quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

Por que os revolucionários participam das eleições?

Essa pergunta foi e continua sendo o centro de uma série de polêmicas dentro do movimento revolucionário internacional.

Leon Trotsky, no segundo congresso da Internacional Comunista, explicou o desenvolvimento dessa polêmica na história das internacionais.

Segundo ele, na Primeira Internacional o objetivo dos revolucionários era utilizar o parlamento burguês para uma agitação sistemática para “desenvolver a consciência de classe do proletariado na sua luta contra as classes dominantes.” (“A época atual e o novo parlamentarismo”).

Com o desenvolvimento do capitalismo, os regimes burgueses em toda a Europa se fortaleceram. A estabilidade dos Estados burgueses e a concessão de migalhas aos trabalhadores levaram a Segunda Internacional, de Bebel e Bernstein, a esquecer os ensinamentos da Primeira Internacional. Ela passou, segundo Trotsky, a uma “adaptação da tática parlamentar dos partidos socialistas a uma ação legislativa ‘orgânica’ nos parlamentos burgueses e a importância cada vez maior da luta pela introdução de reformas no quadro do capitalismo, o predomínio do programa mínimo dos partidos socialistas, a transformação do programa máximo numa plataforma destinada às discussões sobre ‘o objetivo final’ longínquo” (“Partido comunista e o parlamentarismo”).

É nesse contexto que acontece a primeira grande traição dos social-democratas no plano internacional. Justamente dentro do parlamento, os partidos filiados à Segunda Internacional renegam o internacionalismo e votam a favor das suas respectivas burguesias na Primeira Guerra Mundial.

Após a falência da Segunda Internacional, Lênin, Trotsky e Rosa Luxemburgo, entre outros, constroem a Terceira Internacional. No discurso de abertura do primeiro congresso da Internacional Comunista (IC), Lênin descreveu o impacto da Revolução Russa sobre os trabalhadores de todo o mundo: “A ditadura do proletariado!, palavras que até a data eram latim para as massas. Graças à propagação do sistema dos sovietes por todo o mundo, este latim foi traduzido em todas as línguas modernas.” (Discurso do primeiro congresso da IC).

Mas o fato de terem instalado a república dos sovietes, de terem acabado com o parlamento burguês e inaugurado a possibilidade de uma nova era para humanidade não fez com que os revolucionários russos negassem a realidade objetiva dos outros países.

Durante o segundo congresso da IC, em 1920, os debates sobre a participação no parlamento foram fruto de um intenso debate. Muitos quadros da Terceira Internacional, impressionados com a experiência da Revolução Russa, consideravam que o tempo de participar do parlamento burguês já tinha passado, portanto o papel dos comunistas deveria ser preparar a tomada do poder.

Lênin chamou essas posições de ultra-esquerdismo e contra-argumentou dizendo que:
“O parlamento é um produto do desenvolvimento histórico e não podemos eliminá-lo enquanto não formos suficientemente fortes para dissolver essa instituição burguesa.”

No livro “Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo”, Lênin explica que no campo da propaganda é correto falar que o parlamento burguês “já fez o seu tempo”, entretanto “toda gente sabe que daí ao seu desaparecimento na prática, vai uma enorme distância”.

Lênin partia do método marxista de que não fazemos política de acordo com o que queremos e sim de acordo com a realidade concreta. Por isso dava tanta atenção ao estágio da consciência da classe operária e dos trabalhadores em geral. Lênin e os bolcheviques não se deixaram levar pelos seus desejos, mas sim pelas necessidades da classe e pelo desenrolar da luta política.

Polemizando com os esquerdistas alemães, Lênin diz que estes “tomaram os seus desejos, as suas concepções ideológicas e políticas, por uma realidade objetiva. Este é o mais perigoso dos erros para os revolucionários.” E complementa: “mas a questão está precisamente em não acreditar que o que está ultrapassado para nós, o esteja para a classe, o esteja para as massas. Verificamos mais uma vez que os ‘esquerdistas não sabem raciocinar, não sabem conduzir-se como partido da classe, como partido das massas. É indiscutível que não podeis descer ao nível das massas, ao nível dos setores atrasados da classe. Tendes que dizer-lhes a amarga verdade. Tendes que chamar preconceitos aos seus preconceitos democrático-burgueses e parlamentares. Mas, ao mesmo tempo, tendes que observar com toda lucidez o estado real de consciência e de preparação de toda a classe (e não apenas da sua vanguarda comunista), de toda a massa trabalhadora (e não apenas dos seus elementos avançados).

Para Lênin era uma obrigação dos revolucionários participarem das eleições e do parlamento enquanto as massas mantivessem esperanças nas instituições da burguesia. “Uma parte da pequena burguesia proletarizada, os operários atrasados e os pequenos camponeses acreditam, na realidade, que os seus interesses estão representados nos parlamentos; é preciso lutar contra essas ilusões através do trabalho no parlamento e mostrar às massas a verdade dos fatos. As teorias não são aprendidas pelas massas atrasadas; necessitam de experiência.” (Discurso do primeiro congresso da IC).

Aqueles que reivindicam o marxismo revolucionário como teoria política e a ditadura revolucionária do proletariado como programa de libertação dos trabalhadores têm a obrigação de participar das eleições para educar as massas e quebrar suas ilusões e preconceitos.

Tática
Apesar desse longo debate, para nós revolucionários não é um princípio participar das eleições. Ao contrário, para nós a participação nas eleições e no parlamento é importante, porém secundária, é uma tática. Somos leninistas e por isso achamos que “a ação das massas, uma grande greve, por exemplo, é sempre mais importante que a ação parlamentar e não apenas durante a revolução ou numa situação revolucionária”.

Atuamos na Câmara, na Assembléia ou no Senado de acordo com o parlamentarismo revolucionário. Utilizamos o espaço da burguesia para desmascarar suas leis e constituição, tentando sempre destruir as falsas consciências das massas exploradas e oprimidas a partir de suas experiências com a democracia dos ricos.
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