classe trabalhadora
O PSTU participa de todas as manifestações contra o aumento de passagem, assim como esteve nas escolas ocupadas.

Sempre propomos a formação de fóruns democráticos e de luta e a formação de um comando de mobilização democrático. Por isso chamamos todos os setores dispostos a ir luta contra os planos do governo Dilma a unificar as lutas e organizar uma Greve Geral.

Neste sentido, chamamos a participarem das reuniões do Espaço Unidade de Ação e ajudar a construir uma alternativa de luta, unitária, independente da oposição de direita e do governo.

Chega de repressão
O 2° ato contra o aumento das passagens na Avenida Paulista foi violentamente reprimido pela Polícia Militar do Estado de São Paulo. Violência gratuita e truculência absurda com balas de borracha, cercos, porradas e bomba de gás.

Eles se utilizam de toda esta violência por que tem medo que as mobilizações cresçam. Sabem do risco que é, em meio à crise política e econômica que vive o país, grandes mobilizações voltem a acontecer, como em 2013, que podem questionar além do aumento da passagem o ajuste fiscal e os próprios governos, cada vez mais desgastados.

Tanto é assim que as manifestações pró-impeachment da Dilma ou as governistas pelo “Fica Dilma”, que fecharam a Paulista, não tiveram nenhuma repressão. Pois nenhuma delas colocava verdadeiramente em xeque estes governos.

Precisamos responder com mais organização, mais unidade nas ruas, manifestações em todo o país e apontar a perspectiva de uma Greve Geral.Manifestações não só contra o aumento da tarifa, mas também contra a repressão, contra a retirada de direitos, contra o ajuste fiscal e os governos que a implementam.

Pelo fim da Polícia Militar
Nas ocupações das escolas e nas manifestações dos trabalhadores, ocupações de terrenos e atos contra o aumento das tarifas, estamos vendo para que serve a militarização do policiamento.

Há inúmeras denúncias do envolvimento destes policiais no genocídio, que está ocorrendo nas periferias de todo Brasil, da juventude trabalhadora negra da periferia

Se os governos patronais quisessem de fato acabar com a violência, combateriam as causas da violência. Com uma política econômica que combatesse o desemprego e atendesse aos interesses dos trabalhadores com salário digno, moradia decente, acesso à saúde e à educação públicas de qualidade para o povo pobre da periferia das grandes cidades.

A política de repressão ao tráfico de drogas é um fracasso total. A repressão só amplia a corrupção e os lucros dos traficantes, com o aumento do preço das drogas.

Para acabar com o submundo do narcotráfico é preciso ter a coragem de descriminalizar as drogas. O dinheiro usado na repressão deveria ser usado em campanhas de esclarecimento sobre os malefícios das drogas e o atendimento médico dos usuários que precisem.

Defendemos a desmilitarização da polícia com o fim das polícias atuais e sua substituição por uma nova polícia ou milícia civil que defenda os interesses dos pobres e dos bairros da periferia. Com uma estrutura interna democrática e eleição dos superiores (delegados, promotores e juízes devem ser eleitos pela comunidade). Com direito à sindicalização e de realizar greves em defesa de suas reivindicações. Com salários dignos, condições de trabalho como as do restante do funcionalismo público, e capacitação profissional para investigação.

É preciso incorporar as comunidades com a formação de grupos comunitários encarregados de controlar e trabalhar o combate à violência e a criminalidade, formados pela classe trabalhadora e voluntários.

Não se pode prender somente os pequenos ladrões. É preciso prender e confiscar os bens dos grandes ladrões: os corruptos de colarinho branco.

Organizar a autodefesa das manifestações
O conjunto do movimento social deve organizar sua autodefesa nas manifestações de maneira democrática e unificada.

Temos que defender todos os ativistas que sofrerem repressão policial e que forem presos por participarem das mobilizações.

Mas as ações dos grupos que reivindicam a tática ‘black bloc’ nos parece completamente equivocadas. Ou seja, a utilização do método das depredações das fachadas de bancos e empresas e, pior ainda, do patrimônio público como as estações e instalações do Metrô.

Por esta postura esses grupos sofrem facilmente a infiltração de policiais provocadores, que se utilizam deles para acabar com as mobilizações. São amplamente divulgadas as imagens de policiais infiltrados saindo da manifestação e se identificando aos colegas. É muito fácil para um policial usar uma máscara, jogar um coquetel molotov contra a própria polícia, justificando a repressão.

Nós, do PSTU, consideramos que esses métodos não enfraquecem os grandes empresários e a polícia, mas sim lhes dão um argumento para jogar a opinião pública – e muitos trabalhadores – contra as manifestações e, assim, preparar a repressão. Terminam por fazer o jogo da direita, justificando a repressão.

Defendemos e são totalmente legítimas nas mobilizações a autodefesa dos manifestantes contra os ataques violentos da polícia.

Defendemos a revolução e a ação direta das massas porque não serão os acordos por cima ou as eleições que irão mudar o país. Entretanto, a verdadeira ação revolucionária é a ação das massas. E não de pequenos grupos.

Os métodos de luta e as ações radicalizadas das massas (como as greves, os piquetes, as ocupações de fábricas, de escolas, de latifúndios, prédios públicos etc.) são muito mais eficazes e muito mais revolucionárias do que quebrar vitrines e lojas. 

É a violência das massas, e não de um pequeno grupo, que poderá fazer a revolução. As ações desses pequenos grupos facilitam a repressão da polícia contra as massas nas passeatas.