Polêmica: Os limites das Diretas já

Rito Roman, PSTU-Rio de Janeiro

PT, CUT, PSOL, Frente Brasil e Frente do Povo Sem Medo desencadearam uma campanha entorno da bandeira das “Diretas Já” para responder a profunda crise política que se instalou em Brasília a partir da publicização das relações mafiosas entre Joesley Batista (dono da JBS) e Michel Temer.

Nós do PSTU não concordamos neste momento com a bandeira das “Diretas” porque acreditamos em outro caminho para derrotar o atual governo e as reformas. Estamos chamando “Fora Temer, Fora Todos Eles, por uma Greve Geral de 48h”. Apostamos na ação direta da classe trabalhadora para derrubar Temer e toda quadrilha do Congresso Nacional. A Greve Geral do dia 28 de abril foi reconhecida até mesmo pela grande mídia e ganhou uma dimensão histórica e internacional. Sem dúvida, o que a burguesia mais teme é a realização de uma nova Greve Geral que incendeie o país e o torne ingovernável, comprometendo desta maneira as reformas. É isso que os governos e os patrões querem evitar a qualquer custo.

Neste momento de profundo desgaste e questionamento do regime democrático burguês, onde a população repudia os políticos em geral, os revolucionários devem ter uma política de estimular que a nossa classe busque um caminho diferente do que prevê a institucionalidade das leis. O PSTU está agitando nos bairros pobres e nas estruturas operárias a construção de Conselhos Populares, isto é, desenvolver uma alternativa de organização e de poder frente a crise das instituições burguesas. Não achamos que isso é motivo de chacota, pelo contrário, é a única saída revolucionária para crise. PT, PCdoB, PSOL e seus satélites infelizmente apostam como sempre nas eleições, por mais que isso represente depositar as fichas nesse regime desgastado e no fim trocar seis por meia dúzia. Aqueles que rotulam os Conselhos Populares como algo impossível, são os mesmos que decretaram a Greve Geral como algo inacessível à consciência das massas. A esquerda em geral se adaptou aos anos de estabilidade política e econômica e está agarrada às velhas lutas atomizadas e controladas pelos aparatos. Se recusa a dar um passo adiante e defendem a mesma política de sempre.

Hoje, diferente da década de 80 ou até mesmo diferente de 15 anos atrás, a população não deposita grandes esperanças que as eleições vão mudar suas vidas. O desgaste é brutal. O que é o “Não nos representa”, senão uma palavra de ordem escutada mundialmente na Europa, EUA e América Latina? Devemos estimular para que as ações da classe trabalhadora corram por fora dos trilhos do regime.


O PSTU vem sendo acusado de estar contra a convocação de novas eleições diante da crise política que se abate no país. Nos caluniam inclusive de defender uma “eleição indireta”. Em primeiro lugar as “eleições gerais” são parte de nosso sistema de palavras de ordem sim. Basta ler nossas declarações oficiais e o jornal Opinião Socialista que vocês encontrarão essa posição. No entanto, nós consideramos errado neste momento hierarquizar nossa agitação entorno das eleições ou das “Diretas” pelos motivos já expostos acima. A primeira tarefa dos movimentos sociais deve ser, em primeiro lugar, derrubar esse governo e as suas reformas através de uma nova Greve Geral.

O PT e a CUT estão defendendo eleições apenas para presidente, ou seja, desejam a permanência daquele Congresso Nacional, o que demonstra o seu compromisso com aquela casa de bandidos.

Se o movimento de massas não avançar e radicalizar, o PSTU poderá, após a queda de Temer, hierarquizar sua agitação pelas “eleições gerais já”. Inclusive, não hesitaremos em chamar eleições diretas diante de uma manobra parlamentar para eleger um novo presidente sem consultar o povo.

Existe uma outra manobra do PT, PCdoB e PSOL entorno das “Diretas”. Eles querem convencer os trabalhadores que o país sofreu um golpe e agora caminha para uma ditadura. Por isso, estão resgatando a campanha das Diretas da década de 80 que se enfrentava com os frangalhos do regime militar. Nunca é demais lembrar que o foi o próprio PT que apostou na conciliação de classes e se empenhou em construir uma chapa com o PMDB de Temer. Querem vender uma imagem de que o governo Dilma estava avançando em reformas sociais e democráticas e foi interrompido por um golpe. Nada mais falso. Dilma e o PT promoveram enormes ataques à classe trabalhadora como a privatização do Pré-sal e a lei antiterrorista para criminalizar os movimentos sociais, só para citar alguns exemplos.

Façamos a polêmica em pratos limpos. Não vale tudo para ganhar o debate político. Devemos resgatar os métodos da democracia operária também para fazer as lutas políticas e teóricas.