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A privatização da CTU, que significava
a exploração privada de 1,8 milhão de usuários por dia, foi motivo para uma acirrada disputa
entre dois grupos empresariais. A Metropolitana do deputado federal José Chavez do PTB, presidente
do Sport Club, financiador das campanhas de Armando Monteiro e hoje financiador da campanha de
Humberto Costa do PT, disputava então com um grupo de empresários do Rio/São Paulo que era defendido
na época por Mendocinha do PFL de Jarbas.
Após muitos ataques mútuos e manobras, acabaram chegando
a um acordo onde a CRT, empresa que acabou ganhando a concorrência, comprometia-se em pagar as
dívidas da CTU. A CTU, que valia 24 milhões, foi comprada pela CRT por 500 mil. E as dívidas nunca
foram pagas. Logo após a vitória da CRT no processo licitatório ( foi a única a se apresentar com condições
para a compra), O PT, e não mais o PFL, passou a ser o maior defensor da privatização. O caso logo se
esclareceu quando se descobriu que o dono da CRT, o senhor Ronam Maria Pinto, era sócio de Sergio Sombra,
o empresário petista que responde pela morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Financiador das
campanhas petistas em vários estados com negócios na área de transporte público e coleta de lixo em São
Paulo, Rio, Goiana e Fortaleza, com vários contratos com prefeituras petistas. Das 17 empresas que exploram
o transporte urbano na RMR, sem qualquer licitação e exclusivamente por critérios políticos eleitoreiros,
quatro são as que, de fato monopolizam o transporte.
Além das citada anteriormente, temos ainda a Caxangá
- Tamará do consórcio entre a Queiroz Galvão( empresa de especulação imobiliária e empreiteiras) e o grupo
Schwambach( que representa mais de 20 concessionárias de automóveis e lojas de peças automobilísiticas); e
a Globo, do vereador Carlos Alberto Gueiros, do PTB, base de apoio de João Paulo na Câmara de Vereadores.
Os interesses dessas empresas, em promiscuidade com os governos estadual e municipal, são atendidos e
legitimados pela Companhia Metropolitana de Transportes Urbanos (CMTU). Foi o interesse dessas empresas
o que mais pesou na violenta repressão ao kombeiros, numa parceria de Jarbas e João Paulo, tendo Dílson
Peixoto como chefe da pancadaria, que se repetiu contra o Comitê Contra o Aumento de Passagens.
Diferentemente do que ocorreu com os kombeiros, o governo estadual e a prefeitura não conseguiram derrotar
o movimento por meio da repressão e tiveram que apelar para a manobra dos subsídios, posando todos,
empresários e governos, de aliados do movimento.
A exclusão de até 50% dos usuários por causa do aumento
dos preços da passagem significa uma queda na receita diária que poderia ser compensada com subsídios
governamentais sobre a gratuidade. Imediatamente, o governo estadual já está aplicando essa política
diminuiu em 50% o ICMS cobrado no óleo diesel vendido às empresas, de modo a que o estado abre mão de
uma receita anual de R$ 14,4 milhões, em troca da ridícula redução de R$ 0,05 nas tarifas.
Passe livre para estudantes, desempregados e portadores de necessidades especiais. |