Rio de Janeiro: Em defesa do SEPE e da democracia operária

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Faixa estendida por "Black Bloc's" na assembleia do SEPE

Atuação de anarquistas e Black Bloc’s expõe o sindicato e a categoria perante o governo

A campanha de Sérgio Cabral e Eduardo Paes (ambos do PMDB) endossada entusiasticamente pela Rede Globo contra o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE-RJ) é conhecida por todos. Os ataques se tornaram ainda mais freqüentes quando a categoria se pôs em movimento e colocou em marcha uma das mais poderosas greves do país. Sob a acusação reacionária e enlatada de que o sindicato seria dominado por partidos políticos de esquerda – entre eles PSOL e PSTU – a Justiça suspendeu temporariamente em agosto o registro sindical do SEPE.

A resposta da categoria veio nas assembleias e nas ruas onde se reuniram mais de 20 mil educadores que cantavam: “o SEPE somos nós, nossa força, nossa voz!”, enterrando de uma vez por todas as pretensões da UPPE, sindicato cartorial fantasma, em representar a categoria.

Mas a surpresa ainda estava por vir. Na assembleia de 24 de outubro, um grupo de Black Bloc’s contrário à suspensão da greve esteve na assembleia e demonstrou não conhecer as tradições democráticas do movimento da educação: xingamentos, ameaças, gritos, ofensas e outras provocações contra os diretores da entidade e também contra educadores de base.

O grupo abriu uma faixa onde se lia: “Direção pelega com a base não tem arrego”. Penduraram também um cartaz com o jogo da forca, com uma diretora do SEPE enforcada com os seguintes dizeres: “Essa direção tem que cai”. Isto é, os Black Bloc’s fizeram tudo aquilo que a Rede Globo, Sérgio Cabral e Eduardo Paes queriam. Não faltaram câmeras dos grandes veículos de comunicação para fazer a cobertura. O resultado desse desastre está nas bancas de jornal e sites da mídia oficial.

Tentaram intimidar a categoria com seu tradicional grito de guerra usado nos confrontos de rua contra a Polícia Militar: “hu-hu-hu”.

Os anarquistas que fazem parte da rede estadual são os responsáveis por esse triste capítulo da história da categoria. Organizaram e trouxeram para a assembleia dezenas de Black Bloc’s que não concordam com as tradições democráticas dos educadores. Como se não bastasse, havia também entre eles atletas de academia de luta livre e MMA. Destacamos que não existe nenhum problema na participação de pessoas de fora da categoria nas assembleias dos trabalhadores. Muito pelo contrário, são muito bem-vindas, desde que respeitem as tradições e a vontade da maioria.

Apesar do insistente pedido da mesa de que apenas os educadores da rede estadual poderiam votar, vários Black Bloc’s de fora da categoria votaram, falsificando a real correlação de forças na assembleia. 

Depois de muita confusão, a votação ocorreu e os educadores decidiram por ampla maioria suspender a greve, por avaliar que estava na hora de reaglutinar suas forças e preparar os enfrentamentos futuros contra Cabral e Risolia.

Mas quem disse que os anarquistas e Black Bloc’s aceitariam o resultado? Nada disso. Aproximaram-se da mesa coordenadora da assembleia novamente com insultos e xingamentos, com uma clara postura de confronto físico. A categoria, então, se organizou para fazer sua autodefesa. Educadores e educadoras se deram os braços e não permitiram que os provocadores de aproximassem.

O SEPE somos nós
O SEPE é uma entidade com mais de 30 anos de luta. Nasceu dos escombros do autoritarismo do regime militar e enfrentou governadores poderosos. Orgulhamos-nos de ser parte dessa história de luta. No entanto, não podemos jogar para debaixo do tapete os problemas que enfrentamos no interior do sindicato.

O SEPE tem muito problemas sim. Os diretores do SEPE que são militantes do PSTU, apesar de serem muito reconhecidos pela categoria, não foram parte da chapa que venceu as últimas eleições proporcionais. Os companheiros do PSOL, que dirigem o sindicato, conhecem muito bem nossas críticas e diferenças, porque elas são públicas. Mas o que ficou em jogo na última assembleia da rede estadual são muito mais do que diferenças políticas e sindicais. O que está em jogo é a defesa do SEPE enquanto entidade representativa. O que está ameaçado é o método da democracia operária.

A categoria já deu o seu recado na assembleia, e esperamos que seja compreendido. Vamos defender o sindicato e não toleraremos que firam a democracia do nosso movimento. O SEPE somos nós, nossa força, nossa voz!