Novas denúncias complicam ainda mais Temer

710
Organograma apresentado pela Polícia Federal

Relatório da Polícia Federal mostra Temer como chefe do “quadrilhão” do PMDB

E se Temer e seus comparsas acharam que respirariam aliviados após o novo escândalo envolvendo Joesley Batista e a Procuradoria Geral da República (PGR), que colocou em xeque a delação premiada dos donos da JBS, estavam muito enganados. Uma série de notícias que se sucedem mostram que a crise está longe de terminar e que esse pilantra não vai ter sossego tão cedo.

Nesse dia 11 o relatório da Polícia Federal sobre o “quadrilhão” do PMDB na Câmara atesta que Temer recebeu R$ 31,5 milhões de “vantagens indevidas”, um termo mais bonitinho para propina. A investigação começou em 2015 e tem como alvo a atuação do partido no Congresso Nacional e a sua relação com esquemas de propinas na Petrobrás e outros setores do governo.

Segundo o relatório da PF, o enquadramento em organização criminosa se dá porque os chefes do PMDB tinham poder sobre os demais membros do grupo e dividiam a dinheirama obtida através de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraudes em licitação. Fariam parte desse esquema Temer, Eduardo Cunha e Henrique Alves, ambos ex-presidentes da Câmara, Geddel Vieira Lima, que acabou de voltar para a cadeia após a polícia ter achado R$ 51 milhões num apartamento em Salvador que ele usava, e os atuais ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Na apresentação da investigação que a Polícia Federal entregou ao Supremo Tribunal Federal, Temer aparece bem no centro do esquema do quadrilhão. O relatório deve rechear a nova denúncia que o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, deve fazer nos próximos dias, antes de deixar o cargo.

Nova investigação no STF
Já nesta terça-feira, Temer sofreu outro revés. O ministro do STF, Luís Roberto Barroso, autorizou abertura de inquérito para investigá-lo por corrupção e lavagem de dinheiro por conta de um decreto que beneficiou a empresa Rodrimar no porto de Santos. A investigação foi pedida por Janot em junho passado.

A Polícia Federal gravou Rocha Loures, o “homem da mala” e então assessora de Temer, articulando o decreto com um dos donos da empresa e o próprio chefe. A medida, que prorrogava a concessão do porto, foi promulgada em maio deste ano, portanto, em pleno exercício do atual mandato. Em troca, Temer e Loures teriam recebido propina da empresa. Pela lei, o presidente só pode ser processado por atos que tenha cometido em seu mandato.

É uma dor de cabeça a mais para Temer, que já tem com o que se preocupar com a nova prisão de Geddel e a delação do doleiro Funaro.

Fora todos eles!
Não são as “flechadas” de Janot, porém, que podem derrubar Temer e derrotar as reformas. O arquivamento da primeira denúncia contra Temer por esse Congresso comprado já mostrou isso. Como se não bastasse, estão agora instaurando uma CPMI para “investigar” a JBS e botaram como relator ninguém menos que o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), que vem se tornando folclórico por sua fidelidade canina a Temer.

O STF, por sua vez, tampouco pode dar alguma resposta a isso. Nem mesmo a PGR é digna de confiança, como vem vindo à mostra as relações promíscuas entre Janot e Joesley.

O caminho para derrotar Temer e suas reformas é a organização da classe trabalhadora rumo à mobilização e uma nova Greve Geral, a partir de iniciativas como o Dia de Lutas e Greve convocado pelos metalúrgicos para este dia 14 de setembro.

Paulinho da Força demonstra apoio a Temer neste dia 12. Agência Brasil

É um absurdo e um escárnio a postura das direções das grandes centrais sindicais que, além de desmontarem a Greve Geral marcada para o dia 30 de junho, agora nada fazem para unificar as lutas contra esse governo. Neste dia 12, enquanto era aberto novo inquérito contra Temer no STF, o presidente da Força Sindical, deputado Paulinho (SD-SP), e o da UGT, Ricardo Patah, estavam num evento com o presidente junto a outros sindicalistas e empresários.

É preciso unificar pela base as categorias em luta, a juventude e o movimento popular rumo a uma Greve Geral que ponha abaixo todos eles e enterre de vez as reformas.

LEIA MAIS
14 de setembro | Unificar as lutas: É necessária uma nova Greve Geral