Rio de Janeiro: Novos prefeitos, velhas políticas

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Marcelo Crivella toma posse e decreta: é proibido gastar

Passadas as festas de fim de ano, 2017 começou com a posse dos novos prefeitos eleitos e o anúncio de suas primeiras medidas de governo que, sem surpresa alguma, atacam mais ainda os serviços públicos, os trabalhadores e os servidores públicos já tão sacrificados devido às políticas de ajustes de Pezão e Temer (PMDB).

Entre uma e outra demagogia, Marcelo Crivella (PRB), prefeito do Rio de Janeiro, aproveitando-se da crise pelo qual passam o estado e o país, declarou em seu discurso de posse que “a ordem é a seguinte: é proibido gastar“, para justificar uma política de austeridade que é repetida por todos os novos prefeitos como um verdadeiro mantra, demonstrando que os trabalhadores e a população pobre não têm nada a esperar desses governos.

No Rio de Janeiro, o novo prefeito já publicou 78 decretos no Diário Oficial, que estabelecem uma parceria ainda maior do município com a iniciativa privada. Defensor das Parcerias Público-Privada (PPP), a abertura ao capital privado ou melhor dizendo, a privatização, é a grande fórmula apresentada por Crivella para solução dos problemas da saúde, educação, saneamento, tanto que escolheu uma defensora férrea do modelo, a economista Maria Eduarda Gouvêa, para a Secretária da Fazenda.

Crivella já criou comitê para estabelecer parceria com o estado e viabilizar a municipalização das 16 UPA’s estaduais. No âmbito da Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Lazer em conjunto com gabinete do prefeito, prepara plano de implantação de PPP para a educação infantil e elabora plano de trabalho para parceria da Guarda Municipal com a Força Nacional e o Corpo de Fuzileiros Navais para treinamento e aprimoramento dos guardas municipais, entre outras medidas.

Os trabalhadores e a população pobre do Rio de Janeiro já conhecem as PPP’s e seus resultados desastrosos, sobretudo, na área da saúde com graves consequências para a população, que morre nas filas dos hospitais, e os trabalhadores terceirizados, que sequer recebem seus salários em dia.

No mesmo sentido, o novo prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PR), anunciou como primeira medida de seu governo decretar “estado de calamidade financeira” no município e, após afirmar não haver motivos para o não pagamento dos vencimentos de novembro e o 13º dos servidores municipais devido ao valor arrecadado em dezembro, afirma agora que vai parcelar esses pagamentos. Sendo que todos sabem que a prefeitura tem recursos suficientes tanto que desembolsou R$ 27.360.646,32 no final do ano em favor de 36 empresas em detrimento dos servidores municipais que ficaram sem seus vencimentos.

Em Belford Roxo não foi diferente, Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho (PMDB), tomou posse neste domingo (01), às 10h, na Igreja Nova Vida, em Heliópolis e durante a solenidade também reiterou que irá governar com austeridade.

Também no primeiro dia útil do ano, o governo estadual aumentou o Bilhete Único e o valor da passagem integrada foi de R$ 6,50 para R$ 8,00, um aumento de 23%, muito acima da inflação, sendo que além disso o governo acabou com o direito ao benefício para quem ganha mais de R$ 3 mil mensais.

Os governos tentam de toda maneira jogar sobre os ombros dos trabalhadores e servidores uma crise que é dos patrões, dos empresários. Por isso, Temer quer fazer a reforma da Previdência para garantir o pagamento da dívida aos banqueiros e salvar as empresas.

Os trabalhadores e o povo não podem confiar nos governos, nas Câmaras e políticos corruptos, pois todos defendem os interesses dos banqueiros, empreiteiros e grandes empresas e seus partidos estão envolvidos em escândalos de corrupção e na delação da Odebrecht. Tanto é assim que, até final do ano passado, os servidores dos municípios de São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti, Macaé, Cabo Frio, Angra dos Reis, Mesquita, Itaguaí e de outros vinte três municípios do Estado do Rio de Janeiro não haviam recebido o 13º a que têm direito, enquanto para as empresas e amigos dos prefeitos não faltavam verbas.

Mas os trabalhadores não podem pagar por uma crise que não é nossa. Essa crise é responsabilidade dos governos Dilma–Temer, dos governos estaduais e dos governos municipais que beneficiarem grandes empresas e se enriqueceram durante anos, enquanto o desemprego, arrocho e a violência dispararam.

Somente através da mobilização e organização dos trabalhadores e da juventude podemos avançar na luta para superar os graves problemas que afligem a população.

Há meses, os servidores e trabalhadores lutamos contra o pacote de maldades do governo Pezão. Os serventuários da Justiça estão em greve desde o dia 26 de outubro e este mês receberam metade dos vencimentos devido ao corte de ponto. Os profissionais da saúde também decretaram greve no final do ano passado. Vamos seguir o exemplo dos servidores públicos estaduais, bombeiros e policiais que, com sua mobilização, conseguiram impedir a aprovação de diversas medidas do pacote de maldades de Pezão.

É preciso unificar as lutas no estado e em todo o país e convocar uma Greve Geral como propõe a CSP-Conlutas. A construção de uma Greve Geral, neste primeiro semestre, é nossa principal tarefa para buscar derrotar as políticas de austeridade, terceirizações e privatizações.

As grandes centrais como CUT, CTB e Força Sindical tem se negado a convocá-la até o momento. Isto ocorre porque algumas centrais, como Força Sindical, estão na base de sustentação do governo Temer. A CUT e CTB, por sua vez, dizem que são a favor da Greve Geral, mas não investem na sua construção porque não querem perder o controle: preferem um desgaste lento do governo Temer ao invés de derrubá-lo já, pois apostam na construção da candidatura Lula para eleições em 2018

Vamos seguir nas ruas pelo Fora Temer, Fora Todos eles!
É possível tirar o país da crise e garantir empregos, saúde, educação, transportes, moradia, segurança. Para isso é preciso um Programa Econômico Alternativo dos Trabalhadores e Servidores que passa pelo não pagamento da dívida aos banqueiros, fim das isenções fiscais, expropriação e estatização das grandes empresas na dívida ativa, ruptura com a Lei de Responsabilidade Fiscal para impor uma lei de Responsabilidade Social, fim dos privilégios e mordomias dos governadores e deputados e salário igual ao professor ou operário, fim das terceirizações e privatizações entre outras medidas. A partir daí pode-se ter recursos para um Plano de Obras Públicas necessárias como saneamento básico, moradia, recuperação escolas e hospitais e, assim gerar empregos.

Os trabalhadores, servidores, bombeiros e juventude nesse processo de luta contra as reformas e pela Greve Geral precisam se unir e lutarem por um governo dos trabalhadores sem empresários e corruptos apoiados em Conselhos Populares para assim conquistarem uma sociedade sem exploração e opressão.

Não ao parcelamento de salários e 13º!

Abaixo o aumento do Bilhete Único e aumento das passagens!

Não às reformas da Previdência e trabalhista!

Fora Temer e Pezão! Fora todos eles!