O Pinheirinho continua alvo da especulação imobiliária

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O Pinheirinho voltou a ser um terreno abandonado e a serviço da especulação imobiliária

Terreno, após violenta desocupação, não cumpre função social

Estudo encomendado pela Selecta, a empresa falida do megaespeculador Naji Nahas, sobre o terreno do Pinheirinho, em São José dos Campos,ganhou destaque na imprensa . Uma consultoria apontou a possibilidade de lucros de até R$ 275 milhões com a construção de um empreendimento imobiliário no local.
 
O relatório da CB Richard Ellis, uma das maiores empresas de consultoria imobiliária do mundo, atesta que “o porte do terreno permite o desenvolvimento de diversos usos (residencial, comércio, serviços, industrial de pequeno porte) de maneira harmoniosa, mas com base na análise de mercado, não temos dúvidas que a principal vocação do terreno é o desenvolvimento residencial”.
 
O estudo afirma ainda que “as perspectivas positivas de crescimento econômico da região” e a “inserção privilegiada do terreno no contexto urbano” aumentam as chances de lucros superiores aos estimados.
 
Especulação acima da vida
Este estudo contratado pela massa falida da Selecta é mais um episódio que mostra a ganância e a especulação imobiliária que sempre marcaram os interesses em torno do Pinheirinho.
 
Apesar de ter deixado o terreno abandonado por mais de 30 anos, antes da ocupação em 2004, e nunca ter pagado impostos sobre a área, hoje, Naji Najas tenta a todo custo reasssumir o Pinheirinho, de olho nos lucros que pode obter com a especulação sobre o terreno.
 
Para Toninho Ferreira, presidente municipal do PSTU e advogado das famílias do Pinheirinho, é um escândalo a situação do terreno quase dois anos depois da vergonhosa desocupação.
 
“Por essa avaliação, percebemos o verdadeiro motivo da violência na desocupação e porque a justiça teve tanta pressa em retirar as famílias. O governo do PSDB retirou milhares de pessoas sem teto para atender ao pedido dos empresários do setor imobiliário e para dar lucro ao megaespeculador, condenado por crime de colarinho branco”, disse Toninho.“Nahas nunca pagou impostos sobre o terreno e a Selecta acumula uma dívida de mais de R$ 50 milhões, entre impostos e multas. O pior é que ainda vão acabar ganhando anistia dos impostos não pagos”, denunciou.
 
Ainda de acordo com Toninho, o fato é que, em São José dos Campos, seja nos governos do PSDB ou PT, os setores empresariais da construção civil e imobiliário continuam mandando nos rumos do desenvolvimento da cidade, a despeito do que seria melhor para a população.“São os interesses da especulação que estão por trás, não só em São José, mas em todo o país. A voracidade por lucro é enorme e para isso são capazes de qualquer coisa”, disse.
 
“Hoje, o Pinheirinho voltou a ser um terreno abandonado, sem qualquer uso social. Nós defendemos que ali seja construído o tão falado hospital regional, pois a localização é excelente, entre duas grandes cidades e entre duas das principais rodovias do país. Ainda sobraria terra para construir muita casa popular para atender as mais de 20 mil famílias que ainda aguardam na fila por uma moradia em São José. Para isso, basta vontade política e um pouco de coragem dos governantes”, concluiu Toninho.