Ocupação Esperança completa oito meses e conquista prazo contra a desocupação

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Protestos dos moradores para que a prefeitura negociasse

Moradores prometem resistir caso o acordo não seja cumprido

Na semana que marca oito meses de existência da Ocupação Esperança, as famílias conseguiram na terça-feira, dia 23, uma importante medida para tentar impedir a reintegração de posse do terreno em Osasco/SP.

Advogados do movimento conseguiram um novo prazo de 30 dias para que as partes envolvidas cheguem a um acordo para resolver o problema de falta de moradia das famílias. A decisão foi dada pela juíza Ana Cristina Ribeiro Bonchristiano, da 3ª Vara Civil de Osasco.

Os moradores lutam contra uma ordem de despejo que pode ser cumprida a qualquer momento. Diante disso, o novo prazo dá fôlego às famílias que continuam mobilizadas para evitar a desocupação e garantir moradias.

A Ocupação Esperança reúne cerca de três mil pessoas em um terreno da zona norte de Osasco, localizado em um bairro chamado Três Montanhas. Desde agosto do ano passado, essas famílias – com o apoio do Movimento Luta Popular – lutam pelo direito constitucional à moradia.

Após vários protestos e manifestações, no último dia 15, em uma reunião com os secretários de Relações Institucionais da Prefeitura de Osasco, Waldyr Ribeiro Filho, e da Habitação, Sérgio Gonçalves, a Prefeitura se comprometeu a entrar em contato com o Ministério das Cidades para viabilizar um projeto habitacional e mediar uma negociação para que o governo do estado garanta bolsa aluguel a todos os moradores da Ocupação.

Ficou definido que os moradores apresentariam um cadastro das famílias da Ocupação Esperança, a ser analisado pela Prefeitura. O cadastro foi protocolado nesta quarta-feira, dia 23, dentro do prazo combinado.

Ainda de acordo com o que foi definido na reunião, se tudo for cumprido e viabilizado para a garantia de moradia às famílias, os moradores da Ocupação Esperança fariam uma desocupação pacífica.



Desde o início, a Prefeitura, que é administrada pelo PT, manteve uma postura de intransigência e descaso com o problema do déficit habitacional na cidade e o drama dessas famílias. Depois de vários protestos, a reunião da semana passada foi um passo à frente, uma sinalização positiva de que é possível negociar”, contou Helena Silvestre, do Movimento Luta Popular. Contudo, não queremos ser surpreendidos como ocorreu no Pinheirinho, onde tudo indicava para um acordo, mas o governo do PSDB e o judiciário local optaram por uma violenta desocupação. Estamos atentos e prontos para resistir”, disse Helena.