Operários da construção civil de Belém pararam a cidade no dia 28

 

Greve Geral se alastrou pelo estado do Pará

Desde as 6h da manhã de 28 de abril, operários e operárias da construção civil tomaram as ruas da capital paraense em diversos piquetes nos vários bairros da cidade, parando todos os canteiros de obras que encontravam pelo caminho. Fecharam a rodovia Augusto Montenegro e caminharam até a Avenida Independência, onde fizeram um ato político contra as reformas da Previdência e trabalhista e contra as terceirizações do governo corrupto de Michel Temer e sua corja.

No centro de Belém, os piquetes ocuparam as ruas, pararam obras e se dirigiram ao sindicato, no bairro de São Braz, onde os operários se concentraram, saíram em passeata e se juntaram aos trabalhadores da UGT que já tinham fechado o cruzamento em frente ao mercado e mantiveram a concentração aguardando a chegada das outras centrais e suas categorias, que se concentraram na Praça da República. Eles caminharam até São Braz, onde o ato terminou. Os empresários da construção civil tentaram boicotar o ato e liberaram os trabalhadores em vários canteiros de obras no dia 27, mas foi apenas uma tentativa, pois uma passeata com cerca de 1.500 operários e operárias com faixas e bandeiras ocuparam as ruas e gritaram bem alto “Fora temer, fora todos” e “nessa greve eu quero ver os operários e o povo no poder”. Por onde passavam, recebiam aplausos da população.

O dia 28 foi marcado pela demonstração de força dos trabalhadores da educação, bancários, correios, construção civil, funcionários públicos federais, estaduais, portuários, petroleiros e funcionários dos supermercados que aderiram à Greve Geral. Mais tarde, cerca de 40 mil pessoas marcharam da Praça da República até São Braz.

Classe operária em cena
A classe operária está voltando a ser protagonista. Foram as grandes greves operárias que derrubaram a ditadura militar brasileira. Em Belém, os operários e operárias da construção civil nunca baixaram a cabeça. Sua luta foi organizada a partir de um comitê de base, e vários operários tomaram o microfone durante o ato e mostraram sua indignação com o governo e a falta de respeito de deputados e senadores corruptos sem nenhuma moral para votar contra os trabalhadores. Mesmo sendo o setor que mais perdeu postos de trabalho, não se curvou à ameaça do desemprego.

Esse foi um importante aspecto desta Greve Geral. Diversas mobilizações foram organizadas por fora dos grandes atos e nos próprios locais de trabalho ou moradia, combinando a luta contra o governo e suas reformas com reinvindicações locais. Um grupo de trabalhadores da Companhia de Saneamento do Estado (Cosanpa), ameaçada de privatização, bloqueou a Avenida José Bonifácio. Outro grupo de manifestantes também chegou a bloquear a Avenida Augusto Montenegro, em frente à Secretaria de Educação. Trabalhadores ligados à indústria petroleira protestaram fechando o acesso ao Terminal Portuário de Miramar, na rodovia Arthur Bernardes.

Como se vê, a radicalidade foi marcante nos protestos. Ainda que tentem esconder, qualquer um que transitava em Belém, mesmo nas horas que se seguiram ao término das manifestações, encontraram uma cidade parada.

A luta no estado
A luta se estendeu pelo estado. Trabalhadores fecharam a BR 316 e a entrada da Alça Viária, na cidade de Marituba, e ganharam adesão dos moradores do município da região metropolitana que luta contra a instalação do lixão que tira o sono de toda a população e contamina o manancial do rio Uriboca.

Em Castanhal, município de grande população, manifestantes de Santa Maria e São Miguel do Guamá fecharam a BR 316. Quando passaram em frente ao prédio do deputado federal Helio Leite (DEM), gritavam “ô Hélio Leite, vou te falar, tu és vergonha pro estado do Pará”.

Em Parauapebas, sudeste do Pará, os trabalhadores fecharam, desde a madrugada, a portaria que sobe para a serra dos Carajás. Os ônibus da mineradora Vale ficaram parados, sendo impedidos de transportar trabalhadores. Também ocorreram protestos na Praça de Eventos da cidade, seguindo para o Tribunal do Trabalho.

Em Marabá, mais de 2 mil pessoas, percorreram quatro quilômetros pelas ruas da cidade e pela Avenida Transamazônica, passando pela ponte Itacaiunas até o bairro da Velha Marabá.

Na entrada do município de Ourém, a rodovia BR 316 foi interditada nos dois sentidos. Foram queimados pneus. A interdição provocou um engarrafamento com cerca de 1,5 quilômetro de filas.

Em Barcarena, foi  fechado o Trevo do Peteca, que dá acesso a Albras e Alunorte, assim como o porto onde afundou um navio com 1.500 bois.

Em Altamira, também foi grande a mobilização com a presença de uma grande caravana de trabalhadores rurais e movimentos sociais de Brasil Novo. Em Breves, os manifestantes ocuparam as ruas e protestaram em frente à Câmara Municipal.

A composição dos protestos
É importante destacar que parte considerável das categorias que encheram os protestos teve maioria de mulheres negras. Isso não foi por acaso, a forte mobilização do Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora, em 8 de março, possibilitou que elas, que representa mais da metade da classe trabalhadora brasileira, se colocassem à frente do dia nacional de luta de 15 de março e, agora, na histórica Greve Geral.

As mulheres eram visivelmente maioria nos atos. Na coluna organizada pela CSP-Conlutas, a agitação foi comandada por elas. Infelizmente, essa maioria não se expressou em cima dos carros de sons. Por isso, Daniele Lora, coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Construção Civil de Belém (STICMB) e membro do Movimento Mulheres em Luta, destacou: “Nós seremos as mais afetadas pelas reformas, somos nós que realizamos a dupla e a tripla jornada, por isso somos nós que precisamos mais que todos, assumir essa luta, colocar Temer e todos eles para fora de Brasília e colocarmos os operários e o povo no poder!”.

Cleber Rabelo, dirigente do PSTU e membro do STICMB, disse: “Todos os governos atacaram direitos dos trabalhadores. FHC criou o fator previdenciário, Lula, em 2003, fez uma reforma da Previdência que taxou os aposentados e acabou com a paridade salarial entre os trabalhadores da ativa e os aposentados. Agora, Temer quer que os trabalhadores morram e não se aposentem. Por isso, a alternativa não é Lula 2018, porque a escolha feita pelo PT, de colaboração de classes, não deu certo. Quem se beneficiou com isso foram os empresários, banqueiros e latifundiários. PT e PCdoB votaram juntos para eleger Rodrigo Maia para presidente da Câmara dos Deputados e Eunício Oliveira para o Senado. Portanto, a saída é os trabalhadores tomarem o poder em suas mãos e governarem em conselhos populares, botando pra fora o Michel Temer e todos eles. Queremos os operários e o povo no poder”.

Afirmamos que foi um erro, Edmilson Rodrigues (PSOL) ser chamado para fazer o fechamento do grande ato, como se fosse uma estrela. Os políticos tradicionais devem aprender que, se quiserem fazer parte de nossa luta, devem ser exatamente isso, parte e não pop star de palanque eleitoral. Em sua fala, Edmilson reproduziu a ideia do golpe, criticou o Judiciário e nada mais. Perdeu a chance de explicar por que o PSOL, inclusive ele, votou contra a medida anticorrupção que garantia que os servidores públicos que enriquecessem ilicitamente poderiam ser presos e ter os bens confiscados. Diga Edmilson: você é a favor de que deputados que ficam ricos ilicitamente não sejam presos e não tenham seus bens confiscados?