O que os trabalhadores da educação do Paraná deveriam aprender com os estudantes?

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No Paraná, várias categorias de servidores públicos estão em greve, escolas e universidades estão ocupadas. Estamos no estado que concentra as principais lutas no país neste momento.

No entanto, os trabalhadores da rede estadual de ensino optaram, no dia 31 de outubro, em assembleia da categoria, por suspender a greve iniciada dia 17. Apesar de várias defesas pela continuidade da greve, a maioria votou por acatar a proposta defendida pela direção estadual da APP (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná), ligada ao PT. Respeitamos o resultado. Mas queremos dialogar com companheiros e companheiras da base da categoria que, para nós, isso foi um grande equívoco.

Nós do PSTU defendemos a continuidade da greve por entender que a pauta da categoria não avançou de conjunto e continuar o movimento grevista era fundamental para que outras categorias se sentissem fortalecidas na luta contra os ataques de Beto Richa (PSDB). Além disso, continuar a greve significava ficar lado a lado dos estudantes e manter a unidade da classe trabalhadora no enfrentamento ao governo Temer, e em defesa da educação. A suspensão da greve foi sentida pela juventude e o governo fica em melhores condições para pressionar pela desocupação das escolas.

Não há meio termo na luta. Não tem como ficar em cima do muro neste processo de luta que ocorre no Brasil, em especial no Paraná. O governo não nos respeita, descumpre com os acordos de greve, faz terror psicológico, não dialoga e agora quer ir para cima dos estudantes que estão dando uma lição de como lutar por seus direitos. A suspensão da greve, ao invés de ajudar os estudantes, colocou mais pressão para que eles desocupem. Basta ver que, após a suspensão da nossa greve, o Ministério Público enviou ofícios para as escolas reunir comunidade, pais, professores e estudantes para decidir sobre as ocupações. É uma pressão enorme sobre os ombros dessa juventude que tem lutado bravamente.

Mas apesar da direção da APP, a luta tem que continuar. Devemos manter a mobilização da categoria e cercar de solidariedade estes estudantes, devemos apoiá-los em suas iniciativas, devemos estar lado a lado na defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. Precisamos da máxima unidade, necessitamos de uma forte Greve Geral que pare o país e coloque os governos contra a parede.

Este é o caminho para derrotar as reformas e ataques de todos que atacam a classe trabalhadora.

Por Marcos de Oliveira, professor da rede estadual do Paraná e militante do PSTU