Sem mandado de reintegração, Tropa de Choque desocupa Câmara de Campinas

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Tropa de Choque invade Câmara Municipal de Campinas
Foto: Assembleias Populares

Policiais da Tropa de Choque invadiram a Câmara a mando dos vereadores e agrediram manifestantes pacíficos

Sem qualquer tipo de mandado de reintegração de posse ou aviso prévio, a Tropa de Choque da Polícia Militar invadiu e desocupou violentamente a Câmara Municipal de Campinas, que havia sido ocupada no início da noite desse 7 de agosto por manifestantes em defesa do passe-livre.
 
A ocupação da Câmara havia sido precedido por um ato público e contou com cerca de 200 pessoas. Antes de serem surpreendidos pelo Choque, os manifestantes discutiam em assembleia a defesa de um Projeto de Lei elaborado durante a ocupação da Câmara Municipal de Porto Alegre, pelos próprios ocupantes, instituindo o passe-livre (proposta apresentada pela ANEL), além da exigência de uma CPI sobre o sistema de transporte público na cidade.
 
No entanto, apesar do caráter absolutamente pacífico do protesto e da ocupação, por volta das 23h30, a Tropa de Choque irrompeu com brutalidade no prédio, desocupando a Câmara com violência. Alguns manifestantes foram agredidos e todos os ocupantes foram detidos e encaminhados através de dois ônibus para a delegacia. 
 
Foi uma ação absurda, não havia policiais femininas lá dentro, só policiais homens, que arrastaram todos, inclusive jogando as mulheres no chão, segurando o pescoço“, afirmou Lígia Carrasco, estudante da Unicamp e da Executiva Estadual da ANEL, que permanecia detida até a madrugada deste dia 8. Segundo Lígia, o presidente da Câmara Municipal , Campos Filho (DEM) havia pedido reintegração de posse à Justiça, porém o juiz de plantão teria pedido mais tempo para analisar a situação. No entanto, o vereador, junto com outros vereadores da Casa, tanto da situação quanto da oposição, teriam feito um abaixo-assinado para a Polícia Militar agir imediatamente para desocupar a Câmara, passando por cima do próprio poder judiciário. 
 
Os vereadores, além de não receberem a população para discutir e ouvir nossas reivindicações, ainda por cima fazem um abaixo-assinado para a polícia reprimir com violência um protesto pacífico“, denuncia Lígia.