Nosso junho continua e nós apenas começamos

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Foto Erick Dau

As cores de junho ainda estão frescas na memória.

Tomamos um sacode!

O povo cansado, frustrado, desacreditado, foi pra rua por tudo, contra tudo. E foi um mar de gente, retomando as ruas pra que as pessoas – e não os carros – assumam o lugar de reconstruir a paisagem das nossas vidas.

Junho de 2013 nunca acabou.

Os garis seguiram e a greve negra, rebelde e corajosa obrigou toda a burocracia, toda a oligarquia e todos os “donos do poder” a enxergar a cor e a violência da revolta de nossa classe.

Vieram outras greves com ou sem sindicato, às vezes até contra o sindicato.

Vieram os rolezinhos e os muleques zica da quebrada puseram a classe média em situação de histeria quando romperam o silêncio pacífico e opressor dos shoppings center’s.

O movimento não está unificado, mas aponta para o mesmo lugar: Não aguentamos mais esse sistema político e econômico que vandaliza nossa esperança, que come o nosso futuro.

Nas escolas, os secundaristas, desapegados das formas quadradas, se jogaram de corpo e alma na guerra contra a falta de perspectiva e de sonhos. Sonharam! Brigaram e nos permitiram voltar a sonhar.

As mobilizações não param!

Não! Nós não queremos voltar ao lugar em que estávamos!  

Nós queremos mais!

Queremos romper com todas as cadeias que nos aprisionam a vontade de viver, o direito de amar.

Nesse dia 2, a gigantesca onda de mulheres que foi às ruas reinaugurar um junho que não acaba deu provas concretas e poderosas de que nós só começamos!

O futuro está a se disputar!

Nós vamos disputar o futuro!

Nós vamos disputar a esperança!

Nós vamos viver sem medo!

Nós vamos lutar!

Nós apenas começamos!