Protesto de trabalhadores sem terra e estudantes reúne 7 mil nas ruas de Natal

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Sete mil marcharam em protesto contra aumento da passagem e descaso do governo com agricultores pobres
Foto: João Paulo da Silva

Um mar de gente. Foi o que Natal viu passar por algumas de suas ruas e avenidas na manhã desta terça-feira (21). Cerca de 7 mil pessoas marcharam para protestar contra o aumento da passagem de ônibus na capital e o descaso da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) com os agricultores pobres que sofrem com a seca no interior do estado. A manifestação reuniu trabalhadores sem terra, estudantes, sindicatos e movimentos sociais numa grande caminhada, que fechou a Av. Mor Gouveia, em direção à Governadoria do Rio Grande do Norte. A vereadora Amanda Gurgel e o PSTU participaram de todo o protesto, que foi organizado pelo MST, Pastorais Sociais, CSP-Conlutas, CUT, Fetarn, entre outras entidades.


Grito da Seca
Aproximadamente 6 mil pequenos agricultores e trabalhadores rurais sem-terra de todas as regiões do Estado vieram a Natal para o Grito da Seca 2013. Eles protestaram contra os efeitos da pior seca dos últimos anos em todo o Nordeste, que destruiu cerca de 30% da safra deste ano e, durante meses, deixou milhares de municípios sertanejos em situação de calamidade pública. Os trabalhadores exigiram do governo políticas de apoio ao agricultor, renegociação das dívidas, reforma agrária, apoio aos assentamentos e universalização do acesso à água.

Com o lema “Sede de Água, Sede de Direitos”, os agricultores chegaram em dezenas de ônibus, no dia anterior, e ergueram um acampamento na sede da Governadoria. O ato recebeu o apoio de parlamentares, como o deputado estadual Fernando Mineiro (PT), os vereadores de Natal Sandro Pimentel e Marcos Antonio, do PSOL, e a vereadora Amanda Gurgel (PSTU).

O presidente nacional do PSTU, Zé Maria, também esteve presente na Governadoria em apoio ao movimento. “O nosso partido abraça a luta de vocês, porque a luta de vocês é a nossa luta. O exemplo que vocês estão dando hoje aqui é muito importante, com essa unidade entre os trabalhadores do campo, da cidade e a juventude. Essa é única forma de mudarmos as coisas no nosso estado e no nosso país. Os nossos problemas não são obras da natureza, e sim das decisões daqueles que governam”, disse Zé Maria.

#Revolta do Busão
Os estudantes que fazem o movimento #Revolta do Busão, que luta contra o aumento da tarifa de ônibus em Natal, de R$ 2,20 para R$ 2,40, também se uniram ao protesto dos agricultores. Inicialmente, o ato da juventude contra a decisão do prefeito Carlos Eduardo (PDT) de aumentar a passagem, que já contava com cerca de mil pessoas, estava marcado para as margens da BR-101. Mas uma liminar da Justiça, solicitada pelos empresários do transporte, autorizava o uso da força policial para impedir o bloqueio da rodovia.

Organizados pela Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (ANEL), UNE e pelo DCE/UFRN, os estudantes se juntaram aos trabalhadores do campo para fortalecer o protesto. Diante da ameaça de uma violenta repressão, como a que ocorreu na semana anterior, os organizadores do Grito da Seca decidiram desviar o percurso.

A manifestação parou o trânsito das ruas próximas ao Estádio Arena das Dunas e seguiu pela Av. Prudente de Morais, até a sede do governo estadual. Estudantes chegaram a propor que a passeata ocupasse a BR, mas não foram atendidos pela direção da Fetarn. “Somos sete mil pessoas. É o momento de tomarmos as ruas. Quem vai nos reprimir?”, questionou uma estudante, em direção ao carro de som.

Ato na sede do governo
Na governadoria, trabalhadores e estudantes deram início a um ato contra o governo de Rosalba Ciarlini (DEM). O diretor do Sindsaúde/RN, Edgar Aurino, responsabilizou a governadora pelo descaso e pelas mortes nos hospitais. “Nós, trabalhadores da saúde, é que temos de escolher os que vão ter acesso a uma UTI e os que vão simplesmente morrer. Mas não somos nós os responsáveis por isso. É este governo!”, denunciou. O sindicalista defendeu o “Fora Rosalba”, e foi bastante aplaudido.

A professora e vereadora de Natal, Amanda Gurgel (PSTU), criticou a intransigência do prefeito Carlos Eduardo (PDT) por insistir em favorecer o lucro dos empresários do transporte contra a vontade da população. “O prefeito pede paciência para professores, servidores da saúde, para a população. Só não pede paciência para os empresários. Com o aumento da passagem, como vai ficar a situação dos trabalhadores e estudantes, que já não suportam a carestia dos alimentos?”, questionou Amanda.

A vereadora do PSTU também denunciou o caos na saúde pública do estado, que mata centenas de pessoas todos os meses por falta de atendimento. Amanda classificou como “genocida” o governo de Rosalba Ciarlini. “Ao negar o atendimento nos hospitais, o governo está praticamente assassinando as pessoas pobres que precisam da saúde pública do estado. É um governo genocida”, criticou.

Após o protesto, os trabalhadores rurais foram recebidos pelo governo para discutir as pautas do movimento. “Muita conversa, pouca definição”, foi como representantes do MST resumiram a reunião com a governadora. Na audiência, ficou definida a formação de uma comissão, que se reunirá mensalmente para avaliar os problemas no campo. O resultado não agradou.

Já os estudantes vão seguir com o movimento #Revolta do Busão. A disposição de barrar o aumento na passagem de ônibus tem crescido e se fortaleceu ainda mais com a união da luta com outros setores. A tarifa subiu de R$ 2,20 para R$ 2,40 no último sábado.

Veja as fotos do ato