Não é por acaso que as bandeiras do PSTU são as mais vistas com
muita freqüência nas mobilizações dos trabalhadores e jovens em
todo o país. Nós apoiamos as greves e estamos em sua linha de
frente. Apoiamos as ocupações de terra, assim como as ocupações
de prédios públicos.
O PT que foi formado a partir das grandes greves da década de
80, hoje se afasta destas mobilizações. Como toda a estratégia
da direção do PT está voltada para as eleições, busca freiar todas
as lutas diretas dos trabalhadores. A preocupação do PT é se desvencilhar
do passado das greves, e em particular das ações mais radicalizadas.
A direção da CUT está também cada vez mais distante das bases
e das lutas, com suas estratégias de parceria com as empresas.
Nas cidades e estados em que o PT está no governo, as mobilizações
se chocam diretamente contra este partido. Em muitas, os governos
petistas recorrem diretamente a uma violenta repressão.
Nós defendemos todas as lutas dos trabalhadores e jovens, inclusive o direito das massas de utilizar ações radicalizadas contra a burguesia e o governo. Isso é muito diferente das ações ultras de setores de vanguarda descolados das massas, que só enfraquecem
as mobilizações. Quando as massas dos professores se decidiram
a fazer uma assembléia em frente ao Palácio do Morumbi, enfrentando
Covas e a sua ameaça de repressão, estavam fazendo uma ação radicalizada
de massas, assim como os sem terras ao ocupar uma fazenda.
A direção do PT se horroriza com estas ações radicalizadas,
porque elas se chocam com setores mais acomodados da classe
média. Nós, ao contrário, defendemos as lutas das massas e seus
métodos radicalizados.
INDEPENDÊNCIA DE CLASSE
A sociedade está dividida irremediavelmente em classes sociais, com os patrões de um lado e os trabalhadores de outro.Os patrões querem ampliar a mais valia que retiram dos trabalhadores, e estes querem aumentar seus salários e melhorar suas condições de trabalho. Os burgueses querem manter a exploração capitalista, que é a base de sua sobrevivência enquanto classe; os trabalhadores necessitam- embora ainda não tenham consciência disso - derrubar a exploração capitalista, como única forma de resolver seus problemas mais básicos.
A direção do PT é a responsável por um retrocesso no nível de consciência dos trabalhadores. No período do grande ascenso grevista da década de 80, existia na grande massa de trabalhadores uma consciência classista bem marcada: trabalhador é trabalhador, patrão é patrão. Esta consciência não vinha apenas dos choques diretos nas greves, mas de todo o processo político. Nas primeiras eleições, o PT se apresentava com o slogan "trabalhador vota em trabalhador". Desde o início da década de 90 , a direção do PT abandonou o classismo, a passou ao defesa da cidadania: "Todos somos cidadãos", o que inclui os trabalhadores e os patrões.
Este é o discurso tradicional da burguesia para mascarar as
diferenças de classe da sociedade dominada por ela. Não somos
"todos cidadãos". Existem cidadãos da burguesia que controlam
a sociedade, estão acima da justiça. Existem "cidadãos" trabalhadores
explorados pelos "cidadãos" burgueses.
Juntos da defesa da cidadania a direção do PT e PCdoB também
defendem a ideologia da Frente Popular. Com a argumentação de
que é preciso "ampliar" o apoio na sociedade, e ganhar as eleições
estes partidos defendem as frentes eleitorais com os partidos
burgueses como o PDT, PSB, PL, PMDB etc.
Realmente é preciso ampliar o leque de apoio dos trabalhadores urbanos, mas buscando a aliança dos setores explorados da cidade e do campo. A frente popular "amplia" para o lado da burguesia. De aliança em aliança, quanto mais "amplo" é o acordo, mais restrito é o programa.
Nós seguimos defendendo o classismo, a independência de classe,
tanto nas lutas diretas dos trabalhadores como nas eleições.
SOMOS SOCIALISTAS E REVOLUCIONÁRIOS
Nossa concepção de socialismo é radicalmente distinta das ditaduras stalinistas do leste europeu, confundidas propositalmente com o socialismo. Estas sociedades tiveram avanços importantes na solução de problemas básicos dos trabalhadores -como a miséria, a saúde e educação- ao terem sido expropriadas as grandes empresas. Mas mas foram dirigidas pela burocracia stalinista que reprimia os trabalhadores em defesa de seus próprios interesses materiais.
A derrubada destas ditaduras por grandes mobilizações de massas foi um avanço importante do processo revolucionário. No entanto o retrocesso na consciência das massas provocado pelo stalinismo possibilitou que o imperialismo, aliado a setores da própria burocracia, conduzissem este processo para a a restauração do capitalismo nestes países , o que já um fato consumado. As grandes conquistas do passado estão se perdendo com a restauração nestes países, que pouco a pouco voltam a ser semicolonias do imperialismo.
O PCdoB até hoje apóia o regime chinês, uma ditadura stalinista que conduziu diretamente a restauração do capitalismo neste país.
Nós defendemos um novo Estado apoiado nas próprias organizações dos trabalhadores. Este Estado teria de se defender da contra-revolução burguesa, assumindo uma forma de democracia ampla para os trabalhadores e uma ditadura dos trabalhadores sobre a burguesia.
Também nada temos a ver com a social-democracia, cujo maior
representante no Brasil é o PT. A social-democracia européia
dirige hoje a maioria dos países do MCE, e é o grande sustentáculo
dos planos neoliberais na Europa. Por vezes inclui algumas compensações
sociais, bem ao estilo do plano do PT para o governo Lula.
Somos socialistas revolucionários, porque não acreditamos que poderemos chegar um dia ao socialismo através das eleições. Só uma revolução social, feita pelas massas trabalhadoras, com o proletariado industrial como sujeito social, poderá derrotar o capitalismo, possibilitar a expropriação das grandes empresas capitalistas, e abrir o caminho para o socialismo a nível internacional. INTERNACIONALISMO
Somos internacionalistas, porque não acreditamos no socialismo em um só país. A internacionalização da produção sob o capitalismo exige uma resposta também internacional. Não se pode avançar para o socialismo restringindo a evolução da economia nas fronteiras de um país. Não existem condições de superar o atraso econômico de um país como o Brasil somente com o nosso potencial interno, na medida em que a produção já parte de uma base mundial. Este fenômeno foi ainda mais ampliado com a globalização, que significou um salto na internacionalizaçao do capital.
O fracasso do "socialismo em um só país" da burocracia stalinista -ideologia que servia para a burocracia manter os acordos de paz com o imperialismo, enquanto dizia avançar para o socialismo na URSS - demonstrou uma vez mais a necessidade básica do internacionalismo como componente básico do socialismo revolucionário.
A revolução só poderá ter alguma viabilidade, na medida em que
se generalizar a nível internacional. Uma revolução que terminar
confinada em um espaço nacional estará condenada a limites estreitos
de evolução, o que a empurra para a burocratização e a derrota.
Por isto o PSTU não se dispõe a ser apenas um partido nacional,
mas ser parte de uma internacional revolucionária. A LIT,
nosso embrião de Internacional, é a concretização mais importante
do internacionalismo.
DEMOCRACIA OPERÁRIA
Nós somos defensores intransigentes da democracia operária.
As burocracias sindicais estrangulam a participação e poder
de decisão das bases para garantir os acordos com a burguesia.
Não foi por acaso que o processo de burocratização da CUT se
acelerou junto com o giro a direita da Articulação. Não
foi por acaso que ocorreu o mesmo com o PT, que deixou de expressar
as opiniões de suas bases, por exemplo em relação ao FORA FHC
(amplamente majoritário em todos os Encontros Estaduais menos
um, antes do Congresso nacional que votou contra esta proposta),
para expressar os interesses dos setores parlamentares.
É através da livre participação das bases operárias, populares
e estudantis que se pode aferir a vontade e capacidade de luta
das massas. Por este motivo somos os defensores de que todas
as decisões mais importantes dos sindicatos se dêem em assembléias
e congressos. Por isto lutamos contra todo processo de burocratização
nos sindicatos e outras entidades populares. CONTRA TODA A OPRESSÃO
O PSTU defende uma posição clara contra a opressão racial e
sexual. Assume publicamente uma postura militante na defesa
dos direitos dos negros,
das mulheres
e dos gays,
lésbicas, bissexuais e transgêneros contra a opressão, e
busca trazer esta luta como parte específica e particular no
seio do movimento anti capitalista, aliando os oprimidos e explorados.