Pinheirinho: 5 anos de um despejo cruel

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Foto: Kit Gaion

Na manhã de 22 de janeiro de 2012, a Polícia Militar de São Paulo invadia, ilegalmente, com um aparato de repressão e uma violência selvagem, a Ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos. O sol ainda não tinha terminado de nascer quando 9 mil pessoas foram acordadas com explosões de bombas, barulho de helicópteros, tiros de armas não letais (mais tarde, descobriu-se que a PM utilizou pistolas na ação), cavalos e gritos.

Suas casas eram invadidas por policias, e homens, mulheres, crianças e idosos eram retirados à força de suas casas. Do bairro, foram levados a abrigos que se assemelhavam a campos de concentração.

Um pouco da história
O Pinheirinho era a maior ocupação urbana da América Latina. Durante oito anos, trabalhadores e trabalhadoras transformaram um terreno de 1,3 milhão de metros quadrados num bairro com ruas, plantações, pequenos comércios, igrejas. Como exemplo de organização, foi tema de diversos estudos de engenharia e arquitetura, de trabalhos acadêmicos, entre outros.

Antes de os moradores chegarem lá, o terreno estava abandonado e não tinha nenhuma função social. A área pertencia à massa falida da empresa Selecta, do megaespeculador Naji Nahas, duas vezes condenado por crimes financeiros. Após a desocupação e a destruição das casas por tratores, o terreno voltou a ser o que era: um matagal a serviço única e exclusivamente da especulação imobiliária.

A brutalidade do despejo comandado pelo governo Alckmin (PSDB) causou comoção nacional e internacional. A violência policial, porém, não acabou com a luta por moradia. Virou exemplo também de luta e resistência. Seu nome, inclusive, foi tomado emprestado por tantas outras ocupações pelo país. Do ponto de vista jurídico, inclusive, abriu precedentes para que outras desocupações fossem suspensas.

Resistência
Mesmo após o duo golpe que sofreram, os moradores do Pinheirinho continuaram organizados. Reuniam-se em assembleias semanais ou quinzenais e deram continuidade a sua luta por moradia.

Em 2014, eles tiveram uma grande vitória: conquistaram a construção do conjunto habitacional Pinheirinho dos Palmares, num terreno de 645 mil metros, na região sudeste de São José dos Campos. A previsão era de que 1.700 casas fossem entregues às famílias despejadas até setembro de 2015. No entanto, até 2016 as residências não tinham sido concluídas.

A presidente Dilma Rousseff (PT), que inclusive havia participado da cerimônia que oficializou a construção do Pinheirinho dos Palmares, reduziu do orçamento R$ 8,6 bilhões a verba destinada ao Minha Casa Minha Vida. Parte do ajuste fiscal do governo, continuado agora por Temer (PMDB), ameaça a construção de milhões de moradias populares em todo o país.

É por isso que nunca esqueceremos. O Pinheirinho tem de ser lembrado para que nunca mais se repita uma ação criminosa como a que aconteceu em 2012. Para que aquelas famílias tenham seus danos materiais e morais reparados. Para que outras tantas ocupações resistam e lutem por seu direito à moradia até que nenhuma família tenha de brigar por um teto.

Leia a reportagem do Opinião Socialista na época da desocupação

Assista ao documentário “Somos todos Pinheirinho”