Olimpíadas: Medalha de ouro em desigualdade, violência e corrupção

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Foto Felipe Barcellos

Não é à toa que para 63% dos brasileiros as Olimpíadas trarão mais prejuízos que benefícios. É só dar uma volta pelo Rio de Janeiro e pelo país para perceber o óbvio: estes são os jogos olímpicos da exclusão, da desigualdade social, da violência e da corrupção.

A farsa do legado olímpico
O suposto legado olímpico é uma tragédia. Foram realizadas várias obras, como o BRT, o VLT e as instalações esportivas. Na inauguração, várias apresentaram problemas. Sem contar a ciclovia que caiu.

O BRT não resolveu o problema do trânsito que segue caótico. O preço da tarifa é altíssimo, e a promessa de ar-condicionado em toda a frota não passou de promessa. As obras do metrô na Linha 4 custam muito mais do que o anunciado. Isso num sistema metroviário tosco, pois é em linha e não em rede como recomendam todos os especialistas do mundo. A tão sonhada despoluição da Baía de Guanabara nunca saiu do papel.

Prometeram todas as maravilhas do mundo, mas só vimos obras superfaturadas, contratos fraudulentos, desvio de verbas e por aí vai. Não são obras que privilegiam as necessidades dos trabalhadores, mas os interesses de poucos.

O maior escândalo de corrupção da história do país tem em seu centro o setor da construção civil e políticos do PT, PMDB, PSDB, PP entre outros. Inclusive obras da Copa do Mundo já são apontadas em outros esquemas das empreiteiras. Com as Olimpíadas, não é diferente.

Jogos da repressão e da violência policial
Como se não bastasse, assistimos ainda à falência total do atual modelo de segurança pública baseado na militarização das comunidades e na brutal violência policial. Hoje, no Rio de Janeiro, ocorre um genocídio da população pobre e negra. Há uma verdadeira pena de morte informal nas favelas cariocas praticada ora pela polícia, ora pelo tráfico ou pelas milícias.

Longe de diminuir os crimes, a política de repressão, criminalização da pobreza e violência policial só aumenta todos os índices da criminalidade.
 

De quem é a responsabilidade?
Cabral, Pezão, Dornelles e Paes, com ajuda de Temer e, antes, de Dilma, são os responsáveis por essa situação. A subserviência dos governos ao Comitê Olímpico Internacional (COI) é um absurdo. O COI e as empresas multinacionais associadas a ele vão lucrar muito com os jogos à custa do povo brasileiro. Esses megaeventos são um mecanismo de transferência de recursos públicos para as instituições internacionais e grandes empresas.

O cenário de beleza e riqueza contrasta com a dura realidade dos trabalhadores e da população mais pobre. A única ação que os governos foram capazes de ter foi a construção de muros como o que esconde a favela da Maré, caminho para o aeroporto internacional.

Além disso, aprovaram leis reacionárias, como a Lei Antiterrorismo e a Lei Geral das Olimpíadas. Essas leis dão um salto na possibilidade de repressão às manifestações em curso no país. A Lei Geral das Olimpíadas, inclusive, fere o direito de ir e vir, a liberdade de expressão, cede exclusividade para o COI utilizar determinados espaços e coloca todo tipo de facilidades para os negócios dos patrocinadores dos jogos. Essas leis foram aprovadas por Dilma com todo o apoio de Temer.

Para os trabalhadores não tem dinheiro
Enquanto faltam 15 dias para os jogos, servidores estaduais, profissionais da educação, da saúde e trabalhadores terceirizados não sabem quando nem como vão receber seus salários. Desde o ano passado, há uma série de parcelamentos, adiamentos no pagamento e até calote como o ocorrido com os trabalhadores terceirizados da UERJ.

Nesse cenário, o governador em exercício, Francisco Dornelles, anunciou estado de calamidade financeira no Rio. Você acha que é por causa das demissões, falta de salários ou algo do tipo? Não. Ele fez isso preocupado com a grana que tinha de ir para as Olimpíadas. Assim, Temer autorizou mais R$ 3 bilhões para terminar as obras correndo. Ao mesmo tempo em que isso ocorre, o governo estadual propõe uma medida na Assembleia Legislativa para demitir servidores públicos.
 

Greve geral para derrubar Temer, Dornelles e o ajuste
É um fato que as Olimpíadas agravam a crise econômica que já vivemos e deixa os trabalhadores em péssimas condições de viver na cidade. Junto com todos os problemas listados, ainda há o aumento do custo de vida na cidade. Para enfrentar toda essa situação, é preciso unificar as lutas. As centrais sindicais devem convocar uma greve geral no estado para enfrentar os governos que só representam os ricos e poderosos.

Publicado no Opinião Socialista nº 521