Petroleiros votam continuidade da greve: “A greve continua, Dilma a culpa é sua”

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Confira o boletim nacional dos petroleiros do PSTU

Os petroleiros neste final de semana votaram na maioria das bases continuar a greve nacional da categoria.

Isso mesmo com a direção governista da FUP (Federação Única dos Petroleiros) tendo indicado a suspensão da greve para não levar mais crise ao governo, e o governo Dilma, junto com a direção da Petrobrás, intensificando a repressão, com prisões, advertências, interditos proibitórios e assédio. A greve continua. A direção da Petrobrás tentou enrolar a categoria: não apresentou nenhuma proposta nova de ACT (Acordo Coletivo de Trabalho), ofereceu só 9,9% de aumento e quer descontar os dias da greve. Não quer discutir o plano de desinvestimento, demissões, venda de ativos e privatização e propôs à FUP formar um Grupo de Trabalho (GT) paritário para discutir o tema. Ou seja, um GT que de nada resolve, mas com muita conversa. O governo tenta empurrar as coisas para as velhas mesas de “enrolação”.

Como a FNP já vinha defendendo, agora as bases paradas devem formar um comando nacional de greve unificado. A FUP deve construir um comando nacional junto com a FNP e exigir mesa única de negociação.

Basta de Dilma, Aécio, Cunha e Bendine
A conduta da empresa reflete o discurso da presidente Dilma na imprensa sobre a greve, quando disse que “a venda de ativos é uma decisão do governo e ela não vai voltar atrás”. Para derrotar o plano de desmonte da Petrobrás, é necessário dar um basta nesse governo. Enquanto Dilma tem apenas 10% de popularidade, 75% da população é contra a privatização. A continuidade da luta dos petroleiros, a radicalização da greve e o apoio popular podem levar a vitória e salvar a Petrobrás. Podemos derrotar o governo e pôr um fim na gestão corrupta da Petrobrás.

Direção da FUP trai e é vaiada pela base
A direção da FUP, para ajudar o governo Dilma, está se sujeitando a qualquer coisa, inclusive ser vaiada e chamada de pelega em várias assembleias, afinal, está defendendo contra os direitos da categoria e os interesses do povo trabalhador Essa vergonhosa postura acaba facilitando a venda dos ativos e a privatização praticada pelo governo, com o apoio da oposição liderada pelo PSDB,DEM, etc. Os petroleiros não se dobraram à truculência da direção da empresa e nem a manipulação de assembleias que tentou impor a FUP.

A greve continua
Os petroleiros do Espírito Santo rejeitaram o indicativo da aceitação da FUP. Os de Caxias (RJ) recusaram o indicativo da FUP, e depois a diretoria do sindicato, com os chefes e os fura-greves reverteram esta decisão. No Norte Fluminense foi uma lavada contra a FUP. Todas as bases da FNP (São José dos Campos e Taubaté, Rio de Janeiro, Litoral Paulista, Alagoas/Sergipe e PA/AM/MA/AP) seguem o indicativo de recusar a proposta e estão mantendo a greve.

Plenária nacional de greve
Por outro lado, se realizou em São Jose dos Campos, no dia 14, no Sindipetro/SJC, a Plenária Nacional dos Petroleiros em Greve com a presença de mais de 130 trabalhadores, dando um exemplo de democracia e combatividade. Particularmente com a presença de petroleiros da Revap e da Transpetro de Taubaté, diretoria do Sindipetro/SJC, o Comitê de Greve, e também petroleiros da UTGCA (Caraguatatuba), de Alagoas e Sergipe e da base do Unificados de São Paulo, especificamente petroleiros de Campinas e Mauá, e do Litoral Paulista.

Greve geral em defesa da Petrobrás e dos direitos dos trabalhadores
Para impedir o Plano de Desinvestimento da Dilma e do Congresso, e a privatização da Petrobrás, é necessário partir da greve dos petroleiros e ampliar para uma luta de toda a sociedade. Para isso é necessário que a FUP e a CUT rompam com o governo e atendam o chamado da CSP-Conlutas e de diversas outras organizações para construir uma Greve Geral no país, unificando as lutas existentes.

Dilma quer privatizar a Petrobrás vendendo o patrimônio nacional
Os petroleiros da Petrobras estão lutando contra o Plano de Desinvestimento da Dilma que pretende vender US$ 15,1 bilhões em ativos e desinvestimentos no valor de US$ 43,6 bilhões. Inclui a entrega de parte da BR Distribuidora, líder do mercado de vendas de combustíveis, com 7.931 postos; de cerca de 21 Usinas Termelétricas; venda de 23 navios petroleiros da Transpetro; parte de empresas como a Braskem, distribuidoras de gás e campos de petróleo, principalmente no nordeste. Suspenção das obras das refinarias do Nordeste e do Complexo Petrolífero do Rio de janeiro (COMPERJ). O corte drástico de investimentos está levando a demissões em massa nas áreas da Petrobras e nos estaleiros. O programa prevê uma redução de 150 mil trabalhadores. Vão quebrar centenas de pequenas e médias empresas brasileiras.

Incompetência e corrupção têm sido marcas da diretoria da Petrobrás: superfaturamento, fraude contábil, subornos e roubalheira, tudo causado pela direção da empresa com a conivência do governo federal e dos acionistas estrangeiros.

O controle dos trabalhadores
O número de terceirizados no sistema petroleiro está em 300 mil. São trabalhadores precarizados, com baixos salários e péssimas condições de trabalho e de segurança, que já levaram a morte de centenas nos últimos anos. Foi esta terceirização que levou a uma relação promíscua com as empreiteiras, que depois garantem as propinas dos políticos corruptos. Para acabar com ela todas as empreiteiras e estaleiros envolvidos em esquemas de corrupção devem ser expropriados e com este patrimônio devemos formar uma grande empreiteira estatal, garantindo estabilidade no emprego, condições de trabalho e salário digno para os trabalhadores.

Com a Petrobrás assumindo o conjunto da extração, refino e distribuição do petróleo e do gás, a gasolina e o diesel poderão ser vendidos a preço mais barato, e com isso baixar o valor do transporte e dos alimentos, além do gás de cozinha ser distribuído a preço zero.

Por isso, a luta por uma Petrobrás sob o controle os trabalhadores e da volta do monopólio estatal do petróleo é uma luta de todo povo brasileiro.

Nossa greve é pra Petrobrás não se transformar em uma Usiminas ou uma Samarco
A iminente demissão de 4 mil trabalhadores com o fim das atividades de áreas primárias da Usiminas deve servir de exemplo aos petroleiros. Assim como o desabamento em Mariana, Minas Gerais, demonstra como as empresas privatizadas, trazem verdadeiras catástrofes ao povo brasileiro. Se a Petrobrás, Gaspetro e BR distribuidora forem privatizadas serão sucateadas como a Usiminas e a Samarco. Lutemos contra! Em defesa de nosso país!