Rio de Janeiro dá a largada na construção da Greve Geral

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Plenária organiza paralisação estadual e aponta rumos para a mobilização no país

Os seguidos (des)governos do PMDB de Cabral e Pezão, diga-se de passagem com o apoio do PT, faliram o Rio de Janeiro e o conduziram ao estado de calamidade pública. São quase 15 anos de ataques aos nossos direitos. Agora, querem que os trabalhadores, os mais pobres e os moradores da periferia paguem a conta.

Contra isso começa a sair do papel a organização de uma Greve Geral que enfrente os planos de ajuste dos governos, organizados desde Brasília por Temer, e com os quais não há um único governador que se oponha. Nesse caso, a oposição só pode vir dos trabalhadores.

Na noite desta quinta-feira, 30 de junho, trabalhadores, desempregados, as diversas categorias em greve do funcionalismo público estadual e vários representantes de movimentos sociais, como os pescadores da Baía de Guanabara, os secundaristas que estão ocupando as escolas e os sem-teto, se reuniram no auditório do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, com o objetivo de organizar um dia de Greve Geral no estado do Rio no dia 6 de julho, quarta-feira. Os presentes prometem parar a capital, organizando a luta de várias categorias, tanto do setor público quanto do setor privado.

Sob o lema “Nenhum direito a menos”, a mobilização promete questionar os planos de ajuste impostos pelos governos, que pretendem fazer com que a crise seja paga pelos trabalhadores. Além disso, denunciar a forma como a realização da Olimpíada está sendo conduzida na cidade, que só beneficia as grandes empreiteiras e desaloja milhares de pessoas em obras cuja maioria dos moradores não vai usar. Mesmo obras que servirão de algo, como o Metrô, só estarão à disposição da população após a realização dos Jogos. Além disso, diversas empreiteiras citadas na Operação Lava-Jato e suspeitas de corrupção, estão diretamente envolvidas nas obras da Olimpíada.

A mobilização dos trabalhadores torna-se ainda mais importante na medida em que, em meio à atual crise política, econômica e social que o país vive, e no contexto dos Jogos Olímpicos, os governos vêm criminalizando ainda mais os movimentos sociais. No dia anterior da mesma plenária, uma manifestação dos educadores, em greve há quatro meses, foi duramente reprimida pelo Batalhão de Grandes Eventos, justamente o mesmo que irá policiar a cidade durante a Olimpíada. “Nenhum direito a menos” não implica apenas a conservação do que a classe trabalhadora já conquistou. Também significa que vamos lutar pelo nosso direito a questionar os governos que querem que paguemos pela crise. Que os ricos, e não os trabalhadores, paguem pela crise!

Chamamos a CUT e o PT à construção da Greve Geral
Infelizmente, os representantes das centrais sindicais CUT e CTB, não aceitaram se somar à construção da Greve Geral do dia 6. Isso acontece porque, apesar de defenderem o Fora Temer, eles condicionam a saída do atual governo ao retorno da presidente afastada por um pretenso “golpe”. Na verdade, por trás dessa ideia se esconde outra: não abalar suas campanhas nas próximas eleições, preparando 2018, onde Lula seria o candidato do PT.

Nós, do PSTU, não concordamos com essa tese do “golpe”. Avaliamos que o governo Dilma caiu por seus próprios erros. Ao perder popularidade da forma como perdeu, o empresariado brasileiro não confiou mais nela e no PT para levar a cabo seus planos de ajuste, e apostou em Temer para tal. É preciso unificar as lutas rumo a uma Greve Geral para colocar pra fora todos aqueles que atacam os trabalhadores e barrar seus planos de ajustes.

Fala, Cyro!
Nós estamos vivendo uma conjuntura onde os ataques aumentam a cada dia, e isso não é apenas aqui no Brasil. O que acontece é que os ataques da burguesia se intensificam no mundo inteiro, mas, em compensação, a resistência da classe trabalhadora aumenta também, a cada dia. É o exemplo que vem da França, onde estão querendo implantar uma reforma da Previdência igual à que querem aplicar aqui.

E não adianta dizer que essa reforma da Previdência é uma reforma do Temer: a grande diferença do governo Dilma para o governo Temer é que ela tinha até 2018, então o calendário dela era em doses homeopáticas. Já o Temer não sabe até quando vai, e, portanto, ele quer fazer tudo às pressas. Mas a mesma política que está sendo implementada pelo governo Temer era a política que vinha sendo implementada por Dilma.

Portanto, nós temos que aproveitar essa luta que estamos fazendo aqui para derrotar esses governos. Derrotar esse governo Temer, que é um governo fraco, que já teve três ministros derrubados, é um governo de pés de barro. O governo Dilma caiu porque perdeu a legitimidade; o governo Temer nunca teve legitimidade, e deve ser derrubado também.

Mas devemos derrubá-lo através da luta dos trabalhadores, através de uma grande Greve Geral. O dia 6 de julho é um ensaio de uma grande Greve Geral, não apenas aqui no Rio de Janeiro, mas em todo o país, que coloque abaixo esse governo Temer e as medidas de ataque que vem sendo impostas por ele e pelo conjunto dos governos desse país.