Repressão e prisão marcam ato pela redução da tarifa em Belém

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Foto: PSTU Belém

 
Ao contrário do que as autoridades locais gostariam, não foi apenas a exposição da taça da Copa do Mundo que movimentou Belém (PA). O ato pela redução da tarifa de ônibus reuniu cerca de 1.200 pessoas, que marcharam da Praça da República até o local de exposição da taça, em frente ao Polo Joalheiro. A chegada dos manifestantes no local se confrontou com o forte policiamento presente. Preparados para proteger o símbolo do mundial e reprimir a manifestação, estavam a cavalaria e o batalhão de choque da Polícia Militar. Além de spray de pimenta, gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral, o confronto terminou com quatro pessoas detidas.
 
Desde o final da tarde, estudantes, integrantes de movimentos sociais e partidos políticos se concentravam na Praça da República para a realização de um ato que exigia a revogação do aumento da tarifa de ônibus.O aumento de R$2,20 para R$2,40 foi oficializado pelo prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB) no sábado, 17, e começou a valer nesta segunda-feira. Entre os carros e ônibus lotados, os manifestantes passavam batucando em latas, instrumentos de som e cantavam a palavra de ordem: “Ei, FIFA, paga minha tarifa”.
 
De acordo com Luiz Henrique, militante da juventude do PSTU, a visita da taça à Belém é simbólica, “pois representa todas as injustiças que estão sendo cometidas para garantir a realização do mundial, como as remoções e as mortes de operários na construção dos estádios”, afirmou. “Além disso, acontece logo após um aumento absurdo no valor das passagens de ônibus”. Segundo ele, os R$ 30 bilhões gastos com a Copa poderiam ter resolvido o caos no transporte público em várias capitais, como Belém, cidade onde o povo sofre todos os dias com engarrafamentos gigantescos, ônibus lotados e sem qualidade nenhuma.
 
A chegada do ato ao local em que a taça da Copa estava fez com que as visitas fossem encerradas duas horas antes do previsto. Lamentavelmente, quando manifestantes tentavam avançar, a Polícia Militar reagiu com a truculência que já lhe é característica. Bombas e spray de pimenta foram lançados para dispersar os manifestantes. Na confusão, três manifestantes foram detidos.
 
Na mesma hora, outro ato foi organizado e partiu rumo à Delegacia de Operações Especiais no Pará (DIOE), lugar para onde os presos foram levados. Em poucos instantes, outra confusão. Os policiais que seguiam os manifestantes de perto, prenderam uma das integrantes do grupo, que também foi levada para a DIOE. Cerca de 300 pessoas permaneceram em frente à delegacia, exigindo a liberação das quatro pessoas detidas. A liberação só aconteceu nesta quarta-feira, 21, mas a polícia informou que abrirá inquérito para apurar a conduta individual de cada um.


 
Apesar da forte repressão, o ato pela revogação da tarifa mostra a disposição de luta da juventude de Belém “e, se depender da CSP-Conlutas, esta disposição vai aumentar”, afirmou Abel Ribeiro, coordenador estadual da central. Para ele, os atos pela revogação da tarifa devem continuar, se intensificar e se somar às lutas que estão acontecendo por todo o país. “E para unificar as lutas das diversas categorias, chamamos todos a fazerem um dia de mobilização no dia 12 de junho. Vamos mostrar que se nossas reivindicações não forem atendidas, na Copa vai ter luta!”, disse.