PSTU participa da 18ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo

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Foto: Elder Sano

PSTU lançou a Torcida contra a Homofobia

No último domingo, 4, milhares de pessoas estiveram presentes na 18ª Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) de São Paulo. O tema escolhido para esse ano foi “País vencedor é país sem homolesbotransfobia: Chega de Mortes! Criminalização Já! Pela aprovação da Lei de Identidade de Gênero!”.

Apesar das recorrentes críticas ao que se tornou a Parada, um evento que mais comemora do que reivindica, o tema deste ano reflete aquilo que os LGBTs mais sentem. O Brasil, país sede da Copa, infelizmente, é o campeão mundial em assassinatos por homofobia. De cada dez mortes por homofobia no mundo, quatro ocorrem no Brasil. Fora isso, a Parada também deu visibilidade à pauta de transexuais, tão invisibilizada ao longo dos anos.

Apesar do tema acertado, é importante fazer uma crítica às escolhas feitas pela organização do evento em relação ao seu financiamento. A prefeitura de São Paulo diz ter investido cerca de R$ 2 milhões na realização da Parada porque, segundo ela, o evento movimenta mais de R$ 220 milhões na cidade. Além da prefeitura (PT), a Parada contou também com o patrocínio dos governos Estadual (PSDB) e Federal (PT), além de empresas. Os candidatos ao governo do Estado, Alexandre Padilha (PT), ex-ministro da saúde, e Geraldo Alckmin (PSDB), atual governador, também estiveram presentes ao evento.

É curioso os governos afirmarem ter gasto tanto dinheiro com a Parada e nada digam em relação às reivindicações do movimento (criminalização da homofobia e lei de identidade de gêneros). A hipocrisia desses senhores com o tema deve ser entendida da forma mais simples possível: investimento na Parada para as empresas terem lucro com o evento e para aqueles que sofrem com a homofobia e a transfobia todos os dias, propaganda eleitoral antecipada e nenhum direito.

Na copa vai ter luta contra a machismo, o racismo e a homofobia
Diferentemente dos últimos anos, a Parada não ocorreu na data normalmente escolhida para sua realização, o feriado de Corpus Christi, já ocupado com outro evento de grande importância para o turismo e que movimentará milhões de reais, a Copa do Mundo. Achamos que isso é um erro, assim como não fazer no dia 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT.

O futebol, além do admirável espetáculo da bola, como mais um espaço apropriado pelo capitalismo, se tornou altamente mercantilizado e palco de propagação do machismo, do racismo e da homofobia. Nesse espetáculo, o machismo transforma mulheres, travestis e transexuais em objetos para o turismo sexual. Não é à toa, que a Adidas colocou à venda, no início desse ano, nos Estados Unidos, camisetas para a Copa do Mundo no Brasil nas quais estimulavam os americanos a vir para cá para “pegar garotas”. O Brasil é conhecido como paraíso do turismo sexual e com a Copa do Mundo, isso ficará ainda pior.

Se fosse realizada durante a Copa do Mundo, a Parada teria maior importância política, pois poderia ser um espaço de resistência e contraposição às hostilidades que o capitalismo somou ao futebol. Por isso, lançamos, na 18ª Parada de São Paulo, a Torcida contra a Homofobia, para seguir denunciando a violência que, infelizmente, não para de crescer, e para exigir do governo de Dilma Rousseff (PT) que seja aprovado imediatamente o PLC 122, que criminaliza a homofobia.

A Torcida contra a Homofobia
O PSTU chamou pelo Facebook um bloco com o nome “Torcida contra a Homofobia: Criminaliza Dilma Vez”. A proposta foi reunir ativistas e entidades para estar na Parada conosco, dando mais um passo na organização da luta contra a homofobia. Foram distribuídos milhares de adesivos e panfletos que foram muito bem recebidos pelo participantes da Parada.

Estiveram nesse bloco, entidades como a CSP-Conlutas, o Movimento Mulheres em Luta (MML), o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, o Sindicato dos Servidores Federais de São Paulo (Sindsef-SP) e o Quilombo Raça e Classe.

Na véspera da Parada, o PSTU e estas organizações também estiveram presentes na 12ª Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo, que também teve como tema o problema da violência. Reunindo cerca de 500 pessoas, a Caminhada partiu da Avenida Paulista, desceu a Rua Augusta e encerrou o seu percurso no Largo do Arouche, espaço tradicionalmente frequentado por LGBTs.

Origem das Paradas: Nossa história é de luta e orgulho
No dia 28 de junho, em muitos lugares no mundo, comemora-se o Dia do Orgulho LGBT. Você sabe por que?

No final da década de 1960 existia um bar chamado Stonewall, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, frequentado por travestis, homossexuais e bissexuais. Por isso, sofria muitos ataques policiais. No dia 28 de junho de 1969, após outra violenta batida da polícia, os LGBTs se revoltaram e iniciaram uma grande rebelião que durou três dias. Essa rebelião ficou conhecida como a Revolta de Stonewall e, desde então, este dia, passou a ser o Dia do Orgulho LGBT.

Um ano depois, ocorreu a primeira Parada do Orgulho LGBT em Nova Iorque. Assim, até hoje, em quase todos os lugares do mundo, ocorrem as Paradas do Orgulho LGBT nas quais saímos às ruas para mostrar que não precisamos de cura, nem de violência, mas sim de direitos.

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