PASSE LIVRE JÁ

Segundo o Instituto de Desenvolvimento e Informação em Transporte (Itrans), pelo menos 710 mil moradores da RMR vão andando para o trabalho por falta de dinheiro para bancar o transporte público. Um contingente que representa 39,4% das famílias que recebem até 3 salários por mês. Além da parcela da população que caminha para o trabalho, cerca de 210 mil pessoas com renda até 3 salários (11,7% do total) usam bicicleta como meio de transporte.

A privatização da CTU, que significava a exploração privada de 1,8 milhão de usuários por dia, foi motivo para uma acirrada disputa entre dois grupos empresariais. A Metropolitana do deputado federal José Chavez do PTB, presidente do Sport Club, financiador das campanhas de Armando Monteiro e hoje financiador da campanha de Humberto Costa do PT, disputava então com um grupo de empresários do Rio/São Paulo que era defendido na época por Mendocinha do PFL de Jarbas.

Após muitos ataques mútuos e manobras, acabaram chegando a um acordo onde a CRT, empresa que acabou ganhando a concorrência, comprometia-se em pagar as dívidas da CTU. A CTU, que valia 24 milhões, foi comprada pela CRT por 500 mil. E as dívidas nunca foram pagas. Logo após a vitória da CRT no processo licitatório ( foi a única a se apresentar com condições para a compra), O PT, e não mais o PFL, passou a ser o maior defensor da privatização. O caso logo se esclareceu quando se descobriu que o dono da CRT, o senhor Ronam Maria Pinto, era sócio de Sergio Sombra, o empresário petista que responde pela morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Financiador das campanhas petistas em vários estados com negócios na área de transporte público e coleta de lixo em São Paulo, Rio, Goiana e Fortaleza, com vários contratos com prefeituras petistas. Das 17 empresas que exploram o transporte urbano na RMR, sem qualquer licitação e exclusivamente por critérios políticos eleitoreiros, quatro são as que, de fato monopolizam o transporte.

Além das citada anteriormente, temos ainda a Caxangá - Tamará do consórcio entre a Queiroz Galvão( empresa de especulação imobiliária e empreiteiras) e o grupo Schwambach( que representa mais de 20 concessionárias de automóveis e lojas de peças automobilísiticas); e a Globo, do vereador Carlos Alberto Gueiros, do PTB, base de apoio de João Paulo na Câmara de Vereadores.

Os interesses dessas empresas, em promiscuidade com os governos estadual e municipal, são atendidos e legitimados pela Companhia Metropolitana de Transportes Urbanos (CMTU). Foi o interesse dessas empresas o que mais pesou na violenta repressão ao kombeiros, numa parceria de Jarbas e João Paulo, tendo Dílson Peixoto como chefe da pancadaria, que se repetiu contra o Comitê Contra o Aumento de Passagens. Diferentemente do que ocorreu com os kombeiros, o governo estadual e a prefeitura não conseguiram derrotar o movimento por meio da repressão e tiveram que apelar para a manobra dos subsídios, posando todos, empresários e governos, de aliados do movimento.

A exclusão de até 50% dos usuários por causa do aumento dos preços da passagem significa uma queda na receita diária que poderia ser compensada com subsídios governamentais sobre a gratuidade. Imediatamente, o governo estadual já está aplicando essa política diminuiu em 50% o ICMS cobrado no óleo diesel vendido às empresas, de modo a que o estado abre mão de uma receita anual de R$ 14,4 milhões, em troca da ridícula redução de R$ 0,05 nas tarifas.

Passe livre para estudantes, desempregados e portadores de necessidades especiais.
Nenhum subsídio para as máfias do transporte.
Abertura das contas das empresas que exploram o transporte urbano.
Estatização do transporte público.
Regulamentação do transporte alternativo.


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