Alienação e religião A identidade dos homens com
coisas e a felicidade como uma qualidade inata do
homem têm raízes bem antigas. Existem desde o momento em que o homem
começou a pensar em sua própria existência, isto é,
quando teve consciência de si e de sua espécie. O homem não
conseguia compreender os fenômenos da natureza, que ameaçavam sua
espécie, e os atribuiu a seres imaginários.
Sua busca pelo conhecimento transformou-se na busca por tais seres, que teriam
origem no próprio homem, mas se afastado dele num passado longínquo,
causando um “estranhamento” entre o homem e sua própria essência.
Assim surgiu a religião e a noção de perda de Deus pelo
homem, simbolizada (no cristianismo) pela sua expulsão do paraíso.
O homem, ao comer a maçã da sabedoria, quis equiparar-se a Deus,
isto é, libertar-se dele. Seu castigo foi a vida real, na Terra. A partir
daí deveria lutar pelo conhecimento partindo da ignorância, e não
mais como dádiva divina, deveria “ganhar o pão com o
suor
de seu rosto”.
Essa separação entre homem e Deus é chamada pela filosofia
de alienação e seria a causa da infelicidade humana. O retorno
a Deus significa a conquista da felicidade eterna, mas ela não pode ser
conseguida nesse mundo. Na Terra, o homem está condenado à infelicidade
do ser consciente.