Quem é o mais prejudicado com as chuvas no Rio de Janeiro?

40
Destruição causada pela chuva na serra fluminense

Lamentavelmente, a história se repete todos os anos. Com a proximidade do verão, os temporais atingem o estado do Rio de Janeiro e, como sempre, são os trabalhadores que sofrem, que perdem suas vidas, seus bens, suas casas.

Esta semana, o estado do Rio de Janeiro foi atingido por um forte temporal. Em Macaé, houve morte e centenas de desabrigados. Em Nova Iguaçu, Belford Roxo, Japeri, Queimados e São João de Meriti, na Baixada Fluminense, mais mortes e milhares de desabrigados. Na capital, bairros inteiros ficaram embaixo d’água.

As duas principais rodovias, Avenida Brasil e Rodovia Presidente Dutra, ficaram várias horas interditadas por terem bolsões de água em vários pontos, impedindo deslocamento de caminhões, ônibus e carros de passeio. Um verdadeiro absurdo. Milhares de pessoas presas, sem poder se deslocar. Pessoas sendo obrigadas a subir em cima dos ônibus para não se afogarem.

Bairros como Pavuna, Jardim América, Fazenda Botafogo, Madureira, Complexo do Alemão, Bonsucesso, Manguinhos, Jacaré, Jacarepaguá e vários outros, tiveram alagamentos com prejuízos incalculáveis a milhares de trabalhadores. A enchente destruiu móveis e eletrodomésticos. Para muitos, foi a destruição não só das casas mas dos sonhos de um 2014 melhor do que 2013.

Agora são milhares sem casa. Os que têm casa, não têm móveis. Muitos perderam o carro usado, que não tinha seguro. Alguns ainda têm de pagar o financiamento ao banco. Tudo isso por irresponsabilidade do governador Sergio Cabral e do prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes, dos empresários e políticos corruptos.

O país da Copa é o país da corrupção e do descaso com os trabalhadores
Não podemos ter dúvidas. DilmaRousseff, Cabral, seus prefeitos e parlamentares são os responsáveis. Há mais de quatro estão queimando bilhões de reais em obras. Mas o que se vê são as empreiteiras enriquecendo, são obras sem licitação, estruturalmente erradas e, principalmente, obras que não são prioritárias. Por que derrubaram a Perimetral? Por que as novas casas no morro do Bumba desabaram antes de os moradores entrarem nelas? O que pode explicar uma via como a Avenida Brasil dez horas submersa? A novíssima Binário, no porto, ficar alagada? Uma das explicações é o descaso com o estado do Rio, com as nossas vidas.

No Complexo do Alemão, mais de 400 pessoas ocupam a Biblioteca da região. Não recebem socorro da parte do Estado e da Prefeitura. Tem sido assim sempre. Agora, os governantes dizem que tomarão medidas de emergência para que tais coisas não voltem ocorrer. Dá pra confiar? Por que não tomaram antes?

Depois do desastre, dos prejuízos e da justa indignação com eles, estes corruptos demonstram preocupação. É óbvio que as obras prioritárias não foram feitas. O simples recolhimento do lixo nos bairros pobres não é feito. As dragagens dos rios e a construção de estrutura de escoamento para as águas pluviais passam longe de ser prioridade de Cabral, Paes e demais prefeitos do estado.

Dilma, que aplica a mesma política nacionalmente, se junta com Cabral e Paes para reprimir os saques produzidos pelos moradores atingidos pelas enchentes. Fazem cara de espantados com os justos protestos que explodem espontaneamente em vários lugares do estado, motivados unicamente pela revolta de ter perdido tudo.

Não é da Força de Segurança Nacional que o estado do Rio precisa. Precisamos de um governo que governe para os trabalhadores, para a juventude e para o povo pobre. Não queremos polícia nacional, para além de tudo que já estamos passando, nos reprimir. O que nós queremos e precisamos é morar em áreas seguras para criar nossos filhos sem o risco de desabamentos de encostas, de desabarem nossas casas. Queremos, e precisamos que o dinheiro que pagamos em impostos não seja roubado pelas empreiteiras e pelos governos através dessas obras de fachada que, quando chega a temporada de chuva, se mostram ineficientes.

Os moradores atingidos pelas chuvas e pelas enchentes têm sim direito de protestar ao terem sede e fome, de água, comida e justiça. Os governantes precisam parar de lamúrias e conversa e garantir remédios, água, comida e o que mais for necessário.

Fora Cabral e Eduardo Paes
O PSTU há três anos defende que Sérgio Cabral não tem autoridade para dirigir o nosso estado. Não pode ser governador quem bate em professor, quem se envolve em negócios nebulosos com empreiteiras, quem privatiza o Maracanã.

Não podemos nos calar diante de mais uma tragédia anunciada que poderia ser evitada e que trouxe desespero para milhares de famílias. É necessário que todas as famílias atingidas tenham imediatamente e sem burocracia um aluguel social de R$ 1.000. Todos os atingidos pelas enchentes que tiveram os seus bens perdidos têm de ser indenizados imediatamente pelo Estado e pelas prefeituras sem nenhum custo para a população.

Todos que se encontram em área de risco têm de ser removidos para locais seguros e que sejam construídas moradias em locais apropriados. É preciso exigir o fim das obras de fachadas que só favorecem as empreiteiras e um plano de obras públicas para evitar novas enchentes.

O PSTU defende a saída imediata do Governador Sergio Cabral e o responsabiliza por mais esta tragédia. Denunciamos a tentativa de Dilma e do governador Sergio Cabral de criminalizar os atingidos pelas chuvas. É necessário exigir que não sejam enviadas polícias nem a Força de Segurança Nacional. O que a população precisa é de água, comida, medicamentos, roupas e outros artigos, não de repressão.

Acesse o blog do PSTU-RJ
Curta a página do PSTU-RJ no Facebook