PT e PCdoB dão uma força a Temer e Pezão

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Enquanto servidores eram duramente reprimidos no Rio, dentro da Alerj, PT apoiava Picciani

PT e PCdoB apoiaram a eleição de Eunício de Oliveira (PMDB-CE) para a presidência do Senado e de Jorge Picciani (PMDB-RJ) para a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. A eleição de ambos os candidatos fortalece o Governo Federal e o governo Pezão, do Rio, na sua ofensiva por aprovarem a reforma da Previdência e tremendos ataques aos trabalhadores.

O PCdoB está apoiando ainda o candidato governista na Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), candidato que o PT também cogitou apoiar, tendo tido aval de Lula e da direção para tanto, mas depois teve de recuar porque houve crise na base petista.

A não abertura do sigilo das delações da Odebrecht favorece a eleição de Eunício de Oliveira no Senado e de Rodrigo Maia na Câmara, ambos na lista da Lava Jato. Eunício e Maia são apoiadores de Temer, garantidores do encaminhamento das votações das reformas, e da turma dos empenhados na operação ”abafa Lava Jato”.

Eunício de Oliveira foi ministro do governo Lula, é da turma de Renan Calheiros e tem três citações em delações da Lava Jato. Aparecendo com o apelido “Índio” na lista da Odebrecht, é o segundo homem mais rico do Senado. Ele é dono de uma fortuna de R$ 99 milhões, como dono de uma empresa especialista em vencer licitações.

Não é a primeira vez que PT e PCdoB dão uma força ao governo e ao PMDB. Lembremos que Tião Vianna (PT-AC) foi de crucial ajuda para a votação da PEC 55 em 2016 no Senado, ao intermediar uma solução negociada e pacífica para a crise entre Renan Calheiros e o STF.

Tudo isso demonstra que nem PT e PCdoB acreditam na narrativa do “golpe” que eles mesmos criaram.

Mas, independente dessa questão do passado recente, o fato importante é que a atuação do PT e PCdoB está fortalecendo o governo e suas reformas. Quanto mais o governo Temer se enfraquece nas ruas, PT e PCdoB o ajudam a se fortalecer no Congresso para atacar a classe trabalhadora.

No Rio, no dia 1º de fevereiro, os trabalhadores e os servidores públicos foram massivamente para as ruas e receberam amplo apoio da população, mas sofreram uma repressão brutal do estado, a mando de Pezão e Picciani. Deputados do PT e PCdoB, porém, apoiavam Picciani para a presidência da Alerj, – Enquantouanto nas ruas os manifestantes por ordem de Piccianni e Pezão eram reprimidos de maneira selvagem com bombas, jatos de água, balas de borracha e o centro do Rio se transformava numa praça de guerra. No mesmo dia, no Senado, ajudavam a eleger o homem de Temer e Renan Calheiros, o mesmo Eunício que foi relator da PEC 55 (a tal PEC da morte e do “fim do mundo”).

E ainda falam em “Estado de exceção”, por causa de “prisões coercitivas” de um punhado de corruptos e corruptores. Mas, o que vigora hoje é a democracia burguesa, dos ricos, com seus corruptos e seu autoritarismo e repressão crescente contra lutadores, trabalhadores, negros e pobres. Essa mesma democracia burguesa, cujos presidentes governistas do parlamento federal e também dos estados, PT e PCdoB ajudam a eleger.

Isso também demonstra que a direção desses partidos não defende de verdade o “Fora Temer” e apenas se preocupam com as próximas eleições (sejam estas em 2018 ou 2017).

Mas a classe trabalhadora que está sendo atacada duramente – em benefício de banqueiros e grandes empresários (estrangeiros e nacionais) -, precisa unificar suas lutas, no rumo de uma Greve Geral. Esse é o caminho. E precisa exigir que as centrais e movimentos sociais, que de uma ou outra forma possuem direção atreladas ou ao atual governo ou a uma oposição meramente parlamentar, que apóia governistas para cargos chaves, venham encaminhar a luta para derrotar esses ataques dos governos e não aceitem negociar os direitos da classe trabalhadora. E, se não vierem, devem passar por cima deles e impor as necessidades de luta das bases.

Só a classe operária junto com todos os trabalhadores e setores populares mobilizados podem mudar tudo isso que está aí.

Esse país precisa de uma revolução socialista para que os trabalhadores possam governar desde a base, através de Conselhos Populares (aí sim, uma verdadeira democracia), e construir uma sociedade onde exista pleno emprego e seja governada para atender as necessidades do povo e não para dar lucro para um punhado de banqueiros, grandes empresas privadas nacionais e multinacionais e corruptos e corruptores.