São José dos Campos: Metalúrgicos cobram das centrais nova Greve Geral e propõem o 2 de agosto

No último final de semana, trabalhadores metalúrgicos(as) de São José dos Campos e região realizaram o 12º Congresso da categoria, em Caraguaratuba/SP. Mais de 100 delegados(as) reuniram-se durante dois dias e debateram como fortalecer as lutas e a organização da categoria, principalmente, para derrotar as reformas Trabalhista e da Previdência.

Diante da grave crise política, econômica e social existente no país, os metalúrgicos reafirmaram o caminho da luta direta para derrotar as reformas, o governo Temer e o Congresso de corruptos. A categoria tem sido vanguarda nas lutas do último período, tendo realizado várias greves, paralisações e protestos contra os ataques aos direitos.

Uma das principais resoluções aprovadas faz uma exigência às centrais sindicais para que retomem o processo de mobilização para revogar a reforma trabalhista e a lei da terceirização, aprovadas pelo Congresso e sancionadas por Temer, bem como para impedir a reforma da Previdência.

Propõe que as centrais definam um plano de lutas e organizem desde já, pela base, uma nova Greve Geral. Indicam o dia 2 de agosto, data em que a Câmara dos Deputados poderá votar o pedido para abertura de processo contra Michel Temer por corrupção passiva.

A categoria também refutou qualquer negociação com o governo Temer ou “remendo” nas reformas. “Tanto a proposta do governo Temer, quanto as propostas de emendas apresentadas por deputados e centrais sindicais retiram direitos trabalhistas. Nenhum trabalhador autorizou nenhuma central a negociar em seu nome“, afirma trecho da resolução de conjuntura nacional.

A defesa do “Fora Temer e todos os corruptos” também foi outra resolução aprovada, que continuará sendo incorporada nas lutas da categoria.

No caso da queda de Temer, contra uma saída institucional por eleições indiretas, a categoria aprovou que o Sindicato deverá chamar a luta por Eleições Gerais, com novas regras, ou seja, eleições para todos os cargos, não só para presidente da República, como também para deputados e senadores.

Fortalecimento da CSP-Conlutas
A tese proposta pela diretoria, e aprovada como resolução no Congresso, também faz um balanço da CSP-Conlutas, da qual o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos é fundador. A avaliação é que a Central após 11 anos de sua criação se firmou como uma alternativa classista, independente e democrática para as lutas dos trabalhadores. “Durante os governos do PT, a CSP-Conlutas cumpriu um papel protagonista na realização de lutas e paralisações“, diz trecho da tese.

Os metalúrgicos(as) aprovaram ainda impulsionar a discussão do Congresso Nacional da Central, que acontecerá em outubro. “O 12º Congresso resolve impulsionar a discussão do Congresso Nacional da CSP-Conlutas nas assembleias e organismos da categoria, reafirmando o projeto de independência de classe da nossa central em contraposição às organização que pregam a conciliação de classes. Construir a CSP-Conlutas na base, como alternativa de direção ara o movimento sindical brasileiro“, afirma resolução.

Organização de base, luta contra opressões e 100 anos da Revolução Russa
Os delegados e delegadas, eleitos(as) em dezenas de assembleias nas fábricas, também discutiram e aprovaram resoluções com a avaliação da categoria e o plano de lutas em relação a vários temas, como situação internacional, organização de base, saúde do trabalhador, mulher trabalhadora, luta contra as opressões, aposentados, entre outros.

Os 100 anos da Revolução Russa também foram lembrados pelo Congresso metalúrgico. No sábado à noite, Martin Hernandez, estudioso do tema e dirigente da LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional), deu uma palestra, destacando os principais acontecimentos e lições da revolução que mudou a história mundial.

Os membros da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Atnágoras Lopes e Luiz Carlos Prates (Mancha) acompanharam os debates do Congresso.