Quase 200 famílias lutam pela por moradia no interior de São Paulo

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Jaime Kawakami, do PSTU, propõe aos moradores a realização de um ato na Câmara dos Vereadores nessa quinta-feira, 6 de março

Ocupação é batizada de “José Luis e Rosa Sundermann”, em referência aos dirigentes do PSTU assassinados há 20 anos

Se a gente não conseguir um teto, é o prefeito que vai ser desocupado”, alguém gritou no meio das quase cem pessoas que estavam presentes na segunda reunião da ocupação no Antenor Garcia, bairro periférico de São Carlos, interior de São Paulo. O clima durante toda a reunião foi esse e não era para menos.

Na ocupação de apenas um mês e que, até momento, tem mais de 190 famílias, os moradores estão dormindo em estado de alerta. O motivo é que no dia 27 de fevereiro foi expedido o mandado de reintegração de posse que deveria ser cumprido em 24 horas. Esse fato só não foi concretizado porque, no dia 28, os moradores foram até a prefeitura exigir uma audiência com o prefeito Paulo Altomani (PSDB), ocupando o saguão do prédio.

Na mesma linha tanto o governo federal quanto estadual diante dessas situações. A postura adotada pelo poder executivo não fugiu à regra: acionou a Guarda Municipal e a Polícia Militar. Balas de borrachas e bombas de gás lacrimogêneo foram usadas contra as famílias. Uma militante do PSOL, inclusive, desmaiou e teve que ser encaminhada para a Santa Casa.

Mesmo com todo o revés da violência, a mobilização dos moradores conseguiu com que o prazo para a reintegração fosse adiado por 15 dias. No domingo, 2 de março, foi realizada uma primeira reunião de urgência entre os moradores. Lá, organizações, sindicatos e partidos políticos se solidarizaram com a ocupação e, juntos com os moradores, decidiram escrever uma carta de reivindicação da ocupação.

Nesse dia 5 de março essa carta foi aprovada exigindo a desapropriação de terrenos e construções ociosas que não cumprem sua função social – como é o caso do terreno ocupado, que é de propriedade da prefeitura e supostamente seria destinado a uma área de lazer. Também foi tirado um calendário de luta, que já começa nesse dia 6, às 15h na Câmara dos Vereadores, onde os moradores exigirão dos parlamentares um posicionamento sobre a situação.

A partir da reunião desse dia 5 também, a ocupação não será mais chamada de “invasão do Antenor Garcia” como se referem os jornais locais. Ela ganhou um nome: Ocupação José Luis e Rosa Sundermann. O casal, que na época ajudava na organização dos trabalhadores rurais da região, foi brutalmente assassinado em um crime de motivação política até hoje sem punição. No ano em que é marcado os 20 anos do assassinato, uma homenagem mais do que justa aos militantes símbolos da luta dos trabalhadores da cidade e região.